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Editorial
Desnorteada com o
galopante declínio do prestígio que outrora desfrutava, a mídia golpista se
aferra ao exercício de arruinar a própria credibilidade. Reduz o alcance de seu
discurso, circunscrevendo-o às camadas privilegiadas, particularmente aos
setores mais insensíveis e imbecilizados da sociedade, com o indisfarçável
intuito de radicalizá-los contra o governo Lula e suas bases de sustentação.
Melhor assim. Se
“Veja”, “Globo”, “Folha” et caterva fazem questão de desnudar-se em público, a
nossa faina para arrebatar-lhes os leitores e telespectadores que interessam -
os capazes de pensar - fica simplificada.
O fato é que os
“escândalos” fabricados para o início de 2008, “epidemia de febre amarela”,
“risco iminente de apagão elétrico” e “paralisia das obras do PAC”, rapidamente
se tornaram presa do efeito bumerangue. E também não tardará a cobrar seu preço
o acobertamento do mais estúpido atentado já cometido contra a liberdade de
imprensa neste país, a censura prévia imposta - através de liminar - ao
governador Roberto Requião por um ressentido desembargador que se dedicava a
fornecer proteção aos bingos do Sul.
Chegamos então aos
“cartões corporativos”. Em nome dos contribuintes, os sonegadores de impostos e
seus serviçais midiáticos lançaram uma suspeição geral, vaga e indeterminada
sobre as despesas miúdas feitas por funcionários da máquina governamental no
desempenho de suas funções. Nos cinco anos do governo Lula, todas elas juntas
(cartões corporativos e contas B) não chegam a R$ 150 milhões por ano, ou 1
décimo de milésimo do Orçamento da União, ou ainda R$ 410 mil por dia, pouco
mais do que se consome de café aqui na redação do HP.
Mas ao contrário
do que demonstrou o governo, no caso da ex-ministra da Integração Racial, eles
não estavam interessados em corrigir eventuais irregularidades, apenas em
promover o denuncismo vazio e irresponsável, motivo pelo qual tanto se apegaram
à tapioca do ministro Orlando Silva, que custara aos cofres públicos R$ 8,50
(oito reais e cinqüenta centavos), em razão de um engano que inclusive já havia
sido retificado.
A relevância
atribuída a quantias desse jaez certamente faria corar de vergonha o dr. Roberto
Marinho. Mas se eles não conseguem outro assunto para pôr em pauta, a fim de
exibir o seu notório zelo com a coisa pública, vamos em frente.
O governo aceitou
o repto e tascou-lhes uma CPI para checar todas as despesas com cartões e contas
B, mas desde janeiro de 1998. Ou seja, foram procurar sarna e quem já começa a
se coçar são seus partidários do PSDB e do Dem.
Como nos episódios
anteriormente citados, a mídia independente e democrática, que é o que conta em
matéria de imprensa no Brasil, vai cumprir seu papel de informar o público para
debelar mais esse pretenso incêndio, apesar de continuar sem praticamente
nenhuma publicidade das instituições federais, fenômeno que curiosamente não
ocorre com os veículos da mídia golpista. Mas essa já é uma outra história.
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