Escalada de juros do BC reduz expansão industrial à metade

De janeiro a setembro, a produção industrial crescia a 6,4% ao ano. Devido ao último trimestre, cresceu apenas 3,1% em 2008

Os números divulgados pelo IBGE, referentes à produção física da indústria, são altamente elucidativos dos problemas da economia brasileira e de qual é o entrave que, se não superado urgentemente, ameaça desperdiçar os esforços que os brasileiros, capitaneados pelo presidente Lula, fizeram nos últimos anos. Vejamos com atenção esses números:

1) No último trimestre do ano passado a produção industrial caiu 19,8%.

2) Em relação a novembro, a produção industrial de dezembro de 2008 recuou 12,4%. Já havia caído em outubro com relação a setembro e em novembro com relação a outubro.

3) Comparada com dezembro de 2007, a produção industrial foi 14,5% menor. Portanto, não é prudente interpretar os dados como se tratasse apenas do declínio da produção que ocorre habitualmente em dezembro com relação a novembro, pois a comparação com o mesmo mês do ano anterior mostra uma redução até maior do que aquela com o mês antecedente.

Porém, ainda mais reveladores são os seguintes dados:

4) Se tomarmos os resultados da indústria de janeiro de 2008 até setembro de 2008, a produção cresceu 6,4%.

5) Mas, com os resultados negativos no último trimestre, o resultado final do ano de 2008 foi um crescimento da produção industrial de apenas 3,1%, ou seja, a metade do que cresceu até setembro.

A mídia colonizada e oposicionista, além do impudico sr. Meirelles, atribuiu esses resultados à crise norte-americana, que o governo teria subestimado, porque o Brasil não poderia crescer quando a meca dessa mídia está se afundando, etc., etc. Uma interpretação sob medida para instilar impotência em espíritos fracos, mas inteiramente falsa.

Realmente, nós não podemos resolver os problemas dos EUA. Mas podemos resolver os do Brasil. A crise dos EUA pode ser o que for, mas não é dotada de propagação instantânea. Ela estourou no dia 15 de setembro, com a quebra do Lehman Brothers – e nosso país, que até então crescia a 6,4% ao ano, não foi atingido imediatamente, pois, apesar da vontade de alguns, o Brasil não é um Estado dos EUA.

Porém, no dia 10 de setembro de 2008, o BC aumentou, pela quarta vez consecutiva, os juros básicos. Foi um aumento absurdo, onde não havia nem as justificativas costumeiras, pois a inflação estava caindo e o aumento de consumo estava atrás do aumento da produção.

Depois disso, o BC, sem nenhuma necessidade econômica, manteve essa taxa alucinada (13,75%) em mais duas reuniões do Copom, ou seja, durante 135 dias, apesar da escassez de crédito e do naufrágio dos EUA. Somente agora, em 21 de janeiro, houve uma queda – pequena – nos juros básicos.

Porém, notemos outra vez que o aumento de setembro foi o quarto aumento consecutivo de juros estabelecido pelo BC. A trajetória desse desastre foi a seguinte:

a) A última vez que o BC, através do Copom, havia baixado a taxa básica de juros foi em 5 de setembro de 2007. Já então, era a maior taxa básica do mundo (11,25%), travando o crescimento da indústria – que crescia, devido à política do presidente Lula, mas com o freio de mão puxado.

b) Depois disso, o Copom manteve essa taxa em mais quatro reuniões – ou seja, durante 225 dias, quase um ano inteiro.

c) Por fim, no dia 16 de abril de 2008, o BC voltou a aumentar a taxa Selic, para 11,75%, com um pretexto idiota: o aumento de preço de algumas mercadorias agrícolas, quando, como observou o ex-ministro Delfim Netto, o que estava havendo era um charivari especulativo na Bolsa de Chicago, cidade onde não vigora a taxa básica de juros do Banco Central do Brasil, nem ela tem influência alguma.

c) No entanto, o BC aumentou outra vez os juros no dia 4 de junho (12,25%) e aumentou outra vez no dia 23 de julho (13%), culminando com os 13,75% de 10 de setembro, cinco dias antes de estourar a crise nos EUA. Como já mencionamos, somente 135 dias depois houve uma pequena redução nesses juros.

Se a economia brasileira passasse por essa tortura financeira sem consequências – e consequências graves – seria a prova final de que Deus nasceu por aqui e mora em Madureira. Infelizmente, não foi ainda dessa vez que conseguimos pegar o Todo-poderoso em flagrante.

Ainda que não houvesse crise nos EUA, como esperar que os empresários, depois de um ano e três meses de juros que somente subiam, não revertessem em alguma medida as suas expectativas – e suas empresas não sofressem com os juros e com os spreads, que são uma consequência da alta taxa básica do BC? Some-se a isso uma campanha renitente pela crise por parte da mídia que apóia o sr. Meirelles, e temos quase todo o furdunço que redundou nos números divulgados pelo IBGE.

MÚLTIS

O resto fica por conta de multinacionais e outros monopólios (ou candidatos a tal). Monopólios querem sempre aumentar sua margem de lucro. Se puderem não pagar impostos e não pagar aos trabalhadores, é o que eles farão - ainda que isso signifique estrangular o próprio mercado que monopolizam, já que, tal como na frase de Keynes, é preciso aproveitar o momento, porque no futuro todos estaremos mortos...

Assim, com esse tipo de esperteza, os monopólios promoveram uma campanha pela redução dos salários, com férias coletivas, ameaças de demissão, diminuição da produção, etc., embora sem que a crise tivesse chegado ou mal tivesse chegado ao país. As multinacionais, querendo enviar mais lucros para as matrizes que estão indo a pique nos EUA e outros países. Os monopólios internos, tipo Vale, apenas porque são oportunistas. Com gritos de que o tiro da crise os havia atingido, esses pistoleiros estrangeiros ou internos contribuíram bastante para que a produção industrial do país levasse um tranco.

Nada há de irremediável na situação. É preciso diminuir substancialmente os juros e manter os investimentos públicos. No mais, algum relho em cima da pouca vergonha é altamente saudável – para isso, aliás, existe o Estado, não para servir o dinheiro do povo como pasto para os abutres.

CARLOS LOPES
 


Primeira Página

 

Página 2

Escalada de juros do BC reduz expansão industrial à metade

Com as vendas em alta, cartel das montadoras quer baixar salários e impostos

Empresários defendem redução imediata da Selic para um dígito

Para CNI, país não pode esperar pela próxima reunião do Copom

Iedi: retração na indústria é resultado da política de juros e de crédito do BC

Petrobrás anuncia projetos para acelerar a produção e a exploração no pré-sal

Expediente

Página 3

Dilma anuncia mais verba para o PAC e aceleração das obras

Para CNT/Sensus, a aprovação de Lula bate novo um recorde

Áreas social e econômica tiveram avanços com Lula, afirmou Sarney

PSDB racha na Câmara

Base aliada chega a acordo e nova Mesa do Senado é empossada

Virgílio espiona colegas tucanos

Lula determina que ministros façam tudo para ampliar crédito

Justiça eleitoral investiga o governo de São Paulo por uso ilegal de empresa pública

Bernardo critica cortes de Delcídio

 

 

 

 

 

 

 

Página 4

Centrais debatem com governo extinção do fator previdenciário

‘Quem demitir vai perder os benefícios que o Estado concedeu’, adverte Requião

Relator convida centrais a elaborar proposta conjunta

Prefeitos vão a Brasília para discutir PAC

Aprovada no Senado, PEC dos vereadores vai para a Câmara

Justiça condena ex-prefeito do Guarujá

CARTAS

Página 5

Operários da construção aprovam greve por aumento real na BA e PB

Trabalhadores de Camaçari rechaçam arrocho salarial: “15% de ganho real ou obra parada”

Com vários lançamentos imobiliários, construtoras  abrem vagas em Curitiba

CUT realiza manifestações em todo o país no dia 11: “Manter empregos e salários é garantir que o mercado interno continue em expansão”

Metalúrgicos do ABC revertem  demissões da TRW em Diadema

Um relato da Bolívia revolucionária

Página 6

Atrelamento aos EUA faz PIB do México encolher em 2009

Néstor Kirchner demanda dos empresários argentinos: “Não toquem em nenhum emprego”

Grécia: agricultores ocupam porto e fecham rodovias por subsídios para enfrentar a crise

Ex-governador denuncia sabotagem de Uribe à libertação dos reféns das Farc

Venezuela inaugura duas hidrelétricas do plano nacional de eletrificação

Sul-coreanos denunciam prisões e violência contra a imprensa

 

Página 7

EUA: crise agrava-se enquanto Republicanos atrasam o pacote

Obama fixa teto para executivos de empresas penduradas no Tesouro

Citibank arrombado paga US$ 4 bilhões de bônus

Funcionários públicos vão à greve na Alemanha por reajuste salarial

Rússia e Bielorrússia vão construir sistema único de defesa antiaérea

Congresso dos EUA aprova assistência médica a 11 milhões de crianças pobres

Guerrilha afegã destrói ponte e fecha rota de suprimentos de tropas norte-americanas

Das consequências do revisionismo (2)

Governo do Quirguistão anuncia o fechamento de base dos EUA

 

Página 8

Das dificuldades de Obama (2) 

Leia

Sob pressão, BC recua juro outro pontinho e meio

Desnacionalização e gestão temerária sufocam a Embraer

Solução para a Embraer é voltar a ser do Estado

Febraban diz que reduz spread se a União pagar conta de inadimplentes

“Decisão do governo é não emprestar a quem desemprega”, diz Lula

Lula: “Eles cultivam o ódio dos de cima contra os de baixo” 

BC assalta 80 bi das reservas para ajudar bancos em Wall Street

Juros e pilantragem de múltis fazem produção industrial encolher 19%

Repatriamento de capital por múltis ameaça as contas externas do Brasil

Juro alto do BC é o fundamento do spread aloprado

Conselheiros do CDES pedem a antecipação da reunião do Copom

Meirelles recua debaixo de vara e reduz os juros em um pontinho

Centrais fecham com Lula ofensiva contra os juros, demissões e redução dos salários

Fiesp abre guerra contra os salários dos trabalhadores

BB paga R$ 4 bilhões para Votorantim ficar com o controle do BV

Juros e alarmismo midiático freiam a produção industrial

 Israel testa Obama com chacina contra palestinos em Gaza

Para Lula, juros têm que cair no começo de 2009

Para nababos da Vale, povo duro é a melhor receita contra a crise

“Toma o beijo da despedida, seu cachorro!”

Meirelles afronta o Brasil e não reduz taxa de juros para jogar país na crise

Alencar mantém BC sob pressão: “esses juros são anomalia”

Lula a Meirelles: “juro está além daquilo que o bom senso indica”

Montadoras almoçam os R$ 8 bi do crédito e mantêm ameaça de demitir trabalhadores

Meirelles diz que não aceita baixar juro para priorizar crescimento

Juro alto dissipa 29% da renda disponível no país, afirma Ipea

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Veto popular assusta republicanos e trava bailout de US$ 700 bi a especulador falido

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