Operários da construção aprovam greve por aumento real na BA e PB

 “Enfrentamos setores do empresariado que chantageiam falando de crise para continuar ganhando com o rebaixamento de salários e a retirada de direitos”, afirmou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Construção, Waldemar Pires de Oliveira

Duas grandes assembléias realizadas pelos Sindicatos dos Trabalhadores da Construção Civil de João Pessoa (PB) e Camaçari (BA) ilustram a mobilização nacional desencadeada por aumentos reais mais robustos no setor, aquecido pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pela ampliação de linhas de crédito imobiliário com redução de juros para os financiamentos e a desoneração de impostos da cesta básica de produtos.

Entre os itens que tiveram isenção de IPI ou sua alíquota reduzida pelo governo federal encontram-se caixas d'água, esquadrias de madeira e metal, argamassa, tintas e vernizes, louças sanitárias, e ladrilhos e lajes para pavimentação e revestimento, aquecendo a economia e ampliando a geração de empregos. As vendas internas de cimento em dezembro tiveram o melhor desempenho para o mês em dez anos, alcançando 3,9 milhões de toneladas, com crescimento de 11% sobre o mesmo período de 2007.

"Este é o melhor momento de uma campanha salarial. O governo Lula liberou 40 bilhões de reais dos cofres públicos para não permitir que a crise afete o setor da construção e está lançando mais um programa de um milhão de novas moradias populares de baixa renda. Portanto, é preciso enfrentar setores do empresariado que chantageiam falando de crise para continuar ganhando com o rebaixamento de salários e a retirada de direitos", declarou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom/CUT), Waldemar Pires de Oliveira.

Conforme Waldemar, os Sindicatos estão unidos para fazer frente às tentativas de retrocesso, pois são os próprios empresários do setor que reconhecem haver excesso de procura de imóveis no mês de janeiro, com grande número de vendas e lançamentos. “Mesmo os mais pessimistas afirmam que não há horizonte de crise nem em 2009 e nem em 2010. Precisamos fazer a roda da economia girar para frente: mais salário, mais emprego, mais consumo. Daí a importância de garantirmos o maior aumento e as melhores cláusulas sociais possíveis , pois além de fazer justiça à categoria, abrimos condições para novas vitórias ao conjunto da classe ao elevarmos o patamar das conquistas", acrescentou o presidente da Conticom/CUT.

"Aprovamos em assembléia um indicativo de greve para o dia 16 de fevereiro. Se até lá o empresariado não apresentar uma proposta de recuperação dos salários, a paralisação vai estourar", alertou o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção de João Pessoa (Sintricom), Paulo Marcelo de Lima.

O sindicalista lembrou que a categoria reivindica 20% de reajuste para garantir a equivalência com Pernambuco, pois apesar do metro quadrado ser equivalente, o estado vizinho paga 20% a mais. Segundo Paulo, o dirigente da entidade patronal paraibana teve o desplante de declarar a um jornal local que embora a crise não afete o setor, não concorda com o aumento real reivindicado pelo Sindicato "por precaução". Posteriormente, diante da repercussão extremamente negativa nos canteiros de obras e na sociedade, o dirigente patronal recuou.

Conforme Paulo, "o mercado da construção está bastante aquecido, com vários lançamentos ocorrendo, e muitas obras públicas em andamento na região, como a duplicação da BR 101, que envolve mais de três mil operários; barragens e adutoras. Além disso, aprovada no PAC, vai sair a reforma do Porto de João Pessoa, com a contratação de cerca de mil trabalhadores. Isso tudo fez com que vários empresários tenham procurado o Sindicato e fechado acordo, posteriormente revisto por pressão da patronal.

"Sabemos que o empresariado da Paraíba não tem argumentos que justifiquem negar as reivindicações da categoria. O valor mínimo do metro quadrado aqui é equivalente ao de Pernambuco; a grande maioria das empresas pequenas já pagam, em carteira, salários equivalentes a R$ 600,00 e R$ 800,00 reais. Além do mais, o mercado da construção paga mensalmente por fora, aos profissionais, até 100% a mais do valor do piso registrado em carteira. Portanto, estamos exigindo que seja formalmente acordado e amparado nos âmbitos legais parte do que vem sendo praticado pelas empresas", explicou.

Contra a proposta do Sinduscon, limitada ao INPC (cerca de 7%), o Sindicato pressiona por 20%. "O momento é favorável, temos de endurecer", ressaltou Paulo. Nova rodada de negociação está marcada para a próxima segunda-feira (9).

LEONARDO SEVERO


Primeira Página

 

Página 2

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