FHC diz a “investidores” que país não
precisa de
submarino nuclear e nem de aviões para a FAB
Fernando Henrique Cardoso deixou o Hotel das
Cataratas, em Foz do Iguaçu, na manhã da segunda-feira (18) por volta das
oito horas da manhã, revelou o jornalista Laerte Braga. Junto com ele
viajaram alguns dos 150 negocistas estrangeiros que no fim de semana
participaram de uma reunião secreta organizada por Raphael Eck-mann, da
Tarpon Investimentos e por um diretor do grupo Globo, onde FHC garantiu aos
gringos a venda por Serra de estatais brasileiras (Banco do Brasil,
Petrobrás e Itaipu). Os demais participantes, em sua maioria, deixaram o
hotel na terça após o café da manhã.
A conversa oficial de FHC com os empresários
estrangeiros ocorreu na noite de domingo em um jantar cercado de toda a
segurança possível e fechado à imprensa. Apesar dos cuidados tomados pelos
assaltantes do patrimônio público, o encontro foi gravado e fotografado com
uma câmera de celular. Depois do jantar, FHC, em conversa informal com os
especuladores disse, entre outras coisas, que o “Aécio está domado. É só um
menino que acha que pode ser presidente por ser neto de Tancredo. É neto,
não é Tancredo”.
Para o ex-presidente, a privatização de Itaipu,
Banco do Brasil e Petrobrás “deve ser tratada com calma e paciência, vamos
ter que contornar algumas dificuldades com militares e é preciso ir
amaciando esse pessoal com calma”. Perguntado sobre as reações de
sindicatos, centrais sindicais, da população em geral contra a entrega da
Petrobrás, FHC afirmou que à época que privatizou a Vale do Rio Doce
enfrentou essas resistências “com polícia na rua e pronto”. “O brasileiro é
passivo, não vai lutar por muito tempo contra a força do governo”,
acrescentou.
FHC procurou afastar os receios dos
“investidores” em relação às pesquisas que indicam vitória expressiva de
Dilma Roussef no Nordeste. “Com o Aécio neutralizado, o Nordeste não
conseguirá derrotar São Paulo e Minas”. E acrescentou: “as coisas no Brasil
hoje não se decidem em Brasília, nem no Nordeste, mas em São Paulo. Lá está
a locomotiva, o resto da composição vem atrás sem poder contestar”. Para
FHC, “quando um brasileiro nasce já começa a sonhar com São Paulo. Não
precisam se preocupar com o resto do Brasil, muito menos com Minas Gerais.
Foi-se o tempo que os mineiros decidiam alguma coisa na política brasileira.
São Paulo hoje é a capital real do Brasil”.
Segundo o ex-presidente, “o Serra vai continuar
mantendo essa postura nos debates, ele sabe fazer bem esse jogo, e na última
semana a mídia vai aumentar o tom das denúncias contra Dilma. Temos o apoio
de alguns bispos e o povo brasileiro é muito influenciável em se tratando de
religião. O D. Luís está disposto a tudo, é nosso sem limites, é amigo
íntimo do Alckmin. A descoberta da gráfica foi um golpe de sorte do PT, um
vacilo da nossa segurança”.
Ainda segundo Laerte Braga, FHC assegurou aos
“big shots” norte-americanos que os acordos para compra de submarinos
nucleares franceses serão revistos e dificultados. “Não temos necessidade
desses submarinos”. Sobre a compra de aviões para a FAB, ele foi sarcástico:
“Para que? Meia dúzia de brigadeiros brincarem de guerra aérea?”. E sobre
bases militares norte-americanas no Brasil. “É o assunto mais delicado. Um
tema explosivo, mas temos alguns apoios nas forças armadas e vamos ter que
negociar esse assunto com muito tato”, completou.