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BC anuncia mais uma medida para conter
invasão de dólares atraídos pelo diferencial de juros
Depois de aumentar mais uma vez os juros na
última reunião do Copom e, com isso, seguir estimulando a enxurrada de
dólares por diversas formas para dentro do Brasil, o Banco Central anunciou
na sexta-feira (8) uma medida para reduzir - parcialmente - uma dessas
formas de entrada da moeda americana: as posições vendidas dos bancos. O BC
determinou que os bancos deverão recolher, sob a forma de depósito
compulsório, 60% sobre o valor da posição de câmbio vendida que exceder US$
1 bilhão. Antes o compulsório incidia sobre posição vendida maior que US$ 3
bilhões.
Com isso, o BC quer que a posição vendida dos
bancos no câmbio recue de US$ 14,7 bilhões para um valor próximo de US$ 10
bilhões. Medidas como essa, que aparentemente visam restringir a especulação
dos bancos que atuam no mercado futuro vendendo dólares, além de outras
tomadas anteriormente como a elevação do IOF para 6%, não tiveram e não têm
nenhum efeito sobre o câmbio. Pelo contrário, com os juros nos patamares
atuais - os mais altos do mundo - o Brasil continua atraindo especuladores
de todos os tipos e o dólar segue caindo.
A enxurrada da moeda americana se dá por várias
vias e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não toma qualquer providência
séria a respeito. De janeiro até o dia 1º de junho, o fluxo cambial teve um
saldo de US$ 39,029 bilhões, ante US$ 3,071 bilhões de igual período de
2010. A maior parte da entrada de dólares aconteceu pela chamada conta
financeira (investimentos estrangeiros diretos - IDE - e recursos para
aplicações financeiras) e há denúncias de que, para fugir do IOF, os dólares
entram na forma de IDE, mas vão parar mesmo é na especulação com títulos
públicos.
O governo dos EUA inunda o mundo e o Brasil com
trilhões de dólares com o objetivo de desvalorizar sua moeda e tentar sair
da crise desovando seus produtos, mas Mantega não toma nenhuma medida. Só
anuncia perfumarias como limitar o dólar vendido.
Como denunciou o economista que foi secretário
de Finanças na primeira administração do PT na capital paulista, Amir Khair,
“têm várias portas de escape usadas pelos especuladores internacionais.
Prova disso são as mega entradas artificiais de investimento direto de
estrangeiros (IED), que não são atingidos pelo IOF. Só a Selic a nível
internacional pode deter a avalanche de dólares”. Segundo ele, “o BC dá um
tiro no próprio pé ao elevar a Selic, pois com isso atrai mais ainda a
liquidez externa”.
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