Chanceler alemã pressiona Itália para agilizar cortes no
Orçamento
A chanceler alemã, Angela Merkel, pressionou na segunda-feira o governo da
Itália para aprovar o plano de cortes para que o país chegue em 2014 com um
orçamento “equilibrado”, próximo ao déficit zero. Merkel disse por telefone a
Berlusconi que a Itália precisa enviar “um sinal muito importante” ao aprovar um
plano de arrocho geral para garantir os bancos.
Com uma dívida equivalente a 120% do seu Produto Interno Bruto (PIB), a Itália é
depois da Grécia a economia mais endividada da zona do euro. Segundo o Banco
Central Europeu, o endividamento máximo permitido a um país-membro da zona do
euro é de 60% de seu PIB.
A “preocupação” da chanceler alemã com a dívida italiana expressa a ansiedade
dos banqueiros em arrochar o país com corte de 1,5 bilhão de euros neste ano;
5,5 bilhões em 2012 e 20 bilhões nos anos seguintes, totalizando 47 bilhões de
euros. Diante da conversa dos especuladores de que a Itália é “a bola da vez” as
ações do Unicredit Spa, o maior banco da Itália, desabaram quase 8%.
A chanceler Merkel garantiu que a Alemanha “e todos os parceiros europeus estão
absolutamente determinados a defender a estabilidade do euro”, mas que
Berlusconi tem que fazer a sua cota.
No mesmo dia, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, afirmou que “a
Itália está no caminho certo” e o plano de austeridade “é muito convincente”.
Mesmo assim, Schaeuble resolveu também dar uma força para “ajudar” o combalido
Berlusconi a se animar.
Diante disso, Guglielmo Epifani, o secretário geral da confederação sindical
CGIL, disse que as medidas de arrocho que Berlusconi quer aplicar são imposições
da Alemanha e “são injustas e infringem uma dor desproporcionada à classe
trabalhadora”. Epifani afirmou, ainda, que “os trabalhadores são um bloco social
a quem esse governo não pergunta o que se pode fazer para apoiar a solução da
crise do país”.
S.SANTOS
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