União Africana denuncia que “TPI persegue líderes africanos
e acoberta crimes de potências ocidentais”
A União Africana (UA), através de seu presidente Jean Ping, denunciou a política
discriminatória do autoproclamado Tribunal Penal Internacional (TPI) e conclamou
os governos dos 53 países-membros a ignorarem as acusações e o mandado de prisão
contra o líder líbio Muamar Kadafi emitidos por esse tribunal-farsa.
Reunida na Guiné-Bissau, a União Africana denunciou a política oportunista de
dois pesos e duas medidas que é a marca do TPI, “ao acusar somente lideranças
africanas, ignorando os crimes cometidos pelas potências imperialistas
ocidentais no Afeganistão, Iraque e Paquistão”.
“Essa Corte Penal Internacional nunca acusou ninguém que não fosse africano e
muitos a consideram um instrumento dos Estados Unidos”, destacou Jean Ping,
presidente da UA. A Entidade solicitou ainda à ONU que adote medidas com o fim
de anular o processo do tribunal de fachada contra o dirigente líbio.
A União Africana assinalou ainda que as acusações contra Kadafi dificultam os
esforços dos países africanos que negociam um cessar-fogo na Líbia. Ele também
denunciou que por duas vezes delegações africanas que tentaram levar ajuda
humanitária à população civil no país foram impedidas pelos “rebeldes” sem que
seus patrocinadores norte-americanos e europeus nada fizessem para impedir tal
absurdo.
“Sem dúvida, o Tribunal Penal Internacional é tão eurocêntrico em seus pontos de
vista sobre o mundo como são os governos em Paris, Londres e Washington”,
acrescentou Jean Ping. “Igualmente o é a Alta Comissária da ONU para os Diretos
Humanos”, Navi Pillay, completou Jean Ping.
JOSI SOUSA
|