VI Congresso da CGTB reúne 890 delegados de todo o Brasil em SP

Os sindicatos aprovaram por unanimidade as teses em defesa de mais salário e menos juros 

VI Congresso da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), realizado entre os dias 7 e 9 de julho, no Moinho Santo Antônio, em São Paulo, foi o mais importante e vibrante nos 25 anos de história de lutas da Central em defesa dos direitos dos trabalhadores e pelo desenvolvimento nacional. O evento contou com 890 delegados de 14 estados das mais diversas categorias. “Começa uma nova jornada, uma nova era na nossa Central. Que a gente lute até os últimos dias das nossas vidas para que nenhum pai ou mãe de família fique sem trabalho, que nenhum ser humano passe fome, para que nenhuma criança fique fora da escola. Para que seja realizado o sonho de Tiradentes e Getúlio Vargas. Para que a gente possa fazer o sol brilhar para todos, não só para meia dúzia de afortunados. Para que a gente possa tirar das trevas os milhões e milhões de trabalhadores que constroem esse Brasil. Para que esse povo maravilhoso tenha melhores condições de vida, com emprego, com salário, com a nossa pátria livre do capital financeiro internacional”, afirmou o presidente eleito, o metalúrgico Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira).

“Esse é um momento muito importante para nós. Ter essa diretoria, homens e mulheres dispostos a entregar tudo de si, de Norte a Sul do Brasil, para defender os seus trabalhadores, para poder respeitar e representar com grande dignidade esse povo. Confio em vocês todos, companheiros. Tenho certeza que vou aprender com vocês ainda mais”, disse o dirigente da CGTB.

“CGTB, a luta é pra valer”, “Eu já falei, vou repetir, quem é de luta está aqui”, e “Brava gente, brasileira, longe vá temor servil, ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil”, entoou o plenário, composto quase metade por mulheres. O trabalho desenvolvido pelas trabalhadoras se expressou na composição da Executiva, com nove integrantes. Anteriormente, havia só uma mulher na direção da CGTB. 

JUROS 

Com os lemas o “Estado promotor do desenvolvimento” e “Mais salário e menos juros”, os delegados debateram nos três dias as teses apresentadas pela Executiva Nacional – aprovadas na plenária final -, que nortearão a CGTB nos próximos quatro anos, como a luta pela redução das taxas de juros, controle do câmbio, fim dos leilões de blocos petrolíferos, Plano Nacional de Banda Larga comandado pela Telebrás, financiamento público apenas às empresas estatais e empresas privadas genuinamente nacionais, fim do fator previdenciário, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário, aprovação do projeto de lei negociado com as Centrais regulamentando a terceirização, entre outros temas.

Bira convocou todos os delegados a arregaçarem as mangas, uma vez que a equipe econômica do governo advoga uma política de arrocho salarial sob o falso pretexto de que aumento de salário gera inflação. “Salário não gera inflação. Aumento de salário fortalece o mercado interno e contribui para o desenvolvimento do Brasil”, ressaltou o presidente da CGTB.

Ele lembrou aos delegados a tentativa de golpe de alguns membros da executiva à CGTB, incluindo o ex-presidente Antonio Neto (v. matéria nesta página): “Tentaram dar um golpe na nossa Central para transformá-la em uma entidade amorfa e sem luta. Enquanto eles fizeram um convescote com meia dúzia de gatos pingados, quinta à noite, encerrando no dia seguinte pela manhã, nós realizamos três dias de discussão com quase 900 delegados, mesmo com toda sabotagem praticada pelo traidor”. 

VITÓRIA 

Reconduzido ao cargo, o secretário-geral da CGTB, Carlos Alberto Pereira, apresentou ao VI Congresso a proposta do Conselho Nacional de alteração do Estatuto, com mais cinco vice-presidências e novas secretarias: Serviço Público, 1ª e 2ª Secretaria da Mulher, da Juventude, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Saúde do Trabalhador, Comunicação, Promoção da Igualdade Racial, Assuntos Parlamentares, Assuntos Jurídicos, Mobilização, Patrimônio, Mercosul e Educação Sindical. Por proposição do plenário, foi aprovada a criação da Secretaria da Educação. “Esse é um Congresso de vitória, de orgulho, de moral, de honra. Nós temos muito mais a nossa cara do que tínhamos antes. Portanto, estamos muito mais em condição de crescer do que tínhamos antes, porque a cara da CGTB é a cara do companheiro Bira, uma das lideranças mais importantes do nosso país”, frisou Pereira.

Lindolfo dos Santos, foi reeleito secretário de finanças, apresentou o balanço das contas da CGTB, que já havia sido aprovado pelo Conselho Fiscal e referendado pelo Conselho Nacional, sendo submetido ao plenário do VI Congresso e aprovado por unanimidade.

No encerramento dos trabalhos, o presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), professor Eduardo de Oliveira, parabenizou a CGTB pelo empolgante congresso e cantou o Hino à Negritude, de sua autoria: “Nos meus 85 anos de vida, pude ser premiado neste instante, com esta assembleia maravilhosa da CGTB, mostrando que o Brasil é dos brasileiros e das brasileiras”.


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