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Santanna atribui saída da Telebrás à
resistência ao monopólio das teles
"Eu não sabia que um dos ajustes na Telebrás era a
minha demissão”, declarou Rogério Santanna sobre seu afastamento do comando
da estatal pelo ministro Paulo Bernardo, na terça-feira (31).
Santanna atribuiu sua substituição na presidência da estatal à sua
resistência em se submeter ao monopólio das teles. “À medida que o trabalho
do PNBL ia se aproximando dos interesses das empresas de telecomunicações do
Brasil, a minha relação com o ministro foi se deteriorando, acho que há uma
relação quase direta aí”, disse, após participar do início da reunião do
Conselho de Administração da Telebrás, que oficializou o nome de Caio
Bonilha na presidência, na quarta-feira (1º).
Rogério Santanna, que soube de seu afastamento
pela imprensa, disse que conviveu cinco anos com o ministro Paulo Bernardo,
no Planejamento, quando esteve à frente da Secretaria de Logística e
Tecnologia da Informação e não teve dificuldade. O idealizador do Programa
Nacional de Banda Larga acredita “ter provocado alguma insatisfação em
pessoas que enxergam no PNBL um projeto não satisfatório”.
O programa foi criado com o objetivo de
universalizar o acesso à banda larga e para isso o governo Lula reativou a
Telebrás em maio do ano passado para garantir uma banda larga veloz, barata
e de qualidade, ao contrário da banda larga das teles “cara, concentrada e
lenta”, como classificaram membros do governo.
Para Rogério Santanna, “a Telebrás hoje é uma
empresa estruturada, que contratou os principais itens para implantação do
plano num prazo muito curto, contratamos todos os principais editais e vamos
entregar as primeiras cidades agora em junho, apesar de não ter recurso
algum alocado e das enormes dificuldades para fazer os acordos com as
elétricas e a Petrobrás”.
Segundo ele, a falta de recursos foi um dos
fatores que impediu um maior avanço do PNBL. Da previsão orçamentária de R$
600 milhões em 2010 e de mais R$ 400 milhões para este ano “foi tudo
reduzido à metade”, disse. “Foram cortados R$ 316 milhões do ano passado e o
deste ano virou R$ 226 milhões, dos quais apenas R$ 50 milhões foram
descontingenciados”, declarou Santanna.
ACIONISTAS
Para o novo presidente da Telebrás, Caio
Bonilha, em relação às teles, Rogério Santanna “criou dicotomias”. “Minha
visão é diferente. Viemos para somar”, disse Bonilha.
Segundo ele, o foco agora são os acionistas da
empresa. “Nossos acionistas querem que comecemos uma operação comercial com
faturamento, com foco nos clientes, com foco em parceiras e é isso que vamos
fazer”. |