Indústria reduz ritmo em março

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) alertou para a deformação dos resultados da produção industrial, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira, pela “excessiva concentração” em certos setores industriais que esses números refletem. Segundo o IBGE, a indústria cresceu 0,5% no mês de março, na comparação com o mês anterior, uma desaceleração em relação ao crescimento registrado em fevereiro (2,0%). Em relação a março de 2010, houve uma queda de 2,1%.

De janeiro a março, a produção aumentou 1,3% em relação aos últimos três meses de 2010, e 2,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O Iedi pondera que “o resultado positivo da indústria em geral está refletindo o desempenho de alguns poucos segmentos da atividade industrial”.

O aumento no índice frente ao mesmo período de 2010 se deve à produção da indústria extrativa e à de veículos automotores. “Esses dois segmentos colaboraram com 0,75 ponto percentual e 1,06 p.p., respectivamente, na composição daquela taxa (2,3%)”, diz o Iedi.
Por outro lado, o dado de trimestre sobre trimestre está distorcido pela base de comparação baixa do último trimestre do ano passado, que registrou crescimento zero.

“A análise dos dados do IBGE permite dizer que a indústria mudou seu comportamento neste início de ano”, de queda e estagnação, respectivamente, no terceiro e quarto trimestres do ano passado, diz o documento. “Mas isso não significa que sua trajetória é acelerada ou mesmo robusta. As condições que fizeram a indústria brasileira patinar a partir do segundo trimestre de 2010 ainda estão postas”, advertiu sobre o crescimento das importações impulsionadas pelo câmbio que com “as novas apreciações do real” que ameaçam “substituir a produção nacional”.


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