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Número de latrocínios
registrados em SP é maior do que o divulgado oficialmente pelo governo do estado
Os dados sobre crimes de latrocínio na cidade de São Paulo
apresentados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo
no primeiro trimestre de 2011 foram menores do que os constatados nos registros
de delegacias do município.
Segundo a SSP, ocorreram 22 “roubos seguidos de morte” na
capital no 1º trimestre, contra 25 no 1º trimestre do ano passado. O que seria
uma redução de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. Entretanto,
reportagem do “Jornal da Tarde”, apurou que uma série de crimes ficaram de fora
da contabilidade oficial.
O “JT” verificou 25 casos de latrocínio no mesmo período
compreendido pela estatística oficial. Outra reportagem, dessa vez da “Folha de
S. Paulo”, registrou 29 casos. De acordo com os jornais, dos latrocínios que não
foram contados, a maior parte foi registrada apenas como “roubo”.
Os dados da SSP estão sob suspeição desde que a Associação
dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) revelou a manipulação
na estatística. Em agosto do ano passado, durante a gestão de Alberto Goldman
(PSDB), o governo do Estado anunciava uma diminuição nos índices de homicídio.
Na época, a Adpesp afirmou que “para a redução do número de
homicídios em São Paulo, boletins tem sido lavrados como ‘morte suspeita’ ou
‘lesão corporal seguida de morte’, mascarando os números da estatística
criminal”.
Certamente quem mora em São Paulo não percebeu a tal
“redução na criminalidade” indicada na estatística governamental. E, não fosse
suficiente a manipulação, na quarta-feira, em artigo, Marilda Pansonato
Pinheiro, presidente da Adpesp, denunciou a usurpação dos investimentos na
investigação dos crimes, feita pelo governo na Polícia Civil entre 2005 e 2010.
Nos últimos seis anos, “a Polícia Civil teve de se
conformar em receber 13% a menos (equivalente a R$ 65 milhões em investimentos),
segundo dados do sistema orçamentário fornecidos pela liderança do PT na
Assembleia”, diz a delegada no artigo.
“A fatia menor do orçamento, destinado à Civil, representa
claramente a atual falta de tecnologia, de pessoal, de viaturas, de prédios
próprios — já que a maioria é alugada ou emprestada por prefeituras — e de
investimento em inteligência policial. Este último sendo o mais grave de todos,
já que a atribuição de investigar, de elucidar crimes, é da Polícia Civil”,
argumenta.
Marilda Pansonato chama atenção também para os delegados de
Polícia de São Paulo, que “têm uma das piores remunerações do país. Atrás de
estados carentes como Piauí, Maranhão e Ceará”. |