Para empresários e centrais, PIB menor é resultado dos juros altos e do câmbio

Com o pífio desempenho da produção industrial em 2011, principalmente da indústria de transformação que ficou estagnada (0,1%), culminado com um pequeno crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,7% em 2011, empresários e trabalhadores apontam os juros altos e o câmbio sobrevalorizado com as principais causas desse resultado e lançam campanha em defesa da indústria e do emprego.

“Enquanto o PIB do Brasil cresceu 2,7%, o mundo deverá apresentar crescimento de 3,8%, apesar de a crise internacional não ter contagiado diretamente o Brasil. Portanto, o fraco desempenho do PIB não decorre da crise mundial, mas sim da adoção de uma equivocada política monetária no primeiro semestre de 2011”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), “PIB mostra indústria estagnada”. Entre os fatores apontados pela entidade pelo baixo desempenho do PIB foram “a permanência de taxa de juros elevadas em termos globais”.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, o PIB de 2011 evidencia o enfraquecimento da indústria de transformação. Ele disse que o afrouxamento da política monetária não foi suficiente para compensar os efeitos do câmbio adverso e que não se pode conformar com esse desempenho, pois outros setores que cresceram em 2010 também tiveram resultado em 2011. “Será que sobrou alguém que possa defender que não vivemos um processo de desindustrialização?”, questionou Barbato.

“A classe trabalhadora está cansada desta sucessão de erros de setores do governo. O PIB pífio, anunciado ontem [6], já é fruto nocivo dos juros altos. Estamos sofrendo com a desindustrialização e com o crescimento desenfreado das importações, que estão minando nossa produção, fechando empresas e causando desemprego”, frisou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho).

Já o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), declarou que “os responsáveis pelo fraco desempenho do PIB têm nome e sobrenome: Guido Mantega e Alexandre Tombini, com a política de juros siderais, aperto fiscal e corte dos investimentos. Não é possível uma política de crescimento com as maiores taxas de juros do mundo”.

“O resultado do PIB no ano passado e os últimos indicadores da produção industrial sinalizam e necessidade de mudanças substantivas na política econômica, com destaque para a redução dos juros a níveis civilizados”, sublinhou o presidente da CTB, Wagner Gomes.

Por sua vez, o presidente da UGT, Ricardo Patah, ressaltou que “os trabalhadores e a sociedade estão pagando a conta graças a timidez do Copom. O crescimento do PIB de 2,7% no ano passado não pode ser atribuído apenas a crise europeia, mas a falta de ação do Copom, que mantendo os juros altos favorece a especulação contra a produção e o consumo”.

Entidades de trabalhadores e empresarias lançaram o manifesto “Grito de alerta em defesa da produção e do emprego brasileiros” (ver pág.5). Conforme o documento, “juros altos, câmbio valorizado, guerra fiscal favorecendo as importações, entre outros fatores, incentivam artificialmente a entrada de produtos importados, fazendo com que a indústria pouco contribuísse para o crescimento do PIB em 2011”.


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