Brasil afasta-se dos Brics e vota contra a Síria na ONU (4)BETO ALMEIDA (*) Manifestações populares defendem posição da Rússia e da China Que significado terá para o Itamaraty a gigantesca manifestação popular em Damasco para receber o Chanceler russo, Sergei Lavrov, e agradecer a posição da Rússia e da China contra qualquer intervenção militar na Síria? Não estará a própria Rússia saindo de uma fase de hipnose de anos que, baseada na insustentável credulidade em torno dos acordos de redução de arsenais firmados com os EUA, levou-a, de fato, apenas a um desarmamento unilateral enquanto os orçamentos militares norte-americanos multiplicam-se e já suplantam os orçamentos militares de todos os países do mundo somados? Que significa para o Itamaraty a contundente declaração do Primeiro Ministro da China, Hu Jin Tão, propondo uma aliança militar sino-russa, após advertir que os EUA “só entendem a linguagem da força”? Enquanto o Brasil vota com os países intervencionistas contra a Síria, a Inglaterra eleva sua presença militar nuclear no Atlântico Sul e os organismos militares brasileiros, como já tinham detectado durante a guerra das Malvinas nos anos 80, percebem que não há suficiente e adequada capacidade de defesa nacional para as riquezas do pré-sal. Naquela época, embora posicionando-se pela neutralidade, o Brasil assumiu uma posição de neutralidade imperfeita que não o impediu de dar ajuda logística e de material de reposição militar à Argentina em sua guerra contra o imperialismo inglês, ocasião em que Cuba também ofereceu tropas ao governo portenho para lutar contra a Inglaterra. Compare-se com a posição atual no caso sírio. Será que é motivo de preocupação concreta para o Itamaraty, tendo como base o princípio sustentado pelo Brasil, de que quantidades indeterminadas de aviões drones dos EUA vasculham o território sírio, como anunciam autoridades norte-americanas, violando, portanto, sua soberania? Esta ingerência externa não merece posicionamento formal do Brasil na ONU? Mas, na rasteira filosofia dos dois pesos e duas medidas, o Brasil vota em aliança com os países intervencionistas para intimidar o Irã em matéria de direitos humanos, mesmo quando a presidenta Dilma anuncia que todos têm telhado de vidro e que a discussão sobre os direitos humanos deve iniciar-se pela sistemática câmara de torturas que os EUA mantém na base de Guantânamo. Será que as palavras de Dilma não são ouvidas no Itaramaty? O governo do Líbano já está adotando posições políticas, que incluem manobras militares, para evitar que suas fronteiras com a Síria sejam utilizadas pelas nações que estão patrocinando o armamento e a infiltração de mercenários, com o apoio ostensivo de países intervencionistas, com o objetivo de derrubar o governo de Damasco. O mesmo está ocorrendo na Turquia, inclusive, com a ocorrência de uma grande manifestação popular em cidade turca fronteiriça à Síria, em apoio ao governo de Damasco. Em Curitiba, a Igreja Ortodoxa realizou Missa de Ação de Graças, organizada pelas comunidade sírio-libanesa e palestina, em agradecimento à Rússia e a China, gesto parecido ao ocorrido em Brasília, quando a mesma comunidade levou flores e agradecimento à embaixada da Rússia no Brasil. Partidos e sindicatos É importante que os partidos e sindicatos, sobretudo a aliança dos partidos progressistas e antiimperialistas que sustentam o governo Dilma, discutam atentamente as sombrias involuções da política do Itamaraty. Os militares brasileiros, certamente, já estão discutindo em seus organismos de estudo e planejamento, como indica a quantidade de textos e participações de autoridades militares brasileiras em audiências públicas e em publicações especializadas, sobretudo a partir da sinistra mensagem da Líbia. Enquanto o Brasil é alvo de uma guerra cambial desindustrilizadora, como advertem membros do governo, enquanto especialistas militares advertem para o período de nosso desarmamento unilateral frente a nossas gigantescas e cobiçadas riquezas naturais, observa-se, enigmaticamente, um reposicionamento do Itaramaty distanciando-se não apenas dos princípios e posturas aplicadas mais acentuadamente durante o governo Lula, mas, distanciando-se também do conjunto de países com os quais vem construindo uma linha de cooperação para escapar dos efeitos da crise que as nações imperialistas tentam descarregar sobre a periferia do mundo. E aproximando-se dos sinais e valores impregnados nos discursos e atos da sinistra Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, aquela que comemorou com uma gargalhada hienística quando viu as imagens de Muamar Kadafi sendo sodomizado e executado graças a informações prestadas pelos comandos militares dos EUA, conforme denunciou Vladimir Putin. Ponto alto da campanha eleitoral de Dilma Roussef foi a declaração de Chico Buarque em defesa de sua candidatura porque com Lula e Dilma, disse ele, “o Brasil não fala fino com os EUA e não fala grosso com a Bolívia”. O que explicaria então esta enigmática e contraditória aproximação do Itamaraty com as posturas ingerencistas de Hillary Clinton com relação à Síria e ao Irã? Seria afastamento em relação à genial síntese feita pelo poeta e revolucionário Chico Buarque? (*) Membro da Junta Diretiva da Telesur
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Capa
Página 2
PIB de 2,7%
nada teve a ver com a crise dos países imperialistas
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Para empresários e centrais, PIB menor é resultado dos juros altos e do câmbio Com Selic a 9,75%, diferencial de juros estimula “tsunami monetário” Produção industrial do país inicia 2012 com queda de 2,1% ERRATA Expediente Demóstenes é amigo do peito de contraventor, descobre PF Ministra Cármen Lúcia será a primeira mulher a presidir o TSE Para pré-candidatos, pesquisa Datafolha não apresenta quadro eleitoral consolidado em SP O primo mais esperto de José Serra (III) Brasil afasta-se dos Brics e vota contra a Síria na ONU (4) Emenda aprovada na CCJ do Senado volta a permitir filiação a partido novo sem perder mandato Página 4Caminhoneiros param São Paulo contra proibição de circulação 58,4% dos que se formam no ensino médio em SP não possuem conhecimentos básicos de matemática Anfip inicia mobilização no Senado contra a privatização da previdência Projeto de Lei criminaliza exigência de cheque caução em hospitais privados Governo só liberou 30 vistos para haitianos entrarem no país durante o mês de fevereiro Entidades cobram em manifesto ação contra desmonte da indústria Centrais e estudantes tomam as ruas de São Paulo, Brasília e Porto Alegre por menos juros Servidores criticam discurso de “austeridade fiscal” do governo durante a retomada das negociações Trabalhadores da Celpa param contra a falta de pagamento
França tem 385 fábricas a
menos do que em 2009, no início da crise
França: trabalhadores bloqueiam a entrada de metalúrgica que ameaça fechar unidade e demitir
Governo sírio reconstrói
escola e hospital destruídos pelos sabotadores em Homs “Rússia não permitirá que abram caminho na ONU para intervir na Síria”, afirmou Putin Chanceler russo denuncia campo de treinamento de mercenários na Líbia para agredir a Síriaa Posições assumidas e não a fraude levaram Putin a vitória Página 7
Procurador-geral acha legítimo que Obama ordene
execuções sumárias Guerrilha afegã explode um blindado e mata 6 ingleses Página 8 |