Caminhoneiros param São Paulo contra proibição de circulação

Determinação arbitrária de Gilberto Kassab impede caminhões-tanque de trafegarem na Marginal Tietê

A intransigência da Prefeitura na proibição da circulação de caminhões nas principais vias da cidade de São Paulo (dentre elas a Marginal Tietê), culminou com a greve dos caminhoneiros que realizam o transporte de combustível na capital, nesta semana. Com a restrição nos horários que passou a valer na última segunda-feira (05), os caminhões tanque ficaram impedidos de realizar o abastecimento dos postos na grande São Paulo durante todo o dia.

Os caminhões, que já são impedidos de circular nas principais avenidas da cidade, não podem agora transitar pela marginal Tietê, via mais movimentada da capital, na parte da manhã, das 5h às 9h e na parte da noite, entre as 17h e 22h. Aos sábados a proibição é entre as 10h e 14h.

A greve foi iniciada pelos caminhoneiros após a recusa, por parte do prefeito, Gilberto Kassab, em negociar uma solução. A categoria pede liberação do horário da manhã para a realização do abastecimento dos mais de 2 mil postos de gasolina da cidade.

Segundo o Sindicam-SP (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo), hoje são 255 mil caminhoneiros autônomos no estado, sendo 54 mil deles, na capital. A proibição afeta diretamente os transportadores de combustível já que eles são impedidos de circular entre as distribuidoras, que se localizam no Ipiranga e Mooca, e na Grande São Paulo em Barueri, Guarulhos, São Caetano e Mauá, e os postos de gasolina.

“Acabou com a nossa vida. Não teremos mais tempo para ficar com a família”, assim resume José Carlos Moraes, caminhoneiro que presta serviço a uma transportadora contratada pela Petrobras.

“O motorista autônomo não se mantém fazendo uma viagem. Se fizer, passa fome. Não paga o custo operacional do trabalho”, afirma Moraes. Segundo ele, os autônomos, em geral, prestam serviço, como pessoa física ou jurídica, a empresas de transporte que atendem as grandes distribuidoras. Seus rendimentos dependem do número de entregas que fizer. Segundo os caminhoneiros, caso não utilizem a Marginal Tietê, eles têm que rodar de 50 a 60 quilômetros em cada viagem. Eles apontam que não será possível carregar e descarregar mais de uma vez por jornada.

“Vamos ter que acordar às 4h, para chegar às 5h na base e carregar o caminhão. Depois, esperar dar 9h, ir para a rua e distribuir. Se a gente for pegar a marginal e estiver perto do horário da restrição, temos que encostar em algum lugar e esperar dar 22h para voltar para casa”, reclama Moraes.

“É muita correria. Vai aumentar a cobrança da transportadora, da base. Não vai dar para descansar. Não vamos dormir nem 4h por dia. Vai ser uma mão no volante e outra segurando o olho”, diz Fernando Vaz Oliveira.

A paralisação de três dias gerou uma escassez de combustível em toda a Grande São Paulo. Filas gigantescas se formaram nos postos e na quarta-feira, 90% dos postos da capital não possuíam mais combustível. Nove gerentes de postos foram presos por cobrar cerca de R$ 5 no litro de gasolina.

A greve só foi encerrada após a Justiça de São Paulo ter estipulado uma multa de R$ 1 milhão contra os trabalhadores em greve.

A crise poderia ter sido impedida não fosse a arbitrariedade de Kassab, que se nega a negociar com os trabalhadores e parece que não se preocupa com o serviços essencial à cidade.

Na noite de terça-feira, o prefeito chamou os caminhoneiros de “chantagistas” e que ele não cederia à chantagem. “Quem cede uma vez diante de uma chantagem, cederá sempre”, disse em entrevista.


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