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Trabalhadores
da Celpa param contra a falta de pagamento
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
determinou nesta terça-feira um prazo de 60 dias para que a empresa Centrais
Elétricas do Pará (Celpa) apresente um plano para correção de falhas na
qualidade dos serviços prestados pela distribuidora em todo o estado do Pará.
A área de fiscalização da Aneel detectou que, em
2011, os consumidores da Celpa ficaram, em média, 106 horas sem energia.
Atualmente, a empresa encontra-se à beira da falência, sem pagar seus
trabalhadores e com pedido de recuperação judicial em andamento.
Denunciando que tal situação é fruto do processo
da privatização da empresa, em 1998, os eletricitários realizaram uma greve de
48 horas na última segunda e terça-feira. Os funcionários relatam que falta o
pagamento da 38ª parcela do acordo judicial do Plano de Cargos, Carreiras e
Salários (PCCS). A federalização da Celpa também é pauta de reivindicação dos
trabalhadores.
Conforme o relator do processo, o diretor da
Aneel André Pepitone, a intimação a empresa é a primeira etapa do processo que a
Aneel poderá abrir para determinar a caducidade da concessão da distribuidora. A
decisão de hoje não afasta a possibilidade de uma intervenção federal na Celpa,
que ainda está sendo analisada pela Aneel.
A Agência também negou o pedido de revisão
tarifária extraordinária na ordem de 20,14%, feito pela Celpa. Para tentar
justificar o pedido, a empresa alegou que está em desequilíbrio
econômico-financeiro motivado pelos resultados das duas últimas revisões
tarifárias determinadas pela agência.
“Logo no início da privatização mais de dois mil
trabalhadores foram demitidos criando um processo de sucateamento da Celpa,
precarização das relações de trabalho que geraram diversos acidentes. O Grupo
Rede [que controla a Celpa] repassou mais de R$ 600 milhões para outras regiões
enquanto que o Pará continua amargando anos sem investimentos”, afirmou
presidente do Sindicato dos Urbanitários do Pará, Ronaldo Romeiro. “A solução
mais viável e o que nós reivindicamos é que a haja um processo de federalização,
com o controle passando para a Eletrobrás que é detentora de 34,5% de suas
ações”, completou. |