Trabalhadora rural é assassinada após denunciar madeireiros em RO

A morte da trabalhadora rural Dinhana Nink, esta sendo investigada pela Polícia Civil de Rondônia. Ela foi assassinada no último dia 31, com um tiro no peito ao lado de seu filho de 6 anos. Em nota, a CPT informou que a trabalhadora vinha sofrendo ameaças e recentemente teve a casa no acampamento Ramal Mendes Júnior incendiada. A cidade onde ocorreu o assassinato, diz a nota, fica na Ponta do Abunã, por onde entram madeiras extraídas e griladas ilegalmente em Amazonas.

Dinhana estava de mudança de Nova Califórnia para Lábrea (AM), cidade natal da vítima e onde os três filhos, o pai e o marido moram.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) informou que Dinhana estava em uma lista de pessoas ameaçadas de morte por grileiros de terra de Lábrea e foi seguida por dois motociclistas dias antes de morrer.

Segundo a Comissão, a dupla acompanhou a rotina de Dinhana até ser morta por pelo menos um homem, que invadiu a casa dela enquanto ela e o filho se preparavam para dormir.

Francisneide Lourenço, coordenadora da CPT do Amazonas, disse que Dinhana havia sofrido uma agressão física em novembro de 2011. O caso foi registrado na Delegacia de Extrema, em Porto Velho. À época, ela vivia no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Gedeão, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O imóvel foi queimado pelos agressores.

O pai da trabalhadora rural, Ermelindo Nink, afirmou que o motivo da morte da trabalhadora foram as denuncias realizadas contra os madeireiros. “Minha filha tinha feito algumas denúncias, ela ajudava muito o pessoal da pastoral no Amazonas”, afirmou.

Ele criticou ainda a impunidade que ocorre naquela região. “Ninguém faz nada lá. As autoridades não resolvem nada. É muito desmando por parte das autoridades do Amazonas. Há muito interesse nas terras daquela região. Tudo gente graúda”, disse o pai da vítima.

No ano passado, o governo federal anunciou medidas de proteção em áreas de conflito agrário no Norte do País após a morte de quatro líderes rurais. O caso de maior repercussão foi o assassinato do casal extrativista Maria do Espírito Santo e José Cláudio Ribeiro da Silva, mortos no sudeste do Pará.

Em maio do ano passado, o governo afirmou que um grupo interministerial iria acompanhar as investigações e definir a atuação de cada órgão do governo no combate à criminalidade no campo.

Em entrevista, o sargento Fábio Cabral de Lima, do posto de Nova Califórnia, disse ter recebido mais de 20 registros de ameaças de morte da área do assentamento Gedeão só no último ano. “Nós estamos de mãos atadas em relação a tudo que acontece lá porque não é jurisdição de Rondônia”, disse.

“Esse grupo manda na região. Eles cometem crimes, perseguem e difamam quem os denuncia”, diz Neide Lourenço, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra do Amazonas. “Enquanto o Estado não se fizer presente e colocar um posto policial, o crime vai continuar ditando a ordem”.


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