Reação do governo de Israel a Grass é tentativa inútil de esconder o caráter nazista de seu regime

O jornal israelense, Haaretz, acertou, em seu editorial, ao qualificar de “histérica” a reação do regime israelense, que declarou o escritor Gunder Grass (prêmio Nobel de Literatura e um dos principais escritores alemães sobre o período do predomínio nazista em seu país) de “persona non grata” pelo fato deste ter afirmado que as ogivas nuclerares de Israel ameaçam a paz mudial.
 

O fato é que um regime que pratica terrorismo de Estado ao agredir diariamente um povo inteiro, o povo palestino, que na verdade busca realizar um verdadeiro genocídio sobre este povo, realizando assalto estatal a suas terras, assassinatos seletivos sobre os líderes da resistência à ocupação, prisão de milhares de líderes deste povo (uma grande parte sem sequer o direito a julgamento), que prende e tortura crianças, que volta e meia lança toneladas de bombas sobre os palestinos em Gaza e em outros momentos fez o mesmo no Líbano, cujo ministro do Exterior, continua no governo mesmo após haver afirmado que a “solução” para Gaza seria “fazer como em Hiroshima”, que instigou a agressão ao Iraque e agora ao Irã, é demasiadamente insano, criminoso e desumano para poder estocar 200 ogivas nucleares em seus porões.
 

Ao reagir da forma como reagiu, através de decisão de seu Ministério do Interior, que não poderia responder desta forma a um autor consagrado, por ter escrito um poema criticando o regime, o governo israelense, ao invés de isolar o escritor, isolou mais ainda a si próprio, revelando seu caráter fascista e, portanto, além de agressor dos povos vizinhos, antidemocrático. Neste caso além de agredir seu povo, como faz através de seu regime de apartheid, agrediu a todos os povos ao atacar desta forma um escritor que, ao expor as entranhas do nazismo se tornou patrimônio de toda a humanidade e que agora aprofundou sua relação com todos os seres, ao ter a coragem de expor o nazismo de Israel.
 

Cai no vazio a crítica israelense a Grass por ele ter, quando jovem de 17 anos, sob a histeria hitlerista, tomado parte nas SS. Uma falta revelada pelo escritor e reparada pelo próprio em seu meticuloso trabalho. Na verdade, o governo de Israel tenta – ao desqualificar injustamente a Grass – esconder o nazismo que pratica hoje, invalidar uma crítica já percebida por inúmeras pessoas em todo o mundo, mas que ao contrário do escritor ainda preferem permanecer em silêncio, coisa que Grass percebeu não ser mais possível diante do risco a toda a humanidade e que o levou a intitular o seu poema: “O que precisa ser dito”.
 

De nada adianta o regime segregacionista de Israel tentar silenciar os seus críticos. O testemunho, até mesmo das pedras, de Dir Yassin, Kfar Qassem, Gaza, Sabra, Shatila, Kibyia, Qana, Safsat e Ilabun – entre inúmeros outros massacres - é por demais eloquente.

 

NATHANIEL BRAIA


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