Os EUA excluíram 2,31 milhões de trabalhadores da força de
trabalho ativa entre março de 2011 e março de 2012, anunciou o Bureau de
Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho. Mesmo período em que o
desemprego oficial do mesmo órgão “baixou” de 8,8% para 8,2%.
Assim, em grande parte a redução aferida no desemprego só
existe porque um número cada vez maior de norte-americanos se sente tão
desesperançado que não consegue mais procurar emprego e é considerado em seguida
como “não na força de trabalho”. Em março de 2011, os “não na força de trabalho”
eram 85.977.000, número que subiu para 88.288.000 um ano depois.
Os números de março de 2012 também foram decepcionantes, com
a metade da geração de empregos de fevereiro. Respectivamente, 120 mil e 240
mil. A expectativa era de aumento de 203 mil vagas. Foi a primeira vez desde
novembro de 2011 que o total de empregos criados ficou abaixo de 200 mil.
Graças à exclusão de trabalhadores da força de trabalho
ativa, a taxa de desemprego voltou a cair, ligeiramente, de 8,3% em fevereiro,
para 8,2% em março. Na medida ampla do desemprego do Bureau, que inclui o
desemprego oficial, mais os “marginalmente ligados à força de trabalho”
(desesperançados), mais os de tempo parcial (bicos), este atingiu 15,6% da força
de trabalho civil em fevereiro de 2012 e 14,8% em março.
Mas o resultado de 120 mil vagas criadas em março de 2012
pode ser muito pior na verdade, como esclarece o “New York Times”: “Tenha em
mente que a margem de erro em todos esses números é muito grande. O número
anunciado para empregos criados é sempre mais ou menos 100.000 empregos,
significando que o ganho de 120.000 não é de fato estatisticamente significativo
de 220.000 (ou 20.000). Portanto, na hipótese “pessimista” da margem de erro, só
teriam sido criados 20.000 empregos. Não parece haver muita gente adepta da
hipótese “otimista”.