“Ocupem Wall Street” convoca protestos contra sistema financeiro no 1º de Maio

 O movimento "Ocupem Wall Street" (OWS) está convocando, “de costa a costa dos Estados Unidos”, protestos “contra o sistema financeiro e as grandes corporações”, para o 1º de Maio. Nesta data, em todo o mundo – menos no país onde foram assassinados dez operários em Chicago, no ano de 1886 – se comemora o Dia do Trabalhador.

No “dia sem 99%”, o movimento que congrega entidades sindicais, de trabalhadores desempregados, jovens universitários, mulheres, idosos, negros, latinos e veteranos de guerra, entre outros grupos sociais, conclama o povo norte-americano a não ir ao trabalho e à escola, à não ir às compras, nem limpar casas ou realizar operações bancárias. Mas o mais importante é “tomar a rua”, destaca o texto publicado no www.occupywallst.org.

“Os delitos que se cometeram em Wall Street nos trouxeram aqui e continuaremos levando a mensagem e fazendo tangível o conflito civil”, sublinha o documento, que convoca a população a participar das marchas ao longo de toda a nação contra os abusos e desmandos praticados pelos 1% mais ricos do país.

Com apoio do OWS, uma coalizão de sindicatos e grupos de trabalhadores de justiça também deve marchar na mesma data em Nova Iorque, cidade onde o movimento surgiu em 17 de setembro de 2011. Como parte da preparação do Dia Internacional dos Trabalhadores, membros do Ocupar estão realizando todas as sextas-feiras, desde 16 de março, “marchas de treinamento de primavera”, da Praça da Liberdade até Wall Street, símbolo do poder financeiro.

O agravamento da crise econômica, potencializada pelo rombo no Orçamento provocado por duas guerras (Iraque e Afeganistão), a elevação das taxas de desemprego e a bancarrota do mercado imobiliário, com a expulsão de centenas de milhares de pessoas de suas moradias, tem aumentado o tom e o volume das críticas ao governo de Barack Obama.

Há pouco tempo, durante uma convenção em Saint Louis, no estado de Missouri, ativistas do OWS comemoraram os primeiros seis meses de ocupação de ruas e espaços públicos, ao mesmo tempo em que debateram como desenvolver novas ações nos próximos meses. O ativista Rachael Perrotta declarou que o encontro serviu para compartilhar experiências e criar uma infraestrutura de comunicações em rede para romper com o cerco desinformativo da grande mídia, levando o movimento a um novo patamar.

LEONARDO SEVERO

 


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