Wells Fargo é cercado em SF contra os despejos de mutuários

Banco, que é o maior executor de mutuários
nos EUA, ‘socorrido’ com dinheiro do Fed, pagou
US$ 72 milhões a seus executivos em 2011

Centenas de manifestantes cercaram a sede do banco Wells Fargo, em San Francisco, dia 25, para exigir o fim das execuções de casas de mutuários enquanto os diretores (CEOs) faturam milhões por ano e bônus que lhes valerão milhões na aposentadoria. O ato foi durante a assembleia dos acionistas.

Wells Fargo, o banco que mais concentra títulos de hipoteca nos EUA açambarcou o Wachovia (um dos maiores detentores de contas de correntistas/pessoa física) na mesma semana em que recebeu 25 bilhões de dólares a título de ‘resgate’ e pagou só pela aquisição US$ 12,7 bilhões, dizendo que o fez "com dinheiro próprio". Ora, se tinha essa dinheirama em caixa, como precisou de "resgate" – Bailout - para não afundar dentro dos arrolados "too big too fail"?

O total da conta de Bailout creditada oficialmente ao banco foi de US$ 36,9 bilhões. Mas o Sindicato Internacional de Trabalhadores em Serviços (SEIU, sigla em inglês) declara que houve um total de 8 trilhões de dinheiro repassado do Fed aos bancos a título de Bailout, Quantitative Easing, garantias de compras de títulos podres e outras formas chamadas de "programas de emergência" (enquanto para os programas e obras públicas a receita era o corte), que não se pode triar quanto realmente foi parar na mão do Wells Fargo, mas é bem mais do que o oficialmente declarado.

No ano de 2008, o Wells Fargo detinha US$ 48 bilhões em subprimes; declarou lucro de US$ 2,8 bilhões, mas distribuiu US$ 13 bilhões a título de "compensações" e outros US$ 997 milhões em "bônus" aos diretores.

Agora, hipotecas viram em grande parte casas retomadas pelos bancos. Só o Wells Fargo declarou, em 2011, possuir o equivalente a US$ 22,5 bilhões em casas executadas.

Os manifestantes entoavam "Wells Fargo, you can’t hide, we can see your greedy side!" (Wells Fargo não adianta se esconder sua ganância não deixa de aparecer) e "Somos os 99%".

Entre os manifestantes havia pequenos acionistas solidários ao ato, como Ruth Schultz, que conseguiram entrar na assembleia. Eles interrompiam o pronunciamento do CEO, John Stumpf, com vaias e palavras de ordem até que foram cercados por policiais que os algemaram e retiraram do recinto.

Outros vieram de longe, como Alice Pangburn, de Salem, Oregon, que viajou 12 horas de ônibus pois acredita que os atos contra os banqueiros "são decisivos para por fim a essa injustiça social".

Além de agredir, com suas atividades predatórias o conjunto dos americanos, houve a repulsiva prática dos "gueto loans" (empréstimos concedidos a moradores dos bairros negros e latinos). Pesquisas de organizações como o Center For American Progress (CAP) dão conta de que 47,3% dos negros que solicitaram hipotecas pagaram juros mais elevados que a média; 26,0% dos latinos e no caso dos brancos, 16,7%.

Apesar da promotoria da cidade de Baltimore ter acatado denúncias de que os moradores dos bairros negros pagavam "juros injustamente mais elevados", até agora o banco não foi condenado.

O Wells Fargo também foi processado pela NAACP (Associação Nacional pelo Avanço das Pessoas de Cor) que o denuncia por "racismo sistemático e institucionalizado".

O porta-voz do banco, Rubem Pulido, disse que os manifestantes estavam equivocados e que o Wells Fargo é "um cidadão corporativo responsável" e que "realiza esforços para manter as pessoas em suas casas".

Os números atestam o contrário. Dos 292.515 mutuários, que apesar de toda a burocracia instituída pelo governo e pelos próprios bancos, pediram revisão das hipotecas no programa "Tornando o Lar Pagável" de Obama (que colocou a decisão de renegociar na mão dos bancos) o banco só resolveu considerar 11%. Ou seja indeferiu, de cara, 89% dos pedidos.

Resultado desses "esforços": segundo o Bank of America "6,6 milhões de casas terão que ser tomadas nos próximos 5 anos". Já Laurie Goodman, da Amherst Securities disse no Congresso dos EUA que esses números chegam a algo na faixa entre 8,3 milhões e 10,4 milhões.


Capa
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A campanha dos bancos para saquear a poupança

Rombo externo é coberto com desnacionalização

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Expediente

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Surgem gravações com propina de Carlos Cachoeira para Perillo

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Expediente

Página 4

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Senado aprova alíquota única para ICMS de importados e põe fim à guerra dos portos

Relator do STF dá parecer favorável às cotas raciais

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CARTAS

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Wells Fargo é cercado em SF contra os despejos de mutuários

Detido o bando armado que tentava infiltrar-se na Síria a partir da Turquia

Orgiagate 2: Marines perpetram agressão a prostituta em Brasília

Dezenas de milhares de estudantes nas ruas de Santiago para tirar educação da mão dos bancos

Senado da Argentina aprova por 63 a 3 renacionalização da YPF

Equivocam-se de novo

 

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Daniel Olesker - Crescimento e distribuição de renda: a Frente Ampla no governo do Uruguai