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Tributo à Cabeça Filho EMERSON LEAL* Nesta última quinta-feira, dia 26 de abril, faleceu Antonio Cabeça Filho, cuja trajetória de vida e de luta em defesa dos interesses dos trabalhadores são-carlenses e do Brasil foi longa e combativa – digna de um verdadeiro líder dos trabalhadores. Cabeça Filho foi um sindicalista militante: fundou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté em 1961, e foi seu presidente por vários anos. Deu também contribuições significativas na organização de vários sindicatos, inclusive em Matão e Ibitinga. Importante registrar também sua atuação como político. Foi vereador por vários mandatos, presidente da Câmara Municipal de São Carlos e candidato a prefeito por duas vezes – em 1976, pelo MDB, e em 1982 pelo PMDB. Cabeça Filho presidiu por vários anos o MDB, único partido de oposição no período do bipartidarismo que vigorou durante os anos de arbítrio da ditadura militar. Por ter liderado, no final dos anos 60, o movimento grevista e de protesto dos trabalhadores do antigo Frigorífico São Carlos do Pinhal, que havia quatro meses não recebiam seu salário, foi preso e conduzido ao DOPS de São Paulo – onde foi torturado – e, depois, ao DOI-CODI do IIº Exército. Por esta razão, Cabeça Filho teve reconhecida em 2010 sua condição de “anistiado político” por sentença da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Nos anos de chumbo do final da década de 1970, Cabeça Filho organizou em São Carlos a primeira reunião e a primeira passeata realizadas no Brasil em defesa da anistia para os exilados políticos – aprovada pelo Congresso Nacional em novembro de 1979. Naqueles dias foi elaborado, também em nosso município, o primeiro cartaz exigindo anistia aos perseguidos pela ditadura. Cabeça Filho esteve, como importante líder sindical brasileiro, em vários países do mundo participando de fóruns internacionais de trabalhadores, batalhando pela emancipação da classe operária. Antonio Cabeça Filho foi um dos fundadores do Partido Pátria Livre (PPL) em 21 de abril de 2009. Destacou-se como dirigente da agremiação tendo participado, até o final de sua vida, da sua direção nacional. É importante registrar que, quando o convidamos para ingressar no PPL, disse: “Já tinha decidido encerrar minha carreira política. Mas, vindo de vocês o convite, hei de encontrar forças para dar minha contribuição à construção do PPL”. Durante os três dias de intensa discussão na Capital paulista para a formulação dos estatutos e do Programa do PPL, Cabeça Filho esteve firme conosco discutindo e fazendo propostas para a criação de um partido que tem como sua principal bandeira de luta a defesa da soberania nacional, do nosso mercado interno, da empresa nacional, dos interesses dos trabalhadores e de todo o povo brasileiro. Ano Passado o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Carlos completou 50 anos de fundação. Agora, que este grande líder dos trabalhadores – e por quem o ex-presidente Lula tinha um carinho especial – teve de partir para sempre, nada mais justo que seja dado à sede do Sindicato dos Metalúrgicos o nome de Antonio Cabeça Filho. Seria um reconhecimento pela sua luta e uma homenagem mais do que justa. *Doutor em Física Atômica e Molecular e vice-prefeito de São Carlos. |
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