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Evo comemora 1º de Maio com nacionalização de distribuidora Apesar da distribuição de energia estar em mãos privadas, governo investiu uma média de US$ 37 milhões/ano para realizá-la, enquanto que a multinacional dedicou somente US$ 5 milhões/ano D urante a comemoração do 1º de Maio, o presidente Evo Morales anunciou a nacionalização da Transportadora de Eletricidade (TDE) do grupo multinacional Rede Elétrica da Espanha, que controlava 74% do mercado boliviano, e ordenou a ocupação das instalações da empresa de distribuição para iniciar a nova administração. A decisão completa a recuperação da indústria elétrica que até a década passada estava sob controle do Estado.A TDE será administrada pela estatal Empresa Nacional de Eletricidade. No 1º de maio de 2010 Evo já tinha nacionalizado as quatro maiores hidrelétricas. "Estamos nacionalizando a Transportadora de Eletricidade em nome do povo boliviano, e como justa homenagem aos trabalhadores que lutaram pela recuperação dos recursos naturais e dos serviços básicos", afirmou Morales em ato do Dia do Trabalho no Palácio de Governo. "Nós vamos investir 227 milhões de dólares na recuperação do serviço elétrico. Nos últimos anos outros se aproveitaram dos nossos recursos sem nenhum retorno. Por isso, irmãos e irmãs, decidimos nacionalizar a empresa distribuidora de eletricidade", assinalou o presidente na presença dos ministros de seu governo, chefes militares, comandantes policiais e dirigentes de sindicatos de várias regiões do país. A empresa, privatizada em 1997 pelo então presidente Sanchez de Losada, detinha o controle de 2.772 quilômetros em linhas de transmissão que atendem 85% do mercado nacional. "Para esclarecer a nossa posição ante a opinião pública nacional e internacional: estamos nacionalizando uma empresa que antes era nossa", frisou Morales. Apesar de que a Bolívia conta com uma capacidade de geração elétrica de 1,4 bilhões de watts anuais, o que daria para atender a toda a população, tem uma distribuição chega a menos de 70% das moradias. Acrescentou que nesses 15 anos a empresa só fez investimentos por 81 milhões de dólares, ou seja, pouco mais de 5 milhões por ano, enquanto que a média de investimentos em transmissão pelo atual governo tem sido de US$ 37 milhões. "Quando o país faz um esforço grande para crescer, superar os seus atrasos e avançar na industrialização, a energia elétrica não pode faltar, ser um empecilho", ressaltou. Em seu primeiro ano de governo, Morales nacionalizou no 1º de maio de 2006 os hidrocarbonetos, com a renegociação de contratos com uma dúzia de petroleiras, entre elas Repsol, BP e Total. O governo informou que indenizará a empresa que detinha a concessão de distribuição de energia com base no valor que esta pagou para tomar conta do setor: US$ 39,9 milhões. Em 2009 retomou para a Bolívia o controle da maior empresa telefônica do país que estava em mãos da italiana ETI, e em 2010 as quatro maiores geradoras elétricas que eram da francesa Suez, da britânica Rurelec e de acionistas estrangeiros. Em 1997, a Unión Fenosa, empresa espanhola que foi incorporada à multinacional Repsol, pagou 39,9 milhões de dólares pela Empresa de Eletricidade. Em 2002, a Fenosa vendeu suas ações a Rede Elétrica Internacional, filial do Grupo Rede Elétrica de Espanha, empresa com 20% de capital público e uma maioria de acionistas de outros países. Sua atividade é transportar a energia gerada pelos produtores e entregá-la a distribuidores e consumidores. "As empresas espanholas com capital estrangeiro aproveitaram a boa estrutura das empresas estatais com que contava a Bolívia nos anos 80 e que foi privatizada pelo governo de Sánchez de Losada. Entraram em setores estratégicos para a economia tais como a água e os hidrocarbonetos, a banca, os aeroportos, os seguros e os meios de comunicação. Falamos de Repsol, Iberdrola, BBVA, Aena, Abertis, Mapfre, Prisa", observou a entidade espanhola Observatório de Multinacionais na América Latina, frisando que Evo Morales tomou a decisão que permite avançar no crescimento do país. SUSANA SANTOS |
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