Contratos da Delta dispararam com Serra na prefeitura e EstadoAs conversas telefônicas gravadas com autorização judicial pela Operação Monte Carlo, entre junho do ano passado e janeiro deste ano, revelam que a construtora Delta, apontada como beneficiária do esquema montado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, foi favorecida nas gestões de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD) na prefeitura e também quando o tucano ocupou o governo do Estado. A empresa começou a prestar serviços quando Serra assumiu a prefeitura, em 2005, com contratos que somavam R$ 11 milhões. A partir de 2006, quando Serra deixou o cargo para ser candidato a governador, os negócios aumentaram, muitos sem licitação. Entre 2008 e 2011, os pagamentos à Delta ultrapassaram R$ 167 milhões. Só em 2010, ano em que o tucano disputou a Presidência, os repasses chegaram a R$ 36,4 milhões. Já em outubro do ano passado, a empreiteira venceu uma concorrência para limpeza urbana no valor de R$ 1,1 bilhão. O Ministério Público (MP) de São Paulo abriu um inquérito para apurar se houve fraude na licitação, pois há suspeitas de uso de documentos falsos e de edital dirigido. A transcrição de uma conversa ocorrida em 4 de agosto do ano passado, mostra um homem identificado como Jorge que pergunta para Gleyb Ferreira – que para a Polícia Federal (PF) é uma espécie de “faz-tudo” de Cachoeira, falando sobre o edital de uma licitação. “E aí, evoluiu aquele negócio?”, pergunta Jorge. “Aguardamos estar com o edital hoje à tarde. O Carlinhos (Cachoeira) quer que a gente converse com o Heraldo (Puccini Neto, representante da Delta na região Sudeste). Já estamos conseguindo uma prorrogação com o secretário para o dia 31 ao invés do dia 15”, responde Gleyb. Para a PF, o diálogo se refere à concorrência de R$ 1,1 bilhão. Os contratos com o Estado também se multiplicaram, depois que Serra assumiu o governo em 2007. No mandato do tucano, a construtora recebeu R$ 664 milhões, o equivalente a 83% de todos os 27 convênios firmados pelo Estado com a empresa na última década. Segundo reportagem da revista ISTOÉ, o valor pago ao consórcio liderado pela Delta na obra de ampliação da Marginal Tietê sofreu um reajuste de 75%. A obra era acompanhada no governo por Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, identificado como um dos arrecadadores das campanhas eleitorais de Serra. O responsável na empreiteira era Heraldo Puccini Neto, que está foragido, após ter a prisão preventiva decretada por suspeita de fraudes em licitações. Até abril de 2010, Paulo Preto foi diretor da Dersa, responsável pelo contrato da obra da Marginal. Na campanha presidencial de Serra, Vieira foi acusado pelos próprios tucanos de sumir com R$ 4 milhões, que teria arrecadado junto a empreiteiras com as quais possuía relações estreitas.
Na semana passada, o
governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que irá rever os contratos do
Estado com a Delta. “Tínhamos contratos que se encerraram e nem são do meu
mandato. Agora, temos três ou quatro de pequeno valor. É sempre bom rever e
analisar, é sempre positivo”, disse. |
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