França nega reeleição a Sarkozy por seu capachismo ao FMI/BCE

Após cinco anos de governo, Sarkozy deixa um milhão de desempregados a mais e a pobreza atingiu milhares de lares. Tornou-se agora o único presidente francês a não se reeleger em 30 anos

Uma multidão tomou a Praça da Bastilha em Paris, na noite de domingo (6), para cantar “Sarkozy acabou” e festejar a vitória do socialista François Hollande nas eleições presidenciais na França, com mais de 1 milhão de votos de vantagem.

Em seu discurso da vitória, Hollande afirmou que na Europa “a austeridade não será mais uma fatalidade” e prometeu uma guinada “para o emprego e o futuro” e um “pacto pelo crescimento” que irá discutir com “os parceiros europeus”. Ele venceu com 18.000.438 votos, contra 16.869.371 para Sarkozy “le americaine”. Dos votos válidos, 51,62% a 48,38%, com um comparecimento de mais de 80% dos eleitores.

Dirigindo-se à entusiástica multidão, ele salientou que “vocês são muito mais que um povo que quer a mudança, são um movimento que se levanta por toda a Europa e, talvez, por todo o mundo para promover nossos valores, nossas aspirações e nossas exigências de mudança”.

Das urnas saiu um veredicto contra a política de arrocho do FMI/BCE imposta ao continente pelo eixo Merkozy – Merkel com Sarkozy a tiracolo-, agora capenga. E uma condenação à arrogância e exibicionismo de Sarkozy e seu favorecimento aos bancos e magnatas, ao mesmo tempo em que submetia o povo francês a “ajustes” e ao aumento da idade mínima de aposentadoria e fazia o desemprego explodir. Não por acaso Hollande se apresentou aos eleitores como o “sr. Normal”.

Cinco anos depois, há um milhão de desempregados a mais e a pobreza atingiu milhares de lares franceses, agravada pelos cortes dos programas sociais. Nada menos de 900 indústrias fecharam as portas desde 2009 e recentemente a principal central sindical, a CGT, lançou uma campanha contra a desindustrialização. A produção industrial de 2011 ficou abaixo da de 1997 e as importações aumentam mais que as exportações. Em consequência, a balança comercial da França apresentou déficit em 2011 de 50 bilhões de euros (em comparação com superávit da Alemanha de 150 bilhões).

Nas relações externas, Sarkozy encabeçou em prol de Washington a agressão à Líbia de Kadafi, e deu seu aval ao plano alemão de estrangular a Grécia via Troika (FMI, BCE e Comissão Europeia), também recém repudiado nas urnas. Foi a primeira vez em três décadas na França que o presidente não se reelegeu, apesar dos frenéticos acenos aos fascistas da Frente Nacional, para tentar se safar. A bem da verdade, não está sozinho na queda – é o 16º líder europeu, nos últimos três anos, a ser defenestrado por aplicar arrocho. Derrotado Sarkozy, só restou a Merkel – que o havia apoiado abertamente - e ao inglês Cameron e ao italiano Monti, arautos da “austeridade acima de tudo”, telefonarem a Hollande, parabenizando-o. As urnas aguardam Merkel no ano que vem.

Hollande, em sua campanha, também colocou “o mundo das finanças” como o obstáculo que precisa ser enfrentado para conduzir o país a uma situação melhor, propôs um mecanismo europeu – os eurobonds – para financiamento de infraestrutura e defendeu a renegociação das metas de cortes de gastos. Ele também prometeu retirar as tropas francesas do Afeganistão até o final do ano. Na Praça da Bastilha, se comprometeu ainda a ser “o presidente de todos os franceses” e a trabalhar para resolver “as muitas rupturas que separam nossos cidadãos”, em referência à divisão exacerbada por Sarkozy – contra os imigrantes e contra os sindicatos. Ele ainda garantiu a recuperação dos serviços públicos, como saúde e educação.

“CRESCIMENTO”

Apesar de declarações de que o pacto de arrocho na Europa é inegociável, os campeões da “austeridade” acusaram o golpe sofrido. No domingo, o ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, já admitia “trabalhar juntos para um pacto de crescimento da Europa”, embora falando em “reformas estruturais”, isto é, arrocho. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso passou a falar em “objetivo comum” de “relançar a economia europeia para gerar um crescimento durável”. Em contraste com os últimos meses, nos quais os círculos governantes na Europa não faziam outra coisa senão aplicar mais arrocho e propor mais cortes nos gastos públicos e nos direitos sociais. A resistência popular se avolumou nas ruas, em manifestações e greves; agora, as urnas.

 

ANTONIO PIMENTA                                                                                                
                                                                                         

                                                                                            
                                                                                                
                                                                                         

                                                                                         






                                                                                             






 



 


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Capa
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A redução nos rendimentos da poupança e o ganho dos bancos

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ERRATA

Expediente


 

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Página 4

Ataques aos direitos autorais lesam os artistas brasileiros

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Seminário do FNDC defende convocação de donos da “Veja” na CPI do Cachoeira

CARTAS

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Sírios repudiam terrorismo participando aos milhões nas eleições parlamentares

Israel: apartheid e chantagem nuclear (I)

Na Argentina, níveis recordes de emprego e redução da pobreza pouco tem a ver com exportações

 

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O Dom Casmurro de Machado pelo crítico Agripino Grieco