O julgamento no campo de concentração de Guantánamo dos cinco
acusados pelo 11 de Setembro ameaça se transformar num julgamento da tortura
cometida pelos EUA contra os presos. No entanto, o promotor-chefe do tribunal de
exceção, general Mark Martins, asseverou que os casos de tortura sofridos pelos
acusados não invalidam o “processo”.
Os acusados se recusaram a se declararem inocentes ou
culpados, tiraram ostensivamente os auriculares dos ouvidos para não ouvir
perguntas, denunciaram as torturas e negaram a legitimidade do tribunal. Também
rezaram e leram o Alcorão em meio à sessão. Quase no final, o preso Walid bin
Attash interrompeu declaração de sua advogada sobre tortura, rasgando a camisa e
exibindo cicatrizes dos ferimentos causados pelos carcereiros dos EUA.
O advogado David Nevin, que representa o principal acusado,
Khalid Sheikh Mohammed, afirmou, segundo citação da revista “Der Spiegel”, que
seu cliente fora “submetido a intensa tortura durante anos” (só de sessões de “waterboarding”,
afogamento, foram 183).
Também foi afirmado pelos defensores que todos os presos
foram sequestrados, mantidos em prisões secretas da CIA e torturados. O
“waterboarding” que W. Bush praticou abertamente durante anos foi, sob Obama,
reconhecido como tortura. E o que o tribunal de exceção tem contra os acusados
são confissões arrancadas sob tortura. Nos EUA já se fala em que o processo pode
se arrastar “por anos”.