Obrador: “fraude de Peña inclui lavagem de dinheiro”

O candidato à presidência do México pela coalizão Movimento Progressista, Andrés Manuel López Obrador, apresentou “ao Tribunal Eleitoral e à opinião pública” informações documentadas sobre operações financeiras ilícitas da candidatura do candidato do PRI, Enrique Peña Nieto, que envolveram dezenas de milhões de pesos para a compra de votos. Como as provas apontam que a eleição presidencial foi viciada, marcada pela desigualdade, onde não foi garantida nem a autenticidade nem a liberdade de voto, Obrador pediu a imediata anulação do pleito.

O atropelo foi tão grande que, conforme projeções, a candidatura direitista foi impulsionada por recursos ilegais que ultrapassaram o limite de gasto da campanha em quatro bilhões de pesos, mais de 300 milhões de dólares.

Às provas apresentadas por Obrador se somam à denúncia, que já havia sido realizada pelo Partido Ação Nacional (PAN), contra o PRI “pela farta distribuição de dinheiro por meio de cartões de débito da empresa Monex”, em contabilidade paralela discrepante da declarada ao Instituto Federal Eleitoral. Além das massivas operações de compra de votos realizadas pelo PRI no escândalo popularizado como Monexgate, tanto o Movimento Progressista como o PAN denunciam a manipulação dos principais meios de comunicação e das “pesquisas” em prol da candidatura de Peña Nieto, após terem sido beneficiados por contratos milionários.

Conforme os documentos já reunidos por López Obrador, Monex foi vitaminada com mais de 100 milhões de pesos (7,5 milhões de dólares) pelas empresas Inizzio e Efra, que por sua vez teriam recebido esse montante de uma pessoa física e três corporações: o particular Rodrigo Fernández Noriega e as empresas Atama, Koleos e Tiguan. O jornal La Jornada destaca que chamou a atenção o fato de que Koleos e Tiguan tenham sido constituídas exatamente no mesmo dia – 8 de setembro de 2001 –, ante o mesmo escrivão, situação que se repete com Inizzio e Atama, cujos domicílios fiscais também eram inexistentes. Já o endereço de uma das empresas que fundaram a empresa Comercializadora Efra é o mesmo de um escritório de advogados próximos ao PRI e ao próprio Peña Nieto, o que aponta para uma óbvia triangulação que desnuda a criminosa lavagem de dinheiro.

Entre os abusos comprovados até o momento está a utilização de mais de 9 mil tarjetas de Monex por “operadores” do PRI, entre coordenadores e fiscais de urna, com saldos entre 15 a 20 mil pesos (dois mil a dois mil e seiscentos dólares) em cada cartão, coletados via triangulação, o que desnuda a lavagem de dinheiro.
Centenas de pessoas continuam chegando ao comitê de campanha de López Obrador para apresentar “provas e testemunhos” contra Peña Nieto, afirmando que receberam recursos para votar pela candidatura do PRI.
 




 



 


Capa
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Oswaldo Jurno

Expediente

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CARTAS

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