O parecer que será apresentado pelo relator da CPI do
Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT/MG), aponta que a organização criminosa
chefiada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira movimentou, nos últimos dez anos,
mais de R$ 84 bilhões. Esse volume de recursos foi detectado nas quebras de
sigilo fiscal e bancário de 75 pessoas físicas e jurídicas.
Uma nova "lavanderia" de dinheiro sujo do esquema, em
conjunto com a Delta Construções, também veio à tona com a análise das quebras
de sigilo. A empresa de fachada Adécio & Rafael Construções e Terraplanagem
recebeu mais R$ 37 milhões da Delta sem que prestasse qualquer serviços para
esta. Até então a Alberto & Pantoja Construções era apontada como principal
instrumento de lavagem de dinheiro do esquema – com repasses feitos a ela pela
Delta de R$ 31 milhões, entre 2010 e 2012.
Os novos documentos confirmariam ainda que a mansão do
governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi realmente comprada por
Cachoeira. Perillo alega que vendeu a casa para Walter Paulo Santiago, que teria
feito o pagamento de R$ 1,4 milhão com cheques da empresa Excitante Indústria e
Comércio de Confecções. Mas a quebra de sigilo mostra que a Excitante fez os
pagamentos após receber os valores da Adécio & Rafael.
Na quarta-feira (17), os integrantes da CPI do Cachoeira decidiram por
unanimidade prorrogar os trabalhos da comissão. O prazo, no entanto, depende
ainda de um acordo entre os representantes partidários no colegiado para ser
definido.