Guantánamo está me matando

Samir Naji al Hassan

"Tenho estado em greve de fome desde 10 de fevereiro, perdi mais de 13 quilos", afirma Samir Naji al Hassan, "não vou comer até que restaurem minha dignidade". Prisioneiro em Guantánamo sem julgamento há 11 anos e três meses, Samir conseguiu driblar a vigilância e, com apoio de seu advogado, passar depoimento transformado em matéria publicada dia 14 no New York Times, da qual seguem abaixo os principais trechos.

Anos atrás os militares [norte-americanos] disseram que eu era ‘guarda’ de Osama Bin Laden, um contra-senso que nem eles parecem mais acreditar. Mas não se preocupam, tampouco, em quanto tempo vou ficar aqui.

Nasci no Iêmen e um dos meus amigos de infância me disse que no Afeganistão eu ganharia mais do que os US$ 50 que recebia numa fábrica local, podendo apoiar melhor a minha família. Não sabia nada sobre o Afeganistão, mas resolvi tentar.

Eu estava errado, não havia trabalho. Quis voltar mas não tinha dinheiro. Com a invasão americana, fugi para o Paquistão, onde me prenderam e me mandaram para Kandahar. De lá fui colocado no primeiro vôo para Guantánamo.

No ultimo mês fiquei doente e – no hospital da prisão - segui recusando-me a comer.

Nunca vou esquecer a primeira vez que passaram um tubo de alimentação por meu nariz. Não tenho como descrever a dor. A passagem da comida me fez sentir náuseas. Queria vomitar mas não podia. Sentia uma agonia em minha garganta, peito e estômago. Nunca senti tal dor antes. Não desejaria a ninguém uma punição tão cruel.

Ainda estou sendo alimentado à força. Duas vezes ao dia, me prendem – braços e pernas - a uma cadeira em minha cela. Às vezes chegam durante a noite, às 23:00 h, quando já estou dormindo.

Em uma das sessões de alimentação forçada, a enfermeira empurrou o tubo 30 centímetros estômago adentro, ferindo mais que o fazia normalmente, por faze-lo também com muita pressa. Implorei para que parassem com aquilo. A enfermeira recusou-se a parar. Ao final, aquele "alimento" espirrou na minha roupa. Pedi para ser trocado, mas os guardas recusaram-se a me conceder estes últimos vestígios de dignidade.

A única razão pela qual ainda estou aqui é por que o presidente Obama recusa-se a enviar qualquer dos detentos de volta ao Iêmen. Quero ser tratado como ser humano.

A situação aqui é desesperadora. Todos os detentos sofrem profundamente. As pessoas estão desmaiando por exaustão todos os dias. Eu vomitei sangue.

Não há um fim à vista para nosso aprisionamento. Nos negar a nos alimentar foi e nos arriscar a morrer todos os dias foi a escolha que fizemos.

Só espero que a dor que estamos sofrendo leve o mundo a olhar para Guantánamo antes que seja tarde demais.


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