As razões da Coreia Popular frente à agressão dos EUA & seus satélites

O texto desta página é uma condensação de um editorial da Agência Central de Notícias da República Popular Democrática da Coreia, mais conhecida no Brasil pela sua sigla em inglês (KCNA).

Nas últimas semanas, a mídia, aqui em nosso país, tornou-se uma repetidora dos boletins do Departamento de Estado dos EUA, ou, talvez, da CIA. A histeria dos habituais capachos é tanta que tornou-se, como se dizia, de um ridículo atroz. Pretender que a Coreia Popular está ameaçando os EUA com seu arsenal nuclear é tão absurdo que somente alguns problemas psiquiátricos - provavelmente ligados ao que Freud chamou de "complexo de castração" e seu equivalente feminino, a "inveja do pênis" - podem explicar que certos sujeitos e algumas damas sem ocupação mais importante apareçam na televisão repetindo esse besteirol.

Como disse o nosso embaixador em Pyongyang, Roberto Colin, se há algo seguro, é que "nem o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, e nem os demais membros da liderança" da RPDC são "irracionais, ilógicos e muito menos suicidas. Tanto o governo dele quanto o do pai dele, falecido no final de 2011, mostram que não são irracionais e imprevisíveis. Eles são muito lógicos e racionais dentro da visão do mundo que eles têm".

A publicação do texto da KCNA tem o objetivo de que os leitores conheçam a posição da Coreia Popular, pois os supostos paladinos da democracia dos EUA – e seus fâmulos no Brasil – procuram, a qualquer custo, impedir que esta posição seja conhecida. Neste sentido, a fábula de La Fontaine talvez fosse justa para o século XVII. Hoje em dia, a primeira providência do lobo não é mais argumentar com o cordeiro...

C.L.

KCNA

Durante seis décadas, os EUA desrespeitaram o Acordo de Armistício com a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) para manter sua política hostil. Os "exercícios militares conjuntos" entre os EUA e as forças títeres sul-coreanas, denominados Key Resolve e Foal Eagle, são, na verdade, simulações de guerra nuclear, onde inclusive transportadores como o B-52, capazes de carregarem armas nucleares, são mobilizados. Tais atos são violações explícitas do Acordo de Armistício e de todos os acordos entre o Norte e o Sul da Coreia.

[NOTA HP: sob o nome "Key Resolve" – e, antes, sob os nomes "Team Spirit" e "RSOI" (iniciais de "Reception, Staging, Onward Movement, Integration") - o Comando do Pacífico das forças armadas dos EUA promove, desde 1976, uma invasão extra anual do sul da Coreia, com o deslocamento de tropas e engenhos militares estacionados em outros países, para ameaçar a RPDC. O nome "Foal Eagle" é referente à outra série de ensaios de agressão contra o norte da Coreia, também promovidos anualmente pelos EUA no sul da Península, e considerados os maiores exercícios militares anuais do mundo. Tanto a Key Resolve quanto a Foal Eagle, e também a UFG ("Ulchi-Freedom Guardian" – exercícios anuais de guerra computadorizada) são completamente ilegais diante do Armistício assinado em 1953 pelos EUA, RPDC, China e Coreia do Sul, sob os auspícios da ONU.]

O estado de enorme tensão e emergência que prevalece na península coreana, obrigou a RPDC a tomar medidas para garantir a soberania nacional e a estabilidade regional. A decisão de anular o Acordo de Armistício foi uma contra-medida de autodefesa, feita pela RPDC. Afinal, o Acordo de Armistício já estava, na prática, invalidado pelas manobras dos EUA e pelo comportamento hipócrita do Conselho de Segurança da ONU, que sempre apoiou as movimentações dos EUA nas últimas seis décadas.

Portanto, é totalmente ilógico que as forças hostis contra a RPDC, incluindo os EUA, levem a cabo campanhas públicas de críticas contra a suposta "violação" da RPDC quanto à sua contra-medida de autodefesa, dizendo que "o Acordo de Armistício não pode ser dissolvido unilateralmente, dado que ele foi assinado através de um acordo mútuo". Na verdade, o Acordo de Armistício não requer um consenso bilateral, e pode ser tornado inválido, e totalmente anulado, caso um lado não concorde com o mesmo.

PARÁGRAFO 60

Quando o Acordo de Armistício foi concluído, a 27 de julho de 1953, após cerca de 500 dias de conversações em clima de tensão, as atenções e as expectativas do povo coreano e dos povos amantes da paz estavam focadas em seu parágrafo 60.

A implementação do parágrafo 60 era uma questão chave para realizar a reunificação do país e contribuir para a paz na Ásia e no mundo, dado que o parágrafo 60 dizia que todas as tropas estrangeiras deveriam ser retiradas da Coreia, removendo assim a causa e raiz da guerra - e resolvendo a questão coreana pacificamente.

Apesar disso, os EUA assinaram o "Tratado de Defesa Mútua" com o sul da Coreia em 8 de Agosto de 1953, "tratado" este que "legalizava" toda a presença norte-americana na Coreia do Sul. Na prática, tal "tratado" anulava o parágrafo 60, que conclamava pela remoção de todas as forças armadas estrangeiras.

O parágrafo 13 do Armistício bania a introdução de planos operacionais, veículos armados, armas e munições na península coreana, por meio de outros países. Os EUA sabotaram unilateralmente o parágrafo 13 do Acordo de Armistício em 21 de junho de 1957, introduzindo sistematicamente enormes e modernos artifícios bélicos no sul da Coreia, assim como mais de mil armas nucleares de diferentes tipos. Como resultado dessa manobra monstruosa, o sul da Coreia se transformou no maior arsenal nuclear do Extremo Oriente.

Os EUA violaram e repeliram todos os parágrafos do Acordo de Armistício que causavam empecilhos à preparação de uma nova guerra na Coreia, e destruíram todos os mecanismos para a implementação do Acordo de Armistício. As sérias violações por parte dos EUA contra o Acordo de Armistício tornaram defuntas as sentenças relacionadas à Comissão Militar de Armistício (pontos 19 a 35 do parágrafo 2), assim como as sentenças relacionadas à Comissão Supervisória de Nações Neutras (pontos 36 a 50 do mesmo parágrafo).

Os EUA fizeram provocações militares constantes contra a RPDC, sem quaisquer restrições legais e institucionais para impedirem suas manobras, e sempre fazendo o uso da força. Os casos de violação do Acordo de Armistício por parte dos EUA ultrapassam a casa das centenas de milhares, de acordo com vários encontros feitos pela Comissão Militar do Armistício. Contudo, o Acordo de Armistício foi capaz de existir, até agora, pelo menos em termos formais, graças à paciência da RPDC.

PROPOSTAS

A RPDC fez várias propostas para finalizar o armistício com a garantia de paz duradoura na Península Coreana. Entre as várias propostas feitas, a conclusão do tratado de paz entre a RPDC e os EUA (nos anos 1970); levar a cabo as conversações das três partes, incluindo a Coreia do Sul nas conversações RPDC-EUA (nos anos 1980); criar um novo mecanismo que garantisse a paz (nos anos 1990); acabar com o estado de guerra (nas conversações das seis partes envolvidas com o Acordo de Armistício, em 2007); e retomar as conversações para substituir o Acordo de Armistício pelo Tratado de Paz (feita durante o aniversário de 60 anos do início da Guerra da Coreia, em 2010).

Os EUA, contudo, ignoraram ou recusaram todas essas propostas.

Jamais concordaram com o Acordo de Armistício - só o violaram. Sempre quiseram a guerra, jamais a paz.

Era absolutamente inaceitável que a RPDC, à luz de seus interesses supremos como um Estado soberano, ficasse à mercê de um documento jogado no lixo como um par de sapatos velhos pela outra parte.

A RPDC foi constrangida a tomar a contra-medida de anular o Acordo de Armistício para defender a segurança do país, as conquistas da Revolução e para assegurar a soberania da nação coreana em face da ameaça de agressão militar por parte dos EUA.

A decisão de anular o Acordo de Armistício foi uma opção justa do Exército e do Povo da RPDC para por um fim aos atos hostis, através de ações armadas gerais, dos EUA.

CESSAR-FOGO

A política dos EUA para com a RPDC tem como objetivo derrubar seu sistema, para assim eliminar a Coreia socialista da Terra. O Acordo de Armistício era a alavanca principal através da qual os EUA executavam sua política hostil.

Os EUA abusavam do Acordo de Armistício levando a cabo sua estratégia anti-RPDC de manter constantes os confrontos e o estado de guerra na península coreana, tentando dessa maneira estrangular a RPDC pela força das armas. É provável que o mundo não saiba cada detalhe do quão grande foi a dor que o povo coreano sofreu por conta do estado de guerra imposto pelos EUA por mais de meio século.

O cessar-fogo na Península Coreana tornou-se, na verdade, a continuação de uma guerra de maneira encoberta, sem que ela fosse declarada. Os EUA tentaram sabotar todos os grandes esforços da RPDC para construir o socialismo e melhorar o padrão de vida do povo por mais de meio século. Agravaram as tensões de maneira incessante na península coreana, para bloquear o avanço da RPDC, que atualmente se encontra na linha de frente da luta pela independência e contra o imperialismo.

[N. HP: O texto se refere à seguinte situação: derrotados na Guerra da Coreia (1950-1953), iniciada após sua agressão ao norte, os EUA foram obrigados a assinar o armistício, isto é, o cessar-fogo. No entanto, há 60 anos recusam-se a dar por terminada a guerra. Apesar de várias tentativas por parte da RPDC, mantiveram o estado de guerra, com suas tropas e ogivas nucleares no sul da Península, e usaram o cessar-fogo para, todas as vezes em que o norte da Coreia apenas se defendeu de seus ataques, acusá-lo de transgressão ao armistício.]

Essa situação levou a RPDC a destinar enormes recursos humanos e materiais para desenvolver suas forças armadas, ao invés de direcionar tais recursos para o desenvolvimento econômico e para a melhoria da vida das massas. Tudo isso fez com que o povo coreano tivesse que apertar seus cintos. A quantidade de danos humanos e materiais causados contra a RPDC, até o ano de 2005, totalizou pelo menos 64,9 trilhões de dólares. Incontáveis danos políticos, morais e culturais foram causados pelos EUA contra o povo coreano, através de suas persistentes manobras de guerra e ameaças de agressão, em todas as etapas da construção socialista da RPDC, sem exceção.

O estado de cessar-fogo tornou-se uma "razão legal" para o prolongamento da instabilidade na Península Coreana. Frequentes conflitos militares em Panmunjom e nas águas do Mar Oeste, incluindo o incidente da Ilha de Yonphyong, assim como outros incidentes que chocaram o mundo, não aconteceram por força do acaso, mas por estarem diretamente relacionados ao mecanismo do cessar-fogo.

Os EUA fizeram com que a Coreia do Sul preservasse a ilegal "linha de limite ao Norte", abusando das limitações que o Acordo de Armistício possuía. Consequentemente, não passou sequer um dia sem que as cinco ilhas do Mar Oeste da Coreia permanecessem em paz. Tais áreas foram o epicentro dos conflitos, que mostravam claramente o perigo do Acordo de Armistício, e mostravam a possibilidade real de estourar uma nova Guerra da Coreia. Tornou-se claro, através de fatos incontestáveis, que o Acordo de Armistício não poderia prevenir uma nova guerra na Península Coreana.

A soberania da Coreia, certamente, não deve ser deixada para que outros a defendam. Se a RPDC se deixasse curvar ante o Acordo de Armistício, e permanecesse passiva ante os atos hostis dos EUA contra a RPDC, que se tornaram intoleráveis em todos os aspectos, o povo coreano sofreria de novo todos os obstáculos, sofrimentos e tragédias que sofreu por mais de meio século.

AGRESSÃO

Nenhuma grande potência imperialista esteve até agora feliz de ver a Coreia se tornar um só e próspero país.

Nos últimos dias, os EUA e seus aliados levaram a cabo suas manobras para impor sanções e pressões de guerra contra a RPDC, por conta de seu lançamento de satélite e do teste nuclear subterrâneo.

Tais atos estiveram em coerência com a política hegemonista das forças que estavam insatisfeitas com os esforços da RPDC de construir uma próspera potência reunificada.

A conclusão a que a RPDC chegou, após ser exposta ao perigo de guerra por várias décadas, é de que é impossível construir uma nação, uma vida estável e feliz, assim como a prosperidade nacional, enquanto o Acordo de Armistício se mantivesse intacto.

O indignação do povo coreano contra os EUA está no seu ápice, e a paciência da RPDC já passou dos limites.

É por isso que a RPDC tomou a importante decisão de acabar com a causa e a raiz que atenta contra sua soberania nacional, contra a dignidade, a paz e a prosperidade, e expressou sua vontade de tomar decisivas ações de defesa contra a agressão.

Agora que os militaróides sul-coreanos, em conluio com os EUA, fazem manobras para estalar uma guerra nuclear contra o Norte, em violação ao Acordo de Armistício, a RPDC declara anulados todos os acordos de não-agressão feitos entre o norte e o sul, entre aqueles do não uso da força armada contra o outro lado, a prevenção de conflitos militares acidentais, a resolução pacífica de disputas, e a questão da não agressão nas fronteiras norte-sul. São passos coerentes com a anulação do Acordo de Armistício.

A RPDC está totalmente preparada para tomar duras ações de defesa que possam forçar o eixo anti-RPDC a testemunhar seu miserável fim, até a rendição completa do mesmo.

LEI DA SELVA

A aliança pela guerra entre o Acordo de Armistício e as forças hostis, que seguiu existindo por décadas são os últimos resquícios da Guerra Fria no mundo, desde o fim do confronto entre Ocidente e Oriente. Desde o cessar-fogo da Guerra da Coreia, os Estados Unidos obstruíram a reunificação da Coreia, colocando a região sob seu controle e agudizando as contradições e o confronto entre norte e sul, totalmente em contradição com o Armistício, que definia uma solução pacífica para a questão coreana.

Desde o fim da Guerra Fria, também, os EUA expandiram e fortaleceram suas alianças militares, sob o pretexto de que o estado de guerra seguia existindo sob o Acordo de Armistício. Desenvolveram as alianças militares EUA-Coreia do Sul e EUA-Japão numa aliança militar triangular, desenvolveram também alianças militares que englobavam Austrália e outros países.

Atualmente, os Estados Unidos também defendem um aprofundamento da "resolução sobre sanções" por parte do Conselho de Segurança da ONU, tendo em vista trazer ainda mais países satélites para a nova Guerra da Coreia, do que na última guerra dos anos 1950.

As manobras anti-RPDC dos EUA e seus aliados seguem aumentando, como evidenciam as sanções e pressões feitas pela ONU, ao qualificar o lançamento de satélite da RPDC, um direito legítimo enquanto Estado soberano, como uma "provocação".

Esta situação revela de maneira saliente que os princípios elementares da igualdade e imparcialidade são letra morta - e o que permanece de fato é a lei da selva. Tal situação de desequilíbrio não pode ser removida enquanto siga existindo o Acordo de Armistício. Existe um limite para a capacidade das grandes potências de seguirem criando tensões e instabilidades na Península Coreana.

Não existe em lugar algum do mundo um campo de batalha como a Península Coreana, onde enormes forças estratégicas nucleares estão sendo implantadas em massa, e onde ações militares, incluindo manobras conjuntas de guerra, aconteçam quase todos os dias.

PAZ

Uma nova Guerra da Coreia significará uma guerra regional e uma guerra mundial, que envolverá os maiores Estados da região Ásia-Pacífico. A paz mundial é, dessa maneira, impensável sem a paz na Península Coreana.

A existência de um frágil Acordo de Armistício não servirá em nada para garantir a paz na Península e no resto do mundo, mas sim para criar um ciclo vicioso de más relações entre os países da região, e frear o desenvolvimento das mesmas.

A constante fonte de guerra existente na região Ásia-Pacífico, o maior centro de atividades políticas, econômicas e militares a nível mundial, não é a tendência do desenvolvimento dos tempos presentes, e não é benéfica para ninguém.

A anulação do Acordo de Armistício mostra mais uma vez a vontade de ferro da RPDC, que tem como tarefa básica defender a soberania para assegurar a paz na Península, e que fez todos os esforços possíveis para concretizar tal tarefa. A opção da RPDC tornou-se clara, agora que as manobras das forças hostis para atentar contra a soberania e a dignidade da Coreia chegaram a uma etapa perigosa.

Já se foram os dias em que as simples advertências verbais serviam para alguma coisa.


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