Para Obama a "conversa foi franca" e o bloqueio "deve acabar" mas não sabe quando

Raúl: ‘Normalização só com fim do bloqueio e volta de Guantánamo’

Raúl e Obama se reuniram por duas horas e depois deram entrevista. Para Raúl, “muito mais poderia ser feito sem o embargo” e avaliou as medidas de Obama como positivas, mas ainda insuficientes

 

O presidente cubano Raúl Castro afirmou, ao receber em Havana nesta segunda-feira (21), no Palácio governamental, o presidente dos EUA Barack Obama, na primeira visita de um presidente norte-americano à Ilha após a vitória da Revolução, que a eliminação do bloqueio, há 54 anos em vigor, e a devolução do território da base de Guantánamo, ilegalmente ocupado há mais de um século, são “essenciais” para a normalização plena das relações entre os dois países.

“O bloqueio é o obstáculo mais importante para nosso desenvolvimento econômico e o bem estar do povo cubano. Por isso, sua eliminação será essencial para normalizar as relações bilaterais”, destacou.

Acompanhado da mulher Michelle, das filhas Malia e Sasha, e da sogra; de John Kerry, seu secretário de Estado, e dos responsáveis pelo Comércio e pela Agricultura; de 40 congressistas democratas e republicanos; e uma enorme delegação com cerca de 1.000 integrantes, entre diplomatas, funcionários, empresários e jornalistas, Obama chegou a Cuba em um domingo chuvoso e visitou o centro histórico de Havana e a catedral.

Desde o anúncio do restabelecimento de relações, transcorreram 15 meses e Obama voltou a repetir em Havana que não fazia sentido manter uma política “que por 50 anos não deu resultado”. Nesse período, um presidente norte-americano após o outro tentou assassinar Fidel e esmagar a revolução cubana, todos eles passaram e Cuba seguiu em frente.

Raúl e Obama se reuniram por mais de duas horas, e depois realizaram uma conferência de imprensa. Segundo o presidente cubano, “muito mais poderia se feito se o bloqueio fosse levantado”, após assinalar que as medidas de Obama haviam sido positivas, mas não eram suficientes.

Raúl reiterou que o governo cubano tem a disposição de avançar na normalização das relações, convencido de que ambos os países “podemos coexistir e cooperar por cima das diferenças que temos e contribuir à paz, à segurança, à estabilidade, ao desenvolvimento e à igualdade no nosso continente e no mundo”. Mas – como ele tem reiterado – sem claudicar “em um só de nossos princípios” ou ceder “um milímetro na defesa da soberania nacional”, conquistados “com grandes sacrifícios e ao preço dos maiores riscos”.

“Ratifico hoje que devemos por em prática a arte da convivência civilizada, que implica aceitar e respeitar as diferenças e não fazer delas o centro de nossas relações, mas sim promover vínculos benéficos a ambos os países e povos, e nos concentrarmos no que nos aproxima e não no que nos separa”, ressaltou o presidente cubano.

Respondendo a jornalistas, durante a entrevista Obama afirmou que teve uma “conversa franca” com o líder cubano e que se deve “avançar e, não, olhar para trás”. Ele apontou que “não vemos Cuba como uma ameaça para os Estados Unidos”. “O nosso ponto de partida é que temos dois sistemas diferentes, dois sistemas diferentes de governo e de economia. E temos décadas de diferenças”. Ele lembrou ter também “grandes diferenças com os chineses” e que irá em breve ao Vietnã “e também tenho grandes diferenças com eles”.

Obama também agradeceu a Raúl o papel de Cuba nas negociações pela paz na Colômbia, enquanto o presidente cubano se manifestou contra as sanções recentemente renovadas por Washington contra a Venezuela e os intentos de desestabilização, que considerou “contraproducentes” no atual processo em curso no continente.

Obama fez questão de dizer que o bloqueio econômico a Cuba “vai acabar” e que só não podia dizer “quando”. O que se deveria à necessidade de aprovação no Congresso norte-americano.

Analistas atribuíram a visita desde a vontade de Obama de ter como legado o pontapé inicial para o restabelecimento das relações com Cuba e, quem sabe, um selfie com Fidel, passando pela urgência de arrumar outro caminho para minar a revolução diferente do que já fracassou repetidamente, até à proximidade da campanha presidencial, dado o peso do voto latino. O gusano-americano Marco Rubio, que fazia histérica campanha contra o reatamento, perdeu de lavada nas primárias da Flórida, o que indica que grande parte do eleitorado de origem cubana, particularmente a juventude, já não se deixa apavorar pelos espantalhos fabricados desde Langley, na Virgínia.
                                                                                                               ANTONIO PIMENTA 

 

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