Pelo Mundo

CAIO REARTE*

A Presidência imperial
 
 

   Estou relendo o livro “Bush em Guerra”, de Bob Woodward (jornalista do Washington Post que ficou conhecido pelas reportagens do escândalo Watergate). O livro é uma janela para o funcionamento do National Security Council, o Conselho de Segurança Nacional, uma entidade do poder executivo dos EUA que eu considero importantíssima, e pouco se fala dela. É o epicentro do poder imperial dos EUA.

  As reuniões do NSC fazem parte da rotina diária do Presidente; as melhores informações obtidas pelas agências de inteligência – interceptações telefônicas de outros presidentes e líderes de estado, informações sobre golpes de estado em gestação, informações de satélites secretos – convergem para o NSC. O NSC reúne o Presidente, o Vice-Presidente, o Secretário de Defesa e o Secretário de Estado. Outros secretários, o diretor de Inteligência Nacional, os diretores da CIA, da NSA, também podem participar. As discussões do NSC embasam as National Security Policy Directives, NSPDs, ordens do Presidente que orientam tudo relacionado a segurança nacional. Metade dessas ordens ainda são secretas.

  Woodward descreve as reuniões diárias após os ataques de 11 de setembro, com detalhes dos debates entre os membros do NSC da época: Bush, Cheney, Rumsfeld, Powell, Wolfowitz, Tenet e outros. Esses debates resultaram nos planos para a guerra contra o Afeganistão. Um dos pontos centrais da guerra foi a parte clandestina. Um grupo de agentes da CIA de codinome “Jawbreaker” (Quebra-queixo) foi enviado ao Afeganistão, com ordens de reestabelecer contato com a Aliança do Norte, um grupo militar de afegãos que haviam sido financiados pelos EUA durante a primeira guerra do Afeganistão nos anos 80. O objetivo era utilizá-los contra o Talibã. Mas não era só isso. Cofer Black, o diretor de antiterrorismo da CIA, disse ao líder do grupo, Gary, que havia mais uma missão. O presidente havia assinado uma nova ordem e “as luvas caíram”. “Pegue o bin Laden, encontre-o. Eu quero sua cabeça numa caixa,’ instruiu Black. ‘Você está falando sério?’ perguntou Gary. ‘Absolutamente,’ disse Black. A nova autoridade era clara. Sim, disse ele, ele queria a cabeça de bin Laden.”

  Até 1976, não havia uma legislação específica que proibisse as agências de inteligência de assassinarem indivíduos com o objetivo de influenciar a política de outro país. Nesse ano, após as investigações de uma CPI para investigar abusos das agências de inteligência – o Church Committee – que revelou diversas operações da CIA para subverter a ordem política de países como Congo, República Dominicana, Chile, Cuba e outros, o presidente Gerald Ford assinou a Ordem Executiva 11905, que proibiu o “assassinato político”. É por isso que Gary ficou surpreso com as palavras de Cofer Black em 19 de setembro de 2001. Uma política de 25 anos havia sido descartada por George W. Bush – secretamente, após uma semana de discussões também secretas. Quinze anos depois, o texto da ordem ainda não é público.

  O próximo presidente, Barack Obama, continuou as guerras começadas por Bush. E introduziu uma nova modalidade de assassinato, o assassinato via drone. Em um artigo no New York Times em maio de 2012, foi revelado que Obama preside uma reunião semanal na qual ele pessoalmente autoriza bombardeios para matar “militantes terroristas”. Esse comitê é juiz, júri e executor. E é essa presidência que Trump vai herdar...

*Caio Rearte é colaborador do HP e
editor do blog caiorearte.blogspot.com
Twitter: caiorearte2

 


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STF reconduz senador-réu à presidência do Senado

Janot: “A República exige que pau que dá em Chico tem que dar em Francisco”

“O STF trouxe para si uma crise que era do Executivo e do Legislativo”, diz Molon

Lula volta a ofender a Lava Jato

Juiz Moro recebe prêmio de Brasileiro do Ano na Justiça e incomoda petistas

Renan elogia peleguice do petista Jorge Viana

Constituição e a agenda antipovo (Mamede)

Página 4 Página 5

PEC do roubo à Previdência barra aposentadoria plena antes dos 70

Pensões de idosos e deficientes serão menor que salário mínimo

Regra obriga trabalhador rural a contribuir por 25 anos e ter mais de 65 anos para se aposentar

Relator apresentou parecer em menos de 24 horas

Para deputado Major Olímpio, “policiais e bombeiros militares continuam arrebentados com PEC 287/16”

Subtenente Gonzaga convoca ato nacional no dia 14 contra reforma: “Nossa Previdência vale uma guerra”

“Governo quer acabar com a aposentadoria”, diz Faria de Sá

Setor que mais lucra, bancos demitem 10 mil de janeiro a outubro deste ano

Reitores avisam ao MEC: “Não cortaremos ponto de grevistas”

Grêmio empata e levanta a taça da Copa do Brasil

 

 

 

Página 6

Assad: “Vitória em Alepo derrota o projeto estrangeiro para a Síria

Comando Militar da Síria: “Israel ataca Damasco para dar alento aos terroristas”

Avanço do exército sírio permite a reunificação das famílias em Alepo

EUA bombardeia mercado no Iraque e assassina civis

Venezuela: oposição retira-se do diálogo com governo Maduro

Bolívia: o diretor-geral da firma que transportava a chapecoense é preso

Noruegueses repudiam o convite do Nobel ao genocida norte-americano Kissinger

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Página 7

 Total de empregados cai 226 mil e Obama diz que desemprego é menor

Trump convoca crocodilos de Wall Street para ‘drenar pântano’ da corrupção em Washington
 

No estado de Nova Iorque negros são 14% da população e 49% das pessoas encarceradas
 

Comandante Fidel, presente!


     A Presidência imperial


    Irã adverte EUA: ‘não vamos tolerar que violem acordo nuclear’
    

Página 8

Agronegócio e neoliberalismo: o aumento da fome no mundo - 1

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