Notas fiscais falsas provam que Bittar é laranja do sítio de Atibaia

Confissões de diretores e engenheiros da obra complicam situação de Lula, presidente “cartão de visitas” da Odebrecht
 

Os mais recentes depoimentos, todos acompanhados e sustentados por provas materiais em abundância, tornaram irretorquível duas coisas em relação à Lula - aliás, três, se contarmos que essas provas também mostraram, outra vez, um sujeito de caráter muito torto.

Primeiro, cinco depoimentos confirmaram que Lula ocultou patrimônio no caso do sítio de Atibaia.

Segundo, Emílio Odebrecht, Alexandrino Alencar, e mais seis funcionários da Odebrecht, descreveram como Lula era pago para que fosse lobista do grupo em outros países. Por exemplo:

ALEXANDRINO ALENCAR: "[Lula] era um cartão de visitas muito importante, para o presidente do país saber que ele tinha uma relação diferenciada com o grupo".

LOBISTA

Foi assim que a Odebrecht pagava por palestras que Lula fazia no exterior – e, inclusive, determinava o conteúdo do que ele devia dizer, mesmo quando ainda era presidente da República. Declarou Alexandrino Alencar, um íntimo de Lula:

"Sempre nós mandávamos o que a gente chama de uma ‘ajuda de memória’ da nossa atuação no país que ele iria. Eu dizia para o Gilberto [Carvalho]: ‘Oh, Gilberto, o presidente está indo para o Peru, para o país X, eu estou te mandando hoje uma página de memória só para o presidente ler na viagem, para ele saber o que está acontecendo’".

Em 2006, Alexandrino recebeu de Marcelo Odebrecht um e-mail: "Segue ajuda memória sobre nossa atuação no Peru para ser enviada ao amigo". Mais adiante: "Deve existir uma expectativa natural por parte do Alan Garcia [presidente do Peru na época, hoje investigado por receber propinas da Odebrecht] de que não só o presidente Lula demonstre conhecer nossa atuação, como confirme a confiança que tem em nossa capacidade".

Em mensagem ao então secretário da Presidência, Gilberto Carvalho, diz Alexandrino Alencar: "Quando da última vez que o Emílio esteve com o presidente, houve comentários a respeito da situação da Venezuela. Ficou então combinado que Emílio faria umas notas para atualizar o presidente".

Emílio (ou Marcelo) Odebrecht não era o titular do Itamaraty, mas o dono da Odebrecht. Portanto, só poderia oferecer informações a Lula sobre os interesses da Odebrecht. Lula, então, rebaixou a Presidência – a si próprio - ao papel de lobista de um covil monopolista de ladrões. E em troca de propina.

Após a saída de Lula da Presidência, disse Alexandrino, "nós tínhamos regularmente reuniões trimestrais com ele. Íamos ao Instituto Lula. Éramos os quatro só. O presidente Lula, Paulo Okamoto, eu e Emílio". Foi, então, estipulado o pagamento de US$ 200 mil (duzentos mil dólares), que a Odebrechrt pagaria por "palestra" de Lula. Alexandrino Alencar disse, então, a Okamoto, presidente do Instituto Lula: "‘Paulo, eu acho importante, o presidente está precisando de recursos para ele. Vamos desenvolver um trabalho que possa ser feito nesses países’. E a primeira palestra foi no Panamá".

Mas este, evidentemente, não era o único pagamento que Lula recebia da Odebrecht.

O engenheiro Emyr Diniz Costa Junior, funcionário da Odebrecht que dirigiu as obras do sítio de Atibaia, relatou, em seu depoimento:

"O meu superior hierárquico, Carlos Armando Paschoal [superintendente da Construtora Norberto Odebrecht em São Paulo], me disse que era para eu destacar um engenheiro de confiança para mandar até o apartamento de cobertura que era utilizado pelo então presidente da República, o Lula, e que depois fosse ao sítio em Atibaia para realizar algumas reformas. Ele pediu para que fosse feito em 30 dias, para que, quando o presidente saísse da Presidência, ele pudesse usar esse sítio".

Isso foi ao fim de 2010, quando Lula ainda era presidente. Na mesma época, Emílio Odebrecht avisou a Lula, no Palácio do Planalto: "Eu disse: ‘Olhe, chefe, o senhor vai ter uma surpresa, vamos garantir o prazo que nós tínhamos dado no problema lá do sítio’".

"As obras que foram solicitadas", relatou o engenheiro Emyr Costa, "eram: a construção de uma pequena casa para alojamento dos seguranças, a construção de uma edícula com quatro suítes, a construção de duas áreas de depósitos, uma para quarto de empregada e outra para adega do presidente, a construção de uma sauna e o conserto do vazamento da piscina. E um campo de futebol".

Emyr disse ao seu chefe que "eram necessários R$ 500 mil. O Carlos Armando, então, me autorizou a iniciar o trabalho e disse que ia mandar entregar o dinheiro lá, através dessa equipe de operações estruturadas".

As obras foram, então, pagas pelo departamento de propina da Odebrecht – um setor clandestino, dentro do grupo, porque se destinava a pagamentos ilegais, sobretudo à corrupção de agentes políticos.

Os R$ 500 mil foram insuficientes para as obras. A Odebrecht, então, entrou com mais R$ 200 mil.

O contato de Emyr Costa com o dono do sítio era Rogério Aurélio Pimentel, assessor da Presidência da República. Na descrição do próprio Lula, depondo à Polícia Federal em março de 2016, Pimentel foi "segurança na minha campanha presidencial, depois ele foi trabalhar na Presidência da República".

Em 2010, portanto, Pimentel deveria estar no Planalto. Mas, relatou o engenheiro Emyr Costa, estava em Atibaia, no sítio: "semanalmente, separava mais ou menos R$ 100 mil e colocava num envelope fechado, entregava para o Frederico [Barbosa], que, por sua vez, entregava para o senhor Aurélio, para que fizesse os pagamentos. Era dinheiro de caixa dois que eu recebi e tinha autorização para gastar".

O engenheiro esclareceu aos procuradores que os recibos de material de construção apreendidos na cobertura de Lula em São Bernardo, "eram recibos que eram pagos com esse dinheiro, e esse Aurélio deve ter entregue ao Lula pra dizer ‘guarde aí’".

Para ele, foi um alívio quando a obra acabou. Mas o pior ainda estava por vir:

"Sumimos com a equipe de lá, pra não deixar rastro, como se fala. Pensei que tivesse me livrado desse problema; quando foi março ou abril de 2011 me procura outro diretor da empresa, chamado Alexandrino Alencar, e me pede pra acompanhar ele ao escritório de um advogado, chamado Roberto Teixeira. Ele me disse que era pra eu ir lá contar pro seu Roberto Teixeira como é que a obra tinha sido feita, de forma que ele pudesse bolar alguma forma de regularizar essa construção, que não parecesse que essa obra tinha sido feita pra o benefício do presidente Lula, nem tampouco pela Odebrecht".

Roberto Teixeira é, notoriamente, há muitos anos, advogado e compadre de Lula.

OCULTO

O sítio estava em nome de Fernando Bittar, que não tinha renda que pudesse pagar R$ 700 mil pelas obras que a Odebrecht fizera. Na conversa com o advogado de Lula, o engenheiro mencionou que, para realizar as obras, contratara uma pequena construtora, pertencente a Carlos do Prado:

"... aí ele [Roberto Teixeira] deu a ideia: ‘então você procura esse empreiteiro e faz esse contrato em nome do proprietário que aparece na escritura’. Naquela data, eu soube que estava em nome de Fernando Bittar. Ele [Teixeira] me orientou: ‘Faz um contrato entre contratante Fernando Bittar, contratado Carlos do Prado… coloque um valor até mais baixo’, que era para ser compatível com a possibilidade de renda do senhor Fernando Bittar. Era mais baixo do que tinha custado. Coisa de 170 mil reais".

Os documentos foram fraudados para que obras que custaram R$ 700 mil aparecessem como custando apenas R$ 170 mil – para que Lula ocultasse um patrimônio ilegal.

CARLOS LOPES

 

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