Artigo de Barghouti no NYT e o ritual israelense
de negação e engodo

 

CHEMI SHALEV*

Ao final da sua peça opinativa, no New York Times, acerca da greve dos prisioneiros palestinos, Marwan Barghouti estava com crédito original de “líder palestino e parlamentar”.

Depois de 24 horas de ultraje e condenação, sugiu uma ‘nota do editor’ concedendo que mais contextualização era necessária, apontando agora que Barghouti tinha sido condenado em “cinco sentenças por assassinato e filiação a organização terrorista”. As novas deste esclarecimento se espalharam como fogo selvagem nas redes sociais.

Aquilo foi descrito nos brilhantes termos de mais uma vitória do bem e do povo judeu contra seus eternos inimigos.

Mas, de fato, é mais um exemplo do ritual israelense - testado pelo tempo - de acentuar a insignificância em detrimento da essência, cujos passos já são amplamente conhecidos.

Em primeiro lugar se fabrica uma justa indignação sobre uma falta secundária em um artigo ou sobre uma problemática identidade do autor e depois se vai ao assalto sobe o jornal ou qualquer outra mídia que o publicou e coloca em dúvida seus motivos. Depois se exige saber como foi possível que isso tivesse acontecido e quem vai pagar o preço por isso. Dessa forma o público israelense fica absolvido da necessidade de uma real contenda com o âmago do artigo ou de uma execração pública.

No caso recente, estávamos diante das denúncias de Barghouti de que ele foi fisicamente torturado, de que quase um milhão de palestinos foram detidos ao longo de anos, de que o índice de condenações no sistema de corte militar isralense é absurdamente elevado, do questionamento de se é realmente sábio manter 6.500 prisioneiros ao mesmo tempo sob custódia e por aí vai.

O princípio norteador dessa guerra perpétua lançada por Israel e seus apoiadores contra a ‘mídia hostil’ é “Não mencionem a ocupação!”. Depois de se haver gasto tanta energia em protestos e exclamações de ‘quão impensável’, ‘quão ultrajante’, ‘como eles ousam’, resta pouco entusiasmo para considerações acerca do eterno controle sobre outro povo ou sobre o status quo maligno da visão de muitos israelenses de que este é o melhor dos mundos possíveis ou de como é sequer possível que alguém que é definido pelo ex-embaixador israelense e atual vice-ministro Michael Oren como terrorista e assassino, seja considerado por tanta gente em todo o mundo, incluindo alguns no New York Times, como um líder autêntico cujas palavras devem ser lidas e ouvidas.

ESTIGMATIZAÇÃO

Em uma entrevista na rádio das forças armadas israelenses, Oren botou a funcionar a engenhosa estratégia diversionista em plena atuação. Ele descrever o editorial de Barghouti como um “ataque terrorista midiático”. A isso acrescentou uma pincelada da teoria sobre a conspiração de marca antissemita, declarando que o NYT publicou a matéria de propósito durante a Páscoa judaica quando os líderes judaicos estão orando e assim não poderiam reagir. Para completar, recorreu às sábias palavras de seu novo oráculo, Donald Trump, descrevendo a publicação como “fake news”. E para o grand finale, Oren declarou que a única medida apropriada para os sionistas seria fechar as portas do escritório do NYT em Israel.

Desta forma, qualquer um que queira dirigir-se às denúncias de Barghouti de forma substancial, ainda que seja para esboçar críticas, está colaborando com um terrorista e permitindo o terror. É o mesmo sistema pelo qual grupos anti-ocupação, a exemplo de Quebrando o Silêncio são estigmatizados como traidores, informantes que apunhalam pelas costas, de tal forma a que ninguém leve em consideração os reais testemunhos que eles apresentem sobre a dureza da ocupação e a imoralidade de forçar o exército a condição de polícia da Cisjordânia. O que chega a ser hilário, no entanto, é que tantos israelenses e judeus estejam convencidos de que tais artigos do tipo do que foi escrito por Barghouti, que muitos leitores vêem como mais uma tediosa polêmica sobre o intratável conflito do Oriente Médio, de alguma forma causa mais dano à imagem de Israel do que um membro do governo que compara um artigo jornalístico a um ataque terrorista e que recomende ao governo israelense fechar escritórios de um jornal mundialmente conhecido.

* Articulista do jornal israelense Haaretz, de cuja coluna, Artigo de Barghouti no NYT enfrenta ritual israelense de engôdo e negação, pubicamos principais trechos
 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Capa
Página 2
Página 3

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Randolfe: “relatório de Requião parece que foi feito pela associação dos advogados dos réus da Lava Jato”

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João Santana e Mônica Moura confirmaram que propina irrigou as campanhas de Lula e Dilma

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Página 4 Página 5

Policiais invadem o Congresso:  ‘tirem as mãos da Previdência’

‘Policiais estão dando a resposta. Vamos derrotar essa PEC’, diz Bira

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Página 6

Assange: “CIA ameaça WikiLeaks para ocultar seus assassinatos”

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Liberdade para Marwan Barghouti

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Artigo de Barghouti no NYT e o ritual israelense de negação e engodo

EUA: setor de restaurantes sofre queda de 3,7% após 11 meses consecutivos de retração

Página 7

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Página 8

Nelson Werneck Sodré: a obra de José de Alencar na História - (4)

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