Fillon, Macron, Mélechon, Le Pen e Hamon posam antes de debate na TV

 

Desastre de Hollande leva a França a eleição imprevisível

Com direitos trabalhistas subtraídos por decreto, crescimento pífio de 1,1% do PIB em 2016 e com o destino do euro, no pós-Brexit, de novo
na corda bamba, a eleição deverá ir a 2º turno

Na eleição em que os dois maiores partidos - o Les Républicains e o Socialista - estão à deriva, o presidente, François Hollande, pela primeira vez em décadas sequer conseguiu se candidatar à reeleição, a cabeça sendo disputada entre a reciclada herdeira de Vichy, Marine Le Pen, e o arrivista Emanuel Macron, ex-operativo dos Rothschild e ex-ministro de Hollande, e com Jean-Luc Mélenchon, do ‘França Insubmissa’ subindo na reta final, os franceses irão às urnas neste domingo (23), com o país sob estado de emergência, direitos trabalhistas subtraídos por decreto, crescimento pífio de 1,1% do PIB no ano passado e com o destino do euro, no pós-Brexit, de novo na corda bamba. As eleições deverão ser decididas no segundo turno, no dia 7 de maio, entre os dois primeiros colocados.

A opinião praticamente unânime dos analistas é de que é uma eleição “imprevisível”.

O candidato oficial dos socialistas, Benoît Hamon, que batera nas primárias o preferido de Hollande, seu primeiro-ministro Manuel Vals, ficou pelo caminho. François Fillon (R), que inicialmente pensava que seria o beneficiário da débâcle de Hollande, viu sua candidatura encolher após as denúncias de que pagara com dinheiro público quase 1 milhão de euros à mulher e filhos, sem trabalharem, e já foi ultrapassado por Mélechon.

Ainda assim, em uma situação sem precedentes, quatro candidatos – Le Pen, Macron, Mélenchon e Fillon estão estatisticamente empatados de acordo com as últimas pesquisas, considerando a margem de erro, e qualquer um deles poderia se qualificar para a segunda volta. Mélenchon, após o ataque de mísseis à Síria, e de ter se declarado o “candidato da paz”, ganhou quatro pontos percentuais em uma semana, e chegou a 19%.

Com seu estelionato eleitoral – era o ‘candidato anti-‘austeridade’ e ‘alternativa a Merkel’ - e o assalto aos direitos trabalhistas da Lei El Khomry, a popularidade de Hollande, “l’américain”, está próxima do nível do Mar Morto. A França está sob estado de emergência há 17 meses. A ‘recuperação’ do crash de 2008 não decola: o PIB não passou de 1,1-1,2% em 2015-2016, após 0,4% em 2014 e 0,3% em 2013. O investimento permanece 25% abaixo do que era antes de 2008. A dívida pública chegou a 95% do PIB.

Um em cada dez franceses está desempregado. Entre os jovens, é ainda pior: 15%, sendo que no caso de árabes e africanos vivendo nos subúrbios de Paris, beira os 40%. Nove milhões de franceses, incluindo três milhões de crianças, vivem abaixo da linha da pobreza. No ano passado, contra o desmonte dos direitos trabalhistas para facilitar demissões e cortar benefícios, a França ficou conflagrada por meses, com greves e manifestações.

Macron formou um “movimento” novinho em folha para se candidatar, o En March (Em Marcha), para se tornar disfarçadamente o herdeiro de Hollande – se diz a ponte entre a ‘direita’ e a ‘esquerda’ – e é também o favorito de Merkel, com quem já se reuniu várias vezes. Como ministro, agiu para aprovar as famigeradas leis que facilitaram demissões e reduziram gastos sociais e pensões. Agora, promete que mais austeridade trará desenvolvimento e, além das relações mais íntimas com Berlim, quer manter as sanções contra a Rússia.

Bancos e a Medef – a Fiesp dos franceses – não escondem seu encanto com Macron. O empate na reta final de campanha estragou o mote de que Macron seria “a única alternativa” contra Le Pen, e escoadouro natural da “frente republicana anti-Vichy”, alegação que sempre funcionara em eleições anteriores.

Chega a ser anedótico que seja madame Le Pen quem tenta segurar a bandeira da “soberania francesa” contra o domínio da Alemanha. Ela também pleiteia a saída do euro – agora, via referendo. Os desastres trazidos pelo Tratado de Maastricht – contra o qual a Frente Nacional se opôs desde o início – e o euro, assim como a desfaçatez e achaque de sucessivos governos, permitiram que Le Pen angariasse apoios inclusive entre setores operários que costumavam votar com a esquerda.

Marine Le Pen buscou se afastar do que havia de mais escabroso do passado e posições de seu pai, o fundador da FN, para legitimar seu partido. Em seus discursos, assevera que uma única palavra é necessária nas negociações com a Alemanha: “Non! (não)”. Deixando de lado os judeus, o alvo agora são os muçulmanos e os refugiados, com a mesma virulência e xenofobia. A FN se opôs às guerras da Otan na Síria e na Ucrânia, mas apoiou a intervenção francesa no Mali.

SURPRESA

Mélenchon – que votou a favor do Tratado de Maastricht – e foi ministro do PS e candidato da Frente de Esquerda (FE), junto com os comunistas do PCF na eleição passada, agora, à testa da “França Insubmissa”, que alarga o que era antes a FE, promete por em questão o euro e a permanência da França sob os diktats de Berlim. Seus comícios foram num crescendo, 25 mil em Lille, 70 mil em Marselha e 120 mil em Paris.

Em Marselha, após condenar os ataques de Trump à Síria – “não tem nenhum fundamento, nenhuma legitimidade internacional e pode arrastar o mundo a uma guerra”, ele convocou a todos: “Pense bem: se você quer paz, não escolha a cédula errada na cabine de votação. Se você escolher um a favor da guerra, não fique surpreso que a guerra finalmente venha até você”. Ele também se comprometeu com a revogação da ‘reforma trabalhista’ de Hollande, aumento do salário mínimo em 16% e criação de 3,5 milhões de empregos.

A campanha de Mélenchon começou a empolgar a juventude, que comparece aos comícios com cartazes como “fora todos esses políticos corruptos que mentem para nós” e que se nega a aceitar que será “a geração que viverá pior do que seus pais”. Mélenchon também é a favor da restauração da idade mínima para aposentadoria integral, dos 65 anos impostos pela reforma previdenciária de Sarkozy, de volta para 60 anos. O que também é defendido por Le Pen. Se as promessas de Mélenchon são para valer, ou se apenas ameaça ser outro Tsipras, só o tempo dirá.

Muita coisa está em jogo na eleição na França, inclusive para onde marchará a União Europeia e o euro, e se a chamada “Europa a Duas Velocidades” aprovada na cúpula dos 60 anos em Roma irá acelerar o entrelaçamento franco-alemão, sob ocupação norte-americana, e o que fazer em relação a Trump. No quintal africano da França, as ex-colônias, Paris já deixou de lado as veleidades de cantar de galo, e após catástrofes como a de Ruanda, onde o inglês passou a ser língua oficial, já se encanta com as operações comuns no Mali e outras paragens, sob o Africom, o comando do Pentágono para a África. Na Síria, a França tem sido um dos apoiadores centrais da guerra movida contra o povo sírio e o governo Assad e foi ponta de lança da destruição da Líbia. Quanto às sanções contra a Ríssia, há grandes divisões nos círculos de poder. Em meio a isso, o povo francês vai às urnas em busca de uma saída.

ANTONIO PIMENTA
                                                           


 

 

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