Trabalhadores atenienses portam faixa contra submissão à Troika

Gregos em greve geral rechaçam arrocho.
Perdas chegam a 52,6%

 

Com o novo pacote imposto pelo FMI, UE e BC da Europa em troca de verba para pagar bancos, aposentados perdem mais 9%. Perdas acumuladas com 13o corte já somam 52,6%
 

Uma greve geral parou a Grécia na quarta, 17. Manifestantes tomaram o centro de Atenas e marcharam em direção ao parlamento onde o governo de traição de Alexis Tsipras aprova as medidas impostas pela Troika (FMI, BC da Europa e União Europeia). No confrontos na praça Sintagma (diante do Congresso grego) os confrontos, manifestantes atiraram coquetéis molotov contra policiais e acenderam sinalizadores com fumaça vermelha em direção ao parlamento.

“Precisamos de uma liderança que ame a pátria, que diga basta e exija o fim dessa divida ilegal”, proclamou Melina Kotsaki, aeromoça aposentada, que participou da manifestação diante do parlamento. Melina se aposentou recebendo 2.200 euros, porém, hoje, após a implementação dos cortes a mando da Troika, de 2010 para cá, ela passou a receber apenas 750 euros. Com as novas medidas, a partir de 2019 ela receberá 615 euros, uma redução de -18%.

O esbulho que Tsipras tem perpetrado inclui agora o “quarto memorando” da Troika, um acordo já anunciado pelo governo, que arrocha as pensões em mais de 9% na média, somando uma perda acumulada de 52,6% em seis anos. Os cortes nos programas sociais apresentados na proposta agora em discussão entre os deputados equivalem a 2% do PIB e devem vigorar entre 2019 a 2020, e acrescenta medidas antipopulares ao, “terceiro memorando” impetrado em 2015.

De 2010 para cá as pensões sofreram 12 cortes, fato que somado a grave crise vivida pelo país, colocou 45% dos aposentados abaixo da linha abaixo da pobreza.

Além disso, eleva impostos cobrados nos produtos vendidos no país. A finalidade é fazer caixa – através da miserabilização do povo – para pagar bancos a título de ‘resgate’ de uma dívida que não tem fim. A cada ‘resgate’ mais se endivida o país, mais se torra patrimônio público.

“O governo está implementando as mesmas medidas que antes combateu, eles cederam em tudo”, denunciou Yiannis Panagopoulos, líder da central sindical GSEE (Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos), que reúne trabalhadores do setor privado. Também aderiram à greve as centrais PAME (trabalhadores militantes, articulada pelos PC grego) e ADEDY que unifica os servidores públicos.

Além de paralisar Atenas e as principais cidades do país, o movimento grevista realizou manifestações em diversas cidades, reunindo dezenas de milhares de pessoas em todo o país.

A greve ocorreu um dia antes da votação do pacote no Parlamento, e contou com a adesão massiva dos trabalhadores do setor público, entre os quais estavam os trabalhadores da saúde, educação, transporte terrestre, ferroviário, marítimo e aéreo. No transporte público, a greve chegou a ter duração de até 72 horas. Também participaram da greve pequenos empresários, comerciantes e advogados. Os controladores de voo aderiram ao movimento depois de muito tempo, levando ao cancelamento de 185 voos no país. Com a adesão, centenas de repartições públicas, sede dos ministérios, escolas e museus permaneceram fechados.

O motivo para a pressa do Parlamento na aprovação do arrocho adicional de 2019 se deve a liberação do empréstimo de 7 bilhões de euros, para que dessa forma, em julho, o governo do país evite o calote e consiga pagar mais uma parcela da colossal dívida que foi forçada a assumir para salvar os bancos alemães, franceses, além de fundos norte-americanos, todos envolvidos com a especulação dos títulos da dívida grega.

“Nos enganaram. Acreditávamos em suas promessas” de por fim aos desmandos contra o povo, afirmou o mecânico Nikos Moustakas (71), aposentado depois de trabalhar 38 anos. “Perderam o meu apoio”, completou. O auxiliar de enfermagem, Kostas Kekas, aposentado que recebe 700 euros por mês, também concorda que os atuais políticos não oferecem esperanças de melhora. “A única coisa que faria sentido seria um governo para lutar para Grécia abandar os memorandos e lutar pelo povo, sem ficar pensando apenas em seus interesses”.

Para cumprir as exigências dos bancos, a medida do governo busca um superávit primário de 3,7% do PIB, medida criminosa contra um país sob grave situação social, com uma economia que se retraiu cerca de -27% nos últimos anos e com 25% da população desempregada. Quando os dados se referem aos jovens, o desemprego chega a 50%. Em comunicado apoiando a greve geral, o Partido Comunista grego (KKE), apontou que “qualquer coisa que o governo diga sobre reformas sem custo fiscal e com contramedidas é apenas uma tentativa de enganar as pessoas, que não convence ninguém”.

A condição dos trabalhadores se agravou muito depois de 2015, quando o governo Tsipras traiu o programa para o qual foi eleito, e ao invés de acabar com o que chamava de “austericídio”, ignorou o referendo onde o povo disse não a Troika e se tornou o novo feitor dos bancos no país.
 
 

GABRIEL CRUZ

 

 

 

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