Boicote, desinvestimento e sanções a Israel
em defesa dos palestinos
 

OMAR BARGHOUTI*

"É possível...
é possível ao menos às vezes...
é possível especialmente agora...
montar num cavalo dentro da cela de um cárcere
e fugir
é possível que os muros do cárcere desapareçam
e que a cela se torne uma terra distante
sem fronteiras”

Mahmud Darwish**
 

No dia 15 de maio é lembrado o 69º aniversário da Nakba (catástrofe) de 1948, a expulsão generalizada dos palestinos de nossa pátria. Entre 750 mil e um milhão de palestinos se converteram em refugiados entre 1947 a 1949 pela ação dos paramilitares sionistas e, posteriormente, das forças israelenses para estabelecer um Estado de maioria judaica na Palestina.

O Comitê Nacional da Campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) faz um chamamento às pessoas conscientes de todo o mundo para que sigam intensificando as campanhas de boicote a fim de que se acabem os vínculos-cúmplices acadêmicos, culturais, desportivos, militares e econômicos com o regime de ocupação colonial e de apartheid israelense. Este é o meio mais eficaz de respaldar o povo palestino, de apoiar nossos direitos inerentes, segundo a ONU, e de resistir de maneira não violenta a atual intensificação da Nakba.

O regime israelense segue executando, sem piedade, a única estratégia constante de seu projeto colonial: o saque e a colonização simultânea da maior quantidade possível de terras palestinas e a limpeza étnica progressiva de tantos palestinos quanto seja possível, sem que isso provoque sanção internacional alguma.

Seguindo os passos de todos os governos anteriores de Israel, o atual, de extrema direita, o mais abertamente racista da sua história, acata as palavras do líder sionista Ze'ev Jabotinsky, que escreveu em 1923: “Qualquer população nativa do mundo resiste aos colonos sempre e quando tenha a mínima réstia de esperança que pode libertar-se do perigo de ser colonizado. A colonização sionista ou se detém ou continuará sem levar em conta a população nativa. Isso significa que somente pode continuar e se desenvolver sob a proteção de um poder que seja independente da população nativa, atrás de um muro de ferro que a população nativa não possa romper”.

Depois de 69 anos de desenraizamento e desapropriação sistemática e premeditada da maioria dos árabes-palestinos pelos bandos sionistas e, mais tarde, pelo Estado de Israel, a Nakba não terminou. O propósito israelense é construir seu “muro de ferro” também nas mentes palestinas e não somente em nossas terras, servindo-se de seus assentamentos ilegais, de seu muro de cimento no território palestino ocupado, através do cerco genocida de mais de dois milhões de palestinos em Gaza, de seu rechaço ao direito ao retorno, de suas leis e políticas racistas contra os palestinos do interior de Israel, e do violento incremento da limpeza étnica em Jerusalém, no Vale do Jordão e no Negev. Israel não economiza a brutalidade quando tenta gerar em nossa consciência, de maneira incansável e desesperada, a futilidade da resistência e a vaidade da esperança.

A atual greve de fome – seguida por mais de mil e quinhentos presos palestinos nos cárceres israelenses - e o apoio popular que está recebendo nos dão esperança. Da mesma forma que o aumento do respaldo ao BDS por entidades internacionais – como a Confederação de Sindicatos da Noruega, representando mais de 910 mil trabalhadores - para “um boicote internacional econômico, cultural e acadêmico a Israel” pelos direitos palestinos.

Que nenhum dos 26 nomeados ao Oscar aos que o governo israelense ofereceu uma viagem de 55 mil dólares tenham aceito o presente, e que seis dos 11 jogadores da Liga Nacional de Futebol (a maior liga de futebol americano do mundo) tenham rechaçado um encontro similar em Israel, nos dão esperança.

O BDS conseguiu em pouco tempo aumentar o preço da conivência empresarial com os crimes de Israel contra o povo palestino. Tem obrigado a multinacionais do tamanho da Orange (telefonia) e Veolia (gestão de água e energia) a colocarem fim à sua cumplicidade e forçado a que o gigante internacional G4S (de segurança patrimonial) comecem a abandonar o mercado israelense. Igrejas, Prefeituras, entidades e milhares de pessoas em todo o mundo se comprometeram a boicotar a Hewlett Packard (HP) por seu arraigado encobrimento da ocupação e do apartheid. Isto nós dá muita esperança.

A decisão da Prefeitura de Barcelona de pôr fim à cumplicidade com a ocupação junto a dezenas de municipalidades do Estado espanhol que se declararam “zonas livres do apartheid israelense”, nos dá esperança.

O desinvestimento em bancos israelenses e em empresas internacionais cúmplices, que mobilizou algumas das igrejas mais importantes dos Estados Unidos, como a Igreja Metodista Unida, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos e a Igreja Unida de Cristo, nos dá esperança.

A difusão da campanha do BDS, com destaque reconhecidamente eficaz, vai da África do Sul a Coreia do Sul, do Egito ao Chile, e do Reino Unido aos Estados Unidos, nos dá uma esperança real.

As coalizões intersetoriais que estão surgindo em muitos países e que reconectam organicamente a luta pelos direitos palestinos com as diversas lutas internacionais pela justiça racial, econômica, de gênero, climática e indígena, nos dão uma imensa esperança.

Em 1968, 20 anos depois da Nakba, ainda que sem relação com ela, Martin Luther King disse: “Não pode haver justiça sem paz e não pode haver paz sem justiça”. Durante sete décadas e contra todo prognóstico, temos seguido afirmando nosso direito inalienável à auto-determinação e a uma paz genuína, que só pode vir da liberdade, da justiça e da igualdade.

Porém somos conscientes de que, para alcançar esta paz justa, devemos nutrir nossas esperanças numa vida digna com o compromisso ilimitado de resistir à injustiça, resistir à apatia e, de maneira crucial, resistir aos desesperados “muros de ferro” de Israel.

Neste contexto, o movimento internacional do BDS, dirigido pelos palestinos, com seu impressionante crescimento e inquestionável impacto, é hoje um componente indispensável da resistência popular e a forma mais promissora de solidariedade internacional com a luta por nossos direitos.

Nenhum de seus muros de ferro poderá ofuscar o sol nascente de nossa emancipação.

*O autor do artigo é um dos criadores do movimento Boicote Desinvestimento e Sanções
** Mahmud Darwish é o maior poeta palestino
 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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