Incêndio foi um massacre de responsabilidade das corporações da construção, denuncia o deputado inglês, David Lammy

Webb: ‘Cortes neoliberais fazem de prédio londrino tragédia anunciada’

O arquiteto Sam Webb, especialista em prevenção de incêndios, já fornecera ao governo, estudo sobre riscos de material inflamável revestindo centenas de prédios ingleses e falta de equipamento contra fogo

O arquiteto londrino, Sam Webb, reagiu prontamente às notícias do incêndio que varreu uma torre residencial de 24 andares no bairro de Kensington: “Uma tragédia anunciada”.

Especialista em prevenção de incêndios, Sam Webb, em 2006, entregou ao governo inglês um informe denunciando os riscos de incêndio que centenas de prédios populares corriam (e ainda correm) em toda a Inglaterra. Webb, destaca que o material mais barato usado, tanto para revestimento quanto para isolamento térmico em muitos prédios ingleses traz elevados riscos de rápida propagação do fogo.

Referindo-se ao inferno em que se tranformou o edifício londrino Grenfell Tower, no qual pereceram ao menos 12 pessoas, o deputado trabalhista, avid Lammy (que tem um amigo entre os, até o fechamento desta edição, desaparecidos) invectivou que a catástrofe do prédio Grenfell foi um “massacre corporativo” e exigiu: “Francamente é preciso prender os responsáveis”.

Os moradores, cientes dos riscos, de que o prédio eram “uma armadilha mortal”, pediram providências à Prefeitura, através da sub prefeitura de Kensington e Chelsea (Kensington and Chelsea Tenant Management Organisation – KCTMO), mas o pedido “caiu em ouvidos moucos”, segundo denunciaram sobreviventes.

O prefeito na época da solicitação, Boris Johnson, é atual secretário de Estado da Inglaterra no governo de Theresa May.

A enfermeira Virgínia, moradora do bairro se disse “raivosa” com a KCTMO depois de ver muitos amigos que moravam no prédio afetados pela devastação. “Não há alarme de incêndio, sprinklers (dispositivo que esguicha água diante de fumaça), só havia uma via de entrada e saída”, afirmou a moradora.

Os questionamentos se avolumam sobre as oportunidades perdidas de prevenir estas mortes pelo fogo e asfixia, depois que foram noticiados informes de que diversos ministros foram avisados diversas vezes sobre o material usado nas recentes restaurações através das quais corporações de construção usaram material inflamável para obter superlucros.

Não só na Inglaterra, mas na França, Austrália, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, e EUA houve graves incêndios conectados aos compostos destes tipos de painel de revestimento compostos de alumínio e polietileno.

Segundo o jornal The Guardian, testemunhas da tragédia afirmaram que o fogo se espalhou rapidamente pela fachada do prédio.

Três anos atrás, outro especialista em prevenção de incêndios, Arnold Tarling, alertou, em uma reunião do Instituto Britânico de Padrões, o British Standards Institute de que “este tipo de revestimento pega fogo” e que um desastre ocorreria na Inglaterra com um grande número de mortes. O conselheiro governamental, Brian Martin, estava entre os presentes.

“Há ainda incontáveis prédios ingleses também estão recobertos com este material” destacou Traling em entrevista ao Telegraph.

“Nós precisamos mudar as regulamentações e mudar as pessoas que assessoram o governo”, acrescentou.

O arquiteto, Sam Webb, destacou ainda: “Nós descobrimos, altamente disseminadas, falhas de segurança, mas simplesmente nos disseram que nada podia ser feito, pois ‘as mudanças fariam com que muitos ficassem sem teto”.

Webb desancou os cortes neoliberais e a entrega dos controles ao ‘mercado’: “Eu realmente não acho que a indústria da construção entende ou quer entender como o fogo se comporta nos edifícios e quão perigoso pode ser. A mania do governo de desregulamentar tudo significa que nossos padrões atuais de segurança simplesmente não são bons o suficiente”.

A deputada trabalhista, Emma Dent Coad, recém eleita pelos distritos de Kensington e Chelsea, ativista por moradia, declarou ao Guardian que o desastre é “imperdoável”.

“Eu não posso deixar de pensar que materiais de baixa qualidade e padrões de construção insuficientes tiveram parte decisiva neste horrível evento”, declarou.

A deputada também se referiu a desastre similar acontecido no prédio Lakanal House, localizado no bairro londrino de Southwark em 2009.

“Não se aprendeu nada com aquela tragédia na qual seis pessoas morreram. Se o governo tivesse agido em cima daquele desastre, no mínimo haveria sprinklers e alarmes de incêndio no Grenfell Tower”, concluiu.
 

NATHANIEL BRAIA
 

 

 

 

 

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