Fósforo branco usado em Mossul é proibido por queimar corpos até o osso e atingir mais de 800 ºC

 

EUA lança bombas de fósforo branco contra cidade de Mossul

O general neozelandês a serviço do Pentágono no Iraque, Hugh McAslan, confirmou em entrevista que tropas dos EUA usam fósforo branco em Mossul. Essa é uma arma banida internacionalmente

A denúncia que vinha sendo feita desde novembro passado, de que os EUA estavam usando bombas de fósforo no ataque à segunda maior cidade iraquiana, Mossul, - e portanto contra uma área densamente povoada - foi confirmado pela primeira vez por um general a serviço do Pentágono, o neozelandês Hugh McAslan, em entrevista na terça-feira (13), em que candidamente asseverou que era para garantir “a segurança” dos civis em fuga. O fósforo branco, que queima até o osso enquanto houver oxigênio ou até se esgotar e chega a uma temperatura de mais de 800 graus, tem uso proibido contra concentrações de civis e é considerado uma arma incendiária. No dia 2, um ataque com bombas de fósforo branco em Mossul foi registrado pela agência fotográfica Getty, fazendo com que até mesmo entidades com conhecidos vínculos com o establishment em Washington, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, viessem a público se manifestar.

“Não importa como o fósforo branco é usado, representa um alto risco de danos horríveis e duradouros em cidades lotadas como Raqqa e Mossul e quaisquer outras áreas com concentrações de civis”, disse Steve Goose, diretor de armamentos da HRW. O uso de bombas de fósforo também foi cometido pelos EUA na cidade síria de Raqqa que, como Mossul, está sobre controle do Estado Islâmico. Conforme a Anistia Internacional, o fósforo branco pode causar “feridas horríveis, queimando profundamente nos músculos e nos ossos” e mesmo semanas após disparado ou lançado pode se reativar e causar mais danos. Também é perigoso se inalado. Conforme o Pentágono, só usa as bombas de fósforo branco para ‘iluminar’ ou fazer ‘cortina de fumaça’.

Em novembro, quando apareceram as primeiras provas de que, como fizera em Faluja em 2004 durante a invasão do Iraque, a aviação norte-americana estava despejando bombas de fósforo branco contra Mossul, a Anistia havia afirmado que tal uso nas proximidades dos centros populacionais “constitui um ataque indiscriminado e pode ser um crime de guerra”. Na semana passada, a entidade ‘Raqqa Está Sendo Massacrada Silenciosamente’ divulgou vídeo mostrando um ataque norte-americano com fósforo, deixando uma esteira de fogo. Também a agência de notícias estatal síria Sana noticiou o ataque, com base em depoimentos de ativistas e testemunhas.

Posteriormente, o Washington Post registrou o tipo de bomba de fósforo usada em Raqqa, série M825 de 155 mm. A HWR disse depois não ter podido verificar de forma “independente” se houve baixas civis - uma preocupação que não tinham quando acusavam Assad. Há ainda outros vídeos mostrando incêndios iniciados pelo fósforo branco. Militares norte-americanos também têm postado nas redes sociais fotos mostrando o manejo de munições de fósforo branco.

Como a ONU reiterou, a libertação das áreas sob controle dos terroristas não pode ser desculpa para novos crimes contra os civis que tanto têm sofrido sob o jugo dos extremistas. Conforme a comissão de inquérito do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a ofensiva sobre Raqqa resultou “numa enorme perda de vidas civis” e 160 mil pessoas tiveram de abandonar suas casas. Mesmo o HWR sentiu necessidade de registrar que “a batalha de Raqqa não pode ser feita só para derrotar o EI, mas também proteger e ajudar os civis que sofreram às mãos do EI nos últimos três anos e meio”.

No final de maio, o chefe dos direitos humanos das Nações Unidas, Zeid Ra’ad al Hussein, alertou sobre os bombardeios indiscriminados contra Raqqa e outras áreas. Como o do dia 14 de maio, em Al Akershi, em que foram mortos 23 camponeses, incluindo 17 mulheres. “Os mesmos civis que sofrem bombardeios indiscriminados e execuções sumárias do EI também estão sendo vítimas de ataques aéreos”, advertiu Zeid. “O número crescente de civis mortos ou feridos já causado por ataques aéreos em Deir-ez-Zor e Al-Raqqa sugerem que precauções insuficientes podem ter sido tomadas nos ataques”, acrescentou. “Só porque o EI possui uma área não significa que menos cuidados podem ser tomados. Os civis devem sempre ser protegidos, seja em áreas controladas pelo EI ou por qualquer outra parte”.

“CALIFADO SALAFISTA”

Como se sabe e está estampado num relatório do DIA (A ‘CIA’ do Pentágono), o Estado Islâmico era o fruto esperado do projeto de ‘califado salafista’ destinado a facilitar a derrubada do governo Assad e a divisão da Síria - mas saiu de controle e agora está na mira do Pentágono (que, quando se apresenta a oportunidade, não descarta aproveitá-lo para mais uma estocada contra Damasco ou para semear o caos mundo afora).

A tomada da maior parte de Mossul se deu em meio a bombardeios que, só num dia, mataram soterrados centenas de civis que tinham sido orientados a ficar em suas casas. Há um risco enorme pairando sobre o ataque a Raqqa, que é feito pelos EUA sem permissão do governo legítimo sírio nem da ONU, como manda a lei internacional. A organização inglesa de monitoramento de vítimas civis Airwars, afirmou que nos três meses anteriores a junho mais de 600 civis foram mortos ali em mais de 150 ataques dos EUA e seus bandos: 284 mortes civis em março, 215 em abril e pelo menos 220 em maio. Já nos primeiros oito dias de junho, dezenas de civis foram mortos em ataques aéreos e de artilharia. Em maio, o número de ataques aéreos declarados em torno de Raqqa mais que duplicou do mês anterior, de 116 para 289.

ANTONIO PIMENTA

 

 

 

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