Cabral confirmou que recebeu dinheiro de empresários, mas ‘não era propina’

Sérgio Cabral possuía contas
no exterior com US$ 120 milhões

Segundo doleiros Chebar, esquema de Cabral era muito maior do que eles supunham. “Comecei a não dar conta do serviço”, disse em depoimento

Em novo depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, nesta terça-feira (11), os irmãos doleiros Renato e Marcelo Chebar afirmaram manter em contas no exterior US$ 120 milhões do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).

Os irmãos Chebar procuraram o Ministério Público Federal (MPF) e revelaram que havia recursos ocultos de Cabral fora do país. A delação deles deu origem à Operação Eficiência, que investiga esquemas de propina envolvendo o empresário Eike Batista e Cabral.

Renato Chebar apontou que esse não foi o valor total enviado ao exterior. O saldo chegou a esse montante porque eram feitos investimentos que rendiam dinheiro, como, por exemplo, a compra de ações. No final de junho, no primeiro depoimento que prestou a Bretas, Renato tinha dito que o esquema de Cabral era maior do que ele supunha e que ele era uma célula dentro de uma estrutura muito maior.

O montante de dinheiro obtido pelo esquema cresceu tanto que virou um transtorno para Renato Chebar. “Comecei a não dar conta do serviço. O esquema ficou grandioso para mim”, disse. O doleiro confirmou ter operado para Cabral o dinheiro de corrupção no período de 2007 a 2014, quando o peemedebista foi governador do Rio, mas já operava contas de Cabral no estrangeiro desde 2000.

Renato Chebar contou em seu depoimento que recebia de operadores de Cabral, em seu escritório no Rio, dinheiro vivo, que convertia em crédito em contas no exterior. Segundo ele antes de Cabral virar governador, a entrada de dinheiro era de cerca de R$ 150 mil mensais. A partir de 2007, passou a variar de R$ 450 mil a R$ 1 milhão por mês.

“Neste período, fiquei com medo de guardar aquele dinheiro todo. Como ia transportar com segurança? Eu não tinha um esquema de segurança, carros fortes. Era um esquema muito maior do que eu tinha condição. Não tinha como buscar e andar no Rio com esse dinheiro. Deus me livre… Terceirizei e subcontratrei”, disse Renato.

Renato afirmou que prestava contas a Cabral três vezes ao ano, no apartamento do peemedebista. Já a Carlos Miranda, operador de Cabral também preso, as prestações eram três vezes por semana.

O doleiro afirmou também que fazia pagamentos de boletos de despesas rotineiras da família de Cabral. A uma agência de viagens em Londres, chegou a repassar 200 mil libras pelo peemedebista, em seis pagamentos, segundo relatou ao magistrado.

Quando fizeram a delação premiada, os irmãos apontaram as contas de Cabral, do ex-secretário de Governo, Wilson Carlos, e do operador Carlos Miranda no exterior. O saldo nelas, que foi devolvido, era de US$ 100 milhões. Parte desses recursos foi devolvida ao governo do estado e serviu para pagar o 13º de aposentados e pensionistas.

Os irmãos faziam o trabalho de coletar dinheiro em vários pontos da cidade em endereços de fornecedores do Estado. Marcelo Chebar contou que em uma certa oportunidade, os irmãos foram orientados por Carlos Miranda, operador de Cabral, a recolher R$ 1 milhão de um prédio em Botafogo, onde funcionariam escritórios de duas empreiteiras: Andrade Gutierrez e Odebrecht. Lá, acabaram recebendo R$ 5 milhões de reais, que foram incorporados ao caixa da corrupção.

Os irmãos Chebar ganhavam entre 1 e 1,2% por cada operação de transferência de recursos para fora do Brasil.

Na segunda-feira (10), em depoimento a Bretas, Cabral negou mais uma vez ter recebido propina e, pela primeira vez, falou especificamente sobre a acusação de que cobrava 5% do valor dos contratos das obras do governo do estado como propina.

“Nunca houve propina. Houve apoio. Vejo que o Ministério Público se refere a delatores que falam que pedi 5%. Nunca houve 5%. Que 5% é esse? Que história é essa de que esses 5% era algo que vigia no governo? Que maluquice é essa?”, disse ele, na audiência da Operação Mascate.

O ex-governador admitiu também ter tido uma conta no exterior no fim da década de 1990. Ele confirmou que tinha quase US$ 2 milhões num banco em Nova York e que a origem do dinheiro era sobra de campanha. Cabral negou, no entanto, que o dinheiro devolvido pelos doleiros seja dele e disse ter ficado feliz do dinheiro ter sido devolvido ao governo do estado. “Não tenho nada a ver com esses recursos”. “Fico feliz que esse dinheiro tenha voltado, tenha sido repatriado”, disse.

 
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