"Não deixem esses crimes serem enterrados", diz relatório pungente da Anistia

Mossul arrasada pelas bombas
ianques: 1 milhão de desalojados
 

A ordem no assalto final era tomar a cidade, a segunda maior do Iraque, “o mais rápido possível e por quaisquer meios” sem se preocupar com os civis. 38 bairros destruídos total ou parcialmente

Em relatório divulgado na terça-feira (11) intitulado “A qualquer preço, a catástrofe civil em Mossul”, a Anistia Internacional – que nas palavras de um analista é sempre ‘muito cautelosa’ ao lidar com os EUA – afirmou que quase 6 mil civis foram mortos na operação para tomar a segunda maior cidade iraquiana e pediu uma “investigação independente” sobre os crimes de guerra ali ocorridos. A coordenadora humanitária da ONU no Iraque, Lisa Grande, na quinta-feira (6), havia feito uma estimativa de “oito mil civis mortos ou feridos”, quase um milhão de pessoas desabrigadas e 38 bairros total ou parcialmente destruídos, além de 16 com danos de menor monta. No assalto final a Mossul-oeste, última parte da cidade ainda sob controle do Estado Islâmico, participaram a aviação norte-americana e de vassalos, tropas governistas supervisionadas por oficiais norte-americanos e forças especiais dos EUA.

“O número verdadeiro de mortos possivelmente jamais será conhecido”, assinala a Anistia, que acrescenta que a população de Mossul foi submetida a “uma aterradora barragem de fogo de armas que nunca devem ser usadas em áreas civis densamente povoadas”. O total de mortos registrado no relatório é o da entidade inglesa Airwars (“Guerras Aéreas”), que monitora áreas sob bombardeio aéreo, e afirma que houve 5.805 civis mortos entre 19 de fevereiro e 19 de junho de 2017. Só no intervalo de quatro dias, num bombardeio aos bairros de Al Jadida, Yarmouk e Mansour, foram mortos mais de 600 civis, com famílias inteiras soterradas sob as casas atingidas pela aviação ianque. O relatório avaliou em “centenas” as mortes de civis atribuídas aos jihadistas.

BOMBAS DE 500 LIBRAS

Nas três últimas semanas, os ataques aéreos foram particularmente intensificados para impulsionar o assalto final a Mossul-oeste. A Cidade Velha, coração da antiga Mossul, foi praticamente arrasada por mísseis e bombas e quase nenhum prédio residencial ou comercial restou intacto. Há um mês atrás, e após a chacina de Al Jadida, a Anistia, a Airwars e outras entidades haviam denunciado “o uso de bombas de 500 libras ou mais” nos ataques nas áreas “densamente povoadas” de Mossul e afirmado que “tais ataques militares desproporcionais são proibidos pelo direito internacional”. No mesmo período, veio a público que a aviação norte-americana estava usando bombas de fósforo contra as áreas civis. Aos ataques aéreos, somaram-se os ataques com artilharia pesada. A estimativa de 8 mil civis mortos ou feridos da ONU só leva em conta as pessoas transferidas para hospitais e clínicas de primeira linha.

Como assinalou o comentarista Marwa Osman em entrevista à RT, houve desde o início a intenção deliberada de encobrir o morticínio em Mossul: “vimos uma proibição da [presença da] mídia desde que a ofensiva em Mossul começou – eles não permitiam que ninguém tirasse fotos ou saísse com relatórios sobre o que estava acontecendo”. Quando espocaram as denúncias sobre a matança nos ataques aéreos, o porta-voz do Pentágono, general Stephen Townsend asseverou que as baixas civis eram “bastante previsíveis” por causa do local apinhado e da intensidade da luta. A seção inglesa da Anistia considerou absolutamente insólita a recente declaração do ministro da Defesa de Londres de que os 700 ataques de aviões ingleses contra Mossul não haviam causado um só civil morto.

O relatório da Anistia cita o depoimento de uma das 600 vítimas de abril, Yasen Al Tenak: “Meu filho Rami, de seis anos, foi atirado da porta da sala para a cozinha. Eu corri pela rua gritando o nome das minhas irmãs, mas ninguém respondeu. Eu cheguei até à casa, e estava completamente destruída. Então nós começamos a cavar até achá-las. Tinham estado sob os destroços por 13 dias”. Ele acrescentou que haviam recebido a orientação de panfletos despejados pelos aviões americanos para ficar em casa e pendurar roupas de criança no telhado de forma que soubessem que havia ali uma família: “as roupas de criança estavam no telhado quando o foguete atingiu a minha casa”.

Em suma, repetiu-se em Mossul o modus operandi ianque já visto na Coreia, Vietnã e, antes, no Iraque, particularmente em Faluja, no assalto de 2004 conduzido pelo general, que agora encabeça o Pentágono, ‘Mad Dog’ Mattis: terra arrasada e mortos a granel sob os escombros. O assalto final foi precedido por um cerco de oito meses, em que a população teve cortado o fornecimento de água potável, a eletricidade, remédios e alimentos, enquanto a infraestrutura de uso civil era devastada pelos bombardeios.

DEVASTAÇÃO

É terrível a situação dos quase um milhão de desabrigados, que estão precariamente dispostos em 19 campos nos arredores de Mossul, subsistindo, como afirma um relatório, com pouco mais do que “trigo e água da chuva”. Com a destruição imposta a Mossul, milhares de famílias dos bairros mais severamente devastados poderão jamais conseguir voltar aos seus lares, na avaliação da coordenadora humanitária da ONU. Não têm casas para onde voltar. “É quase inimaginável o que essa gente passou”, afirmou Grande.

A tomada de Mossul – por assim dizer, o mais recente crime de guerra nos EUA no Iraque -, foi festejada pelo presidente Trump, que a declarou como uma “vitória sobre os terroristas que são inimigos de todos os povos civilizados”. O cerco foi iniciado sob Obama. O primeiro-ministro do governo sucessor daquele que a ocupação norte-americana instalou, e que opera sob uma ‘constituição’ sectária escrita em Washington, Haider Al Abadi, também se gabou.

Como se sabe, o EI entrou em Mossul sem dar um tiro, o governador em fuga, os soldados governistas despindo a farda e saindo de fininho e a população achando que ia ser um pólo de resistência ao governo fantoche. Os títeres em Bagdá até chegaram a pensar em fugir. Mas como registrou aquele relatório do serviço secreto do Pentágono, tratava-se só do “principado salafista” – ou “califado”, como preferiram os jihadistas, rompendo com a resistência do Baas aos colaboracionistas.

A bem da verdade, apesar de toda a insanidade, os degoladores de cabeça do EI são fichinha perto da destruição trazida ao Iraque pelo imperialismo ianque sob as mentiras das “armas de destruição em massa de Sadam” – 1 milhão de mortos na invasão, meio milhão de crianças mortas sob o bloqueio, Abu Graib, o conflito sectário e limpeza étnica, e o roubo do petróleo. Se os critérios de Nuremberg fossem aplicados em relação ao Iraque, de W. Bush a Trump não haveria um só presidente americano que escapasse à condenação por cometer o “crime de guerra supremo”, que “engloba todos os demais”: a agressão não provocada a um país soberano.

  ANTONIO PIMENTA

 

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