Trump ameaça a Coreia Popular com “fogo e fúria como nunca se viu antes”, dois dias após os 72 anos de Hiroshima
 

Dois dias depois das cerimônias dos 72 anos da chacina nuclear de Hiroshima, o presidente Trump, direto de um clube de golfe, ameaçou a Coreia Popular com “fogo e fúria, como o mundo nunca viu antes”. A ameaça foi prontamente respondida por Pyongyang, que anunciou estar preparando plano para atingir a base de Guam no Pacífico, de onde partem os bombardeios estratégicos B1 ianques, que repetidamente ensaiam um ataque nuclear à Coreia Popular, como fizeram no início desta semana. Pedidos de contenção a Trump partiram de setores dentro dos próprios EUA, como o sen ador John McCain – que não é propriamente um pacifista -, líderes democratas e o ex-chefe do Pentágono do governo Clinton, William Perry, que fechou na época o acordo de desarmamento nuclear que logo em seguida o governo W. Bush rasgou.

O secretário de Estado, Rex Tillerson, tentou jogar água na fervura dizendo que “nada que eu tenha visto e nada do que eu conheço indicaria que a situação mudou drasticamente nas últimas 24 horas”, e asseverando que o povo americano “poderia ir dormir tranquilo”. O que motivou a intempestiva declaração de Trump foi uma notinha plantada no Washington Post de que a inteligência dos EUA passara a achar que a Coreia Popular já dominou a miniaturização de ogivas nucleares para uso nos mísseis que desenvolveu.

Siegfried Hecker, o último oficial americano conhecido a inspecionar as instalações nucleares da Coreia popular, disse antes da declaração de Trump que tratar Kim Jong-un como se ele estivesse prestes a atacar os EUA é impreciso e perigoso. “Alguns gostam de descrever Kim como um louco - e isso faz com que o público acredite que não há como discutir com o cara”, disse Hecker. “Ele não está louco e ele não é suicida. E ele nem sequer é imprevisível. A ameaça real é que venhamos a tropeçar em uma guerra nuclear na península coreana”.

“ERRO DE CÁLCULO”

Na análise do New York Times, “a escalada de declarações aumentou a probabilidade de guerra – talvez uma baseada num erro de cálculo, se as declarações ardentes de um lado forem mal interpretadas pelo outro”. O NYT também registrou que “a Coreia do Norte respondeu que, se for atacada, atacará as forças militares americanas em Guam”.

O jornalista Pepe Escobar analisou o novo relatório da agência de inteligência do Pentágono (DIA) e advertiu que “o mesmo “pessoal” de inteligência que trouxe para vocês, bebês retirados das incubadoras por iraquianos “malignos”, bem como armas de destruição em massa inexistentes, está vendendo a noção de que a Coréia do Norte produziu uma ogiva nuclear miniaturizada capaz de se adequar ao ICBM recentemente testado. “A inteligência americana acredita que Pyongyang agora tem acesso a até 60 armas nucleares. No terreno, os EUA na Coreia do Norte são praticamente inexistentes - então essas avaliações equivalem a adivinhação na melhor das hipóteses”.

Escobar também aponta que “Kim Jong-Un, demonizado ad infinitum, não é um idiota, e não vai entrar em um seppuku ritual atacando unilateralmente a Coréia do Sul, Japão ou território dos EUA. O arsenal nuclear de Pyongyang representa a dissuasão contra a mudança de regime que Saddam Hussein e Gaddafi não puderam contar. Só existe uma maneira de lidar com a Coreia do Norte, diplomacia”.

Em 1994, a Coreia Popular, após negociação intermediada pelo ex-presidente Jimmy Carter, fechou com o governo Clinton o chamado acordo-quadro, que congelava o programa nuclear de Pyongyang e abria caminho para seu completo desmantelamento e incluía a construção de duas centrais nucleares a água leve, o levantamento das sanções e garantias formais contra o uso das armas nucleares e o fornecimento de combustível durante a construção. Conforme o testemunho do ex-secretário do Pentágono Perry, em 1999 estava-se ao ponto de um acordo final, mas tudo virou com a chegada de W. Bush (que colocou a Coreia Popular no ‘Eixo do Mal’ e passível de ataque nuclear preventivo”. O grande objetivo de Pyongyang sempre foi a assinatura de um tratado definitivo de paz – o que existe é um armistício – que abra caminho para a reunificação.

A proposta russo-chinesa de março deste ano de “duplo congelamento”: Pyongyang suspende os testes nucleares e de mísseis, e Washington suspende as operações de grande escala de ensaio de invasão e aniquilação nuclear já havia sido proposta duas vezes antes ao goveno Obama por Kim Jong Un e completamente ignorada. Contra a Coreia, os EUA despejaram mais bombas do que durante toda a II Guerra Mundial. Perry repudiou o que chamou de “uma proclamação pelo uso em primeiro de ataque” de Trump, que chamou de “sem precedentes”, e apresentando como alternativa a negociação para congelar o status atual de Pyongyang.

ANTONIO PIMENTA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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