Relator de estimação de Temer foi da UDN, da Arena e vice de Maluf na eleição de 89

O deputado Bonifácio (PSDB-MG), "o nosso relator", segundo o Palácio do Planalto, estava mais para advogado de porta de cadeia do que um membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Retirado da CCJ pelo PSDB - que aparentemente não quer se queimar junto com Temer - ele foi reconduzido ao cargo por indicação do PSC, numa manobra palaciana. Nesta condição é que ele apresentou na última terça-feira (10) o seu relatório sobre a segunda denúncia contra Temer. Não podia fazer outra coisa senão o que fez. Recomendou o acobertamento da quadrilha e impediu o prosseguimento das investigações.

Aliás, o velho Bonifácio não está prestando seus serviços ao bando de Temer à toa. Ele tem uma longa ficha corrida como serviçal de carniceiros, bandoleiros e outros larápios da coisa e do patrimônio públicos. Foi da UDN de 1954 a 1966 e conspirou contra Getúlio. Em seguida, logo após o golpe contra Jango, com o fechamento dos partidos, ele participou da fundação da Arena, o partido da ditadura, que depois mudou de nome e virou o PDS. Ao farejar que o PSDB se tornaria a "UDN dos anos 90", virou tucano. Foi vice na chapa de Paulo Maluf na eleição presidencial de 1989. Enfim, foi essa múmia que Temer teve que desenterrar para defendê-lo.

Para livrar Temer, o relator disparou impropérios contra a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça. Ele chamou as investigações dos ladrões de "criminalização da política" por parte do MP. "É inadmissível que um partido político constitua uma organização para fins criminais. Nota-se, dessa forma, pretensa intenção da Procuradoria de fazer um ataque generalizado aos homens públicos do País, sem distinção", disse. O que tem que se notar neste caso é que ele defende, sem a menor cerimônia, que os tais "homens públicos" podem roubar à vontade, sem serem incomodados. Investigá-los é que seria o crime. Porque o que o Ministério Público está fazendo, e por isso é atacado, é provar que Temer e seus cúmplices roubaram e seguem roubando descaradamente.

"O Ministério Público toma hoje decisões "sérias", que, em razão da repercussão, dá força muitas vezes até maior do que a do próprio juiz", disse. Nesse cenário, ele avaliou que, não só o Legislativo, mas o presidente da República e os ministros ficam "fragilizados em suas competências". É isso mesmo o que ele disse. Que, ao serem investigados, os membros da quadrilha ficam "fragilizados". Não pode investigar nada. Senão fragiliza. Foi isso o que ele defendeu. "De tal maneira que o Ministério Público hoje, órgão poderoso do nosso sistema, que domina a Polícia Federal, mancomunado com o Judiciário, trouxe para o País desequilíbrio na relação entre os poderes da República", declarou o tucano.

Em seu parecer, Bonifácio afirmou ainda não encontrar "qualquer espécie de comprovação" de acusações contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, bem como a outras lideranças do PMDB, PP e PT mencionadas pela PGR na denúncia. Não foi à toa, portanto, que a bancada do PT fez, na mesma terça-feira, tantos e tão rasgados elogios ao cínico relatório de Bonifácio. Para livrar Temer da cadeia, ele acenou com a defesa de todos os demais bandidos. Isso agradou os petistas que já disseram que vão apoiar esta análise do relator.

O relatório achincalha a atuação do MP que, segundo ele, favorece "ações espetacularizadas" pelos meios de comunicação. "Espera-se que essa concepção policialesca, que em boa parte existe no MP, se traduza em posicionamento social pedagógico e que a instituição possa intervir pelo povo", disse Andrada. Para o relator, há um "desequilíbrio entre Poderes". "Mancomunado com o Judiciário, [o MP] trouxe desequilíbrio na relação entre Poderes", diz. Leia-se aqui que o que eles querem é roubar a vontade sem serem incomodados. Segundo a múmia udenista, especializada na bandidagem, o conceito de organização criminosa "não pode ser banalizado e nem usado indiscriminadamente". "Tipo penal extremamente aberto, elástico e acaba por criminalizar uma série de condutas lícitas", ressaltou. A nova tese é: roubar agora é lícito.

Michel Temer e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (ministro-chefe da Casa Civil) foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por organização criminosa e obstrução à Justiça. Segundo o Ministério Público, eles teriam recebido pelo menos R$ 587 milhões de propina dos últimos anos, oriundos de órgãos como Petrobras, Caixa Econômica Federal e Furnas. O presidente da República também foi denunciado, sozinho, por obstrução de Justiça. Temer teria cometido o crime ao, segundo a PGR, ter dado aval à compra do silêncio do ex-presidente da Câmara e hoje deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao corretor Lúcio Funaro, ambos presos.

SÉRGIO CRUZ

 
 
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Os Andradas e outros heróis da Independência do Brasil - 9