CADERNO ESPECIAL "AS CONFISSÕES DE BUKHARIN"

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Em homenagem aos 90 anos da Revolução Russa, transcorridos no dia 7, publicamos a primeira parte do depoimento de Nikolai Bukharin, ao ser julgado, em 1938, no terceiro dos chamados “Processos de Moscou”. O depoimento é reproduzido fielmente de acordo com os autos do processo, talvez o documento mais citado, mais difamado, mais deformado e menos lido da História.

Ao lê-lo, constatamos o que valem as afirmações de que os processos, em especial este, teriam sido uma encenação, um “show”, ou outras coisas que têm sido ditas por gente cuja seriedade e boa intenção é sobejamente demonstrada por essa falsificação ilimitada dos fatos.

Ainda hoje, a Revolução Russa é o marco a partir do qual se trava a luta política mundial. Isso não mudou porque houve uma restauração capitalista na URSS, assim como a restauração na França do século XIX foi incapaz de tirar da Revolução Francesa o seu caráter de referência central da luta política no mundo de então. Essas revoluções abriram novas épocas na História dos homens - e nada há que possa fazê-los esquecer disso.

Como era inevitável, contra a Revolução Russa se acumpliciaram todas as forças do antigo regime, dentro e fora da URSS, todo o rebotalho de um sistema em decomposição. Em meados da década de 30, no entanto , a revolução havia já vencido a invasão estrangeira e a sanguinária reação feudal; havia socializado a indústria; e havia coletivizado o campo, vencendo as conspirações e crimes dos kulaks, última classe exploradora.

Mas isso não tornou mais cordatos os seus inimigos. Pelo contrário, a cada vez menor audiência que encontravam na sociedade deixou-os mais histéricos e tresloucados - inclusive aqueles que, dentro do Partido Comunista e do Estado Soviético, resistiam já há longo tempo à construção do socialismo. Foi essa quinta-coluna que tornou-se, então, o foco das atenções do imperialismo que cercava a URSS, sobretudo o alemão. Aproximava-se, então, a II Guerra Mundial.

Nos primeiros dias da invasão nazista na URSS, o príncipe Mountbatten, primo do rei da Inglaterra, disse a Churchill que, ao contrário das previsões que predominavam no governo inglês, os soviéticos venceriam a guerra, porque antes haviam limpado o país da quinta-coluna. É essa a importância dos processos de Moscou.

A tradução, a partir do francês, é devida a Valério Bemfica.

C. L.

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