Mis?ias e gl?ias do xadrez (final)

Em nome de ser o "melhor do mundo", Kasparov promovia o rompimento de qualquer regra no xadrez e pretendia estar acima de qualquer organiza?o coletiva

CARLOS LOPES

Enquanto promovia, com uma cobertura maci? da m?ia, o rompimento de qualquer limite ou regra no xadrez mundial - e, n? tenhamos d?ida, a falta de limites e regras n? favorece a maior democratiza?o ou igualdade, mas submiss? a quem tem mais poder ou dinheiro - Kasparov continuava posando de libert?io: ?u n? preciso do reconhecimento de uma organiza?o burocr?ica como a FIDE. Sou o melhor do mundo e prefiro demonstr?lo nos torneios e com o reconhecimento das pessoas?

Um ?uis XIV de pacotilla? classificou Jos Luis Rescalvo, em seu artigo ?ist?ia de uma inf?ia? Com efeito.

Mas, provavelmente, pior. Em nome de ser ? melhor do mundo? ele n? pretendia, como Lu? XIV, ser a encarna?o da organiza?o coletiva. Pelo contr?io, pretendia estar acima de qualquer organiza?o coletiva - pois n? era dos entraves burocr?icos da FIDE que estava falando, mas da pr?ria FIDE como institui?o. Essa linguagem, muitos n? ter? dificuldade em reconhecer: a de considerar ?urocr?ico n? o que realmente ? mas a coletividade em si mesma, porque ela imp? limites, antes de tudo limites morais. Certamente, a coletividade s deixar de ser ?urocr?ica quando estiver submetida ao ?elhor?.. Em suma, a linguagem mais chula do fascismo.

Valery Salov tem raz? ao dizer que ?i>Kasparov um embusteiro em s?ie? Evidentemente, Salov estava falando em termos pol?icos. No entanto, a ?ica credencial de Kasparov como pol?ico sua carreira no xadrez. Portanto, estamos diante de uma quest? enxadr?tica importante: ele tem sido promovido insistentemente a melhor jogador da hist?ia, porque, segundo argumentam seus partid?ios, nenhum teria ficado tanto tempo acima de todos os outros. O fato de que nenhum outro, desde Alekhine, tenha se colocado acima de qualquer regra, n? parece aturdir esses cavalheiros. Nem, muito menos, o fato de que afastou poss?eis desafiantes e desafetos declarados, usando o poder econ?ico dos patrocinadores. E, por ?timo, nem o fato completamente in?ito de que no lugar de onde poderia vir contesta?o, os pa?es da que antes formavam a URSS, a estrutura do xadrez, principalmente a que formava os jogadores, pela primeira vez desde 1945 estava em frangalhos ou deixara de existir. Some-se a isso o apoio de uma tremenda cobertura de m?ia, dinheiro a rodo e oponentes intimidados e temos aqui as condi?es em que Kasparov se imp?.

Mas, examinemos o argumento sem outras considera?es. Veremos que tamb? n? verdadeiro: Steinitz e Lasker tiveram predomin?cia por mais tempo que Kasparov. E o fato de Capablanca ter sido campe? mundial durante apenas seis anos n? torna Kasparov melhor do que Capablanca. Ou melhor do que Fischer, campe? durante tr? anos.

Mas a nesse instante que aparece o outro argumento dos kasparovistas: o rating ELO. Vejamos o que significa.

ELO

Em 1970, a FIDE resolveu adotar, para medir a for? relativa dos jogadores, o sistema usado desde 10 anos antes pela Federa?o dos EUA (USFC), denominado ELO devido ao autor do modelo matem?ico, Arpad Elo.

? fato que a FIDE precisava de um m?odo menos subjetivo de estabelecer ratings (isto ? n?eros que expressam a for? relativa dos jogadores) do que o adotado at ent? - e optou pela proposta de Elo.

Gligoric, que esteve presente reuni? da FIDE que adotou o sistema, afirmou, em entrevista ao GM Alexander Baburin, que o pr?rio Arpad Elo, nessa reuni?, alertou sobre a necessidade de corre?es futuras, pois, por sua f?mula, os ratings tendiam infla?o. Hoje, inclusive, a maior parte das organiza?es que utilizam o sistema j incluiu corre?es para evitar distor?es maiores.

Em poucas palavras: como a base do modelo estat?tica, o significado do rating muda de acordo com a base estat?tica - o que equivale a dizer: de acordo com a ?oca. Assim, o pr?rio Elo, em seu livro ?he Rating of Chessplayers, Past and Present? de 1978, escolheu os cinco melhores anos das carreiras dos jogadores como base para estabelecer ratings. Poderia ter escolhido outra base - e o resultado seria diferente.

Reparemos que, mesmo considerando um ?ico crit?io, isso, na pr?ica, n? evita algumas deforma?es importantes: com a mesma base estat?tica, Elo concede o rating 2.690 tanto para Alekhine quanto para Smyslov quanto para Morphy. No entanto, o ?timo, Paul Morphy, um jogador norte-americano de origem hisp?ica do s?ulo XIX, simplesmente arrasou todos os seus contendores, nos EUA e na Europa, entre 1849 e 1869, vencendo 83% das partidas que disputou em competi?es, sem absolutamente ningu? que pudesse chegar perto, o que n? o caso nem de Alekhine nem de Smyslov.

Pelo menos, o professor Elo tem algum senso do rid?ulo. Usando uma base diferente, outro autor calculou uma lista dos mais altos ratings j atingidos por jogadores de hoje e de ontem, onde Mikhail Tahl est em 38? lugar, Lasker em 27?, Botvinnik em 26? e Capablanca em 27?. O primeiro, claro, Kasparov. Mas, o leitor j ouviu falar, por exemplo, em Dmitry Jakovenko? Trata-se de um promissor jovem de 24 anos, mas n? h nada que tenha feito para que esteja quatro lugares acima de Capablanca (!), cinco acima de Botvinnik (!!), seis acima de Lasker (!!!) e 17 lugares acima de Tahl!!!! (O polon? Przemek Jahr mais modesto: sua lista omite Capablanca, Lasker e Botvinnik; Tahl, no entanto, est em 27? atr? at mesmo de Kasimdzhanov e outros que, convenhamos, est? muito longe de ser grandes jogadores no sentido em que Tahl foi grande).

N? continuaremos mais a mostrar as distor?es do c?culo de rating. Resta apenas observar que, com o comercialismo desenfreado, instituiu-se uma verdadeira ditadura do rating. ? impressionante a obsess? de alguns com esse n?ero. A origem dessa obsess? evidente: cada vez mais os torneios s? organizados em fun?o dele. Algu? poderia dizer que, antes do sistema ELO, j eram. Sem d?ida necess?ia uma forma de fazer com que os enfrentamentos sejam entre jogadores de for? semelhante. No entanto, algumas das melhores coisas acontecidas em xadrez estiveram em partidas entre jogadores presumivelmente de for? diferente. Se o sistema ELO existisse na ?oca de Capablanca, como ele poderia, em 1911, ter jogado em San Sebasti?, um torneio onde passou de desconhecido para vencedor em algumas semanas? No entanto, o problema n? est essencialmente no sistema ELO, mas no modo como usado - e manipulado. No momento, a situa?o tal que at entre os Grandes Mestres cujos crit?ios para a obten?o do t?ulo foram relaxados - existem os de primeira e os segunda categoria (ou, talvez, de primeira, segunda e terceira categorias...), dependendo do rating. O que n? ajuda nem um pouco a enriquecer o desenvolvimento do jogo.

As conseq?ncias pr?icas que, no final das contas, o que importa - foram muito bem resumidas pelo GM arm?io Serguei Movsesian, um dos finalistas do mundial de 1999, em carta aberta a Kasparov, respondendo tentativa de enxovalhamento deste a essa disputa, organizada pela FIDE em Las Vegas. Por isso, transcrevemos alguns trechos:

? quest? n? ? 'por que jogam sempre os mesmos em tais torneios?', mas, 'por que devem considerar-se a elite do xadrez, quais os crit?ios que dizem que eles s? melhores que os demais mortais?'. Se nos basearmos nos ratings, ent? esses jogadores sem d?ida t? vantagem, porque ao jogar continuamente em torneios de alta categoria, sem o risco de perder pontos, redistribuem-nos entre si (....), enquanto os jogadores 'mortais' est? lutando por subir seus ratings, como obriga?o dos verdadeiros desportistas. Na realidade, voc [Kasparov] e seus fornecedores de pontos abusam das imperfei?es do sistema Elo (....). Por certo que o sistema de torneios com uma composi?o permanente de participantes j tem seguidores de '?ito', [mas] se nos basearmos na for? de jogo, n? creio realmente que os componentes da '?ite' sejam melhores que os 'mortais' (....). Creio que voc est condenado a proteger a seus favoritos, que pensam que voc Deus, sem os quais estaria obrigado a jogar com os 'plebeus'.

?i>? divertido que voc compare os acontecimentos enxadr?ticos com o t?is: 'N? posso recordar um torneio do Grand Slam sem a participa?o dos n?eros 1, 2, 3 y 4 do ranking oficial, al? do vencedor da edi?o anterior'. Mas voc se 'esquece' imediatamente de dizer o mais importante: em todos os torneios de t?is os jogadores da '?ite' come?m sua participa?o na segunda eliminat?ia e lutam pela vit?ia com os jogadores 'que andam a p?. (....) Mas o que temos no xadrez? Seus torneios de '?ite', com uma composi?o permanente de participantes, fi?s s?itos de Sua Majestade?

SOFTWARE

Voltando ao aspecto enxadr?tico, se compararmos a contribui?o de Kasparov com a de Botvinnik, Petrosian ou at mesmo Karpov, n? dif?il concluir que seu predom?io deveu-se a outros fatores que n? a profundidade estrat?ica. Este aspecto essencial do jogo ele absorveu bem, de Botvinnik e outros. Mas nunca se notabilizou por desenvolv?lo.

Ele foi o primeiro jogador, em n?el magistral (ou seja, em n?el de mestre e grande mestre), a se beneficiar do uso de computadores. Numa de suas entrevistas, diz ele que tinha armazenadas em seu computador 4 mil variantes. Se verdade ou se era uma fanfarronada, n? sabemos. Mas perfeitamente poss?el. Junto com uma mem?ia digna de um idiot savant, isso, pelo menos no come? de sua carreira, n? foi pouca vantagem - Karpov, por exemplo, at hoje parece pouco adaptado aos computadores.

Mas o significado disso est? antes de tudo, no aspecto t?ico, o aspecto em que a maioria dos softwares de xadrez consegue bom desempenho. E, realmente, Kasparov, como Alekhine, foi antes de tudo um t?ico o que n? quer dizer, evidentemente, que n? conhecesse estrat?ia (apesar do que j dissemos acima, essa ressalva necess?ia em raz? dos kasparovistas na m?ia estarem sempre dispostos a usar um mal entendido - portanto, n? venham argumentar que n? dissemos que se trata de um ignorante em estrat?ia, porque n? foi isso o que dissemos). O match de 1995 contra Anand - este um jogador mais estrat?ico, ?osicional - bem caracter?tico do que estamos dizendo.

Por?, o mais importante que, declarando-se campe? mundial por fora da FIDE, isto ? acima de qualquer regulamenta?o, Kasparov escolhia seus oponentes. Assim, em 1998, com sua associa?o algo no rid?ulo, e sem que houvesse regra alguma para apontar o desafiante ao seu suposto t?ulo, ele quis organizar um match entre Anand e o ent? jovem Vladimir Kramnik. Qual o crit?io? Como ficou evidente depois, o crit?io era a vontade dele: Anand, ele j havia derrotado uma vez e Kramnik havia sido seu ?egundo? Portanto, devia achar que enfrentar o vencedor desse match era o menor risco.

No entanto, Anand, que tinha um contrato com a FIDE, recusou. Acertou-se, ent?, um match entre Kramnik e Alexei Shirov, na ?oca em grande forma. O vencedor enfrentaria Kasparov.

Mas Shirov tinha Valery Salov como treinador. Apesar de ser um jogador excepcional, Salov teve sua carreira encurtada pelas freq?ntes recusas dos organizadores de torneios a convid?lo: esta era uma condi?o imposta por Kasparov sua pr?ria participa?o. No entanto, ele havia sido campe? mundial sub-16 (1980); campe? europeu junior (1984); primeiro lugar (empatado com Alexander Beliavsky) no Campeonato da URSS de 1987; segundo lugar (empatado com Artur Yusupov) no Campeonato da URSS de 1988 (atr? apenas de Karpov e Kasparov, que terminaram empatados em primeiro lugar); e duas vezes esteve entre os candidatos a campe? mundial (1988 e 1996).

Apesar dessa trajet?ia, como ele declarou em 2000, numa entrevista coletiva em Le?, ?i>vetado por Kasparov, n? tive um s convite nos ?timos tr? anos aqui na Espanha e praticamente nada em todo o mundo? N? era uma queixa: ?ou muito otimista quanto ? perspectivas? disse ele.

Mas, aconteceu o que Kasparov n? esperava. Shirov derrotou Kramnik. Ent?, Kasparov recusou-se a cumprir o contrato que o obrigava a enfrent?lo. Segundo suas palavras, Shirov ?? era comercial e isso dificultava conseguir patrocinadores. Al? disso, a empresa de Kasparov e associados jamais pagou a Shirov o pr?io acordado para o match com Kramnik, enquanto que este recebeu a sua parte. Em suma, o match valia, desde que o vencedor fosse quem Kasparov queria... Mas exatamente a ele se enganou: ao achar que Kramnik seria mais f?il do que Shirov.

Seja como for, esse crit?io da falta de comercialidade de Shirov nem mesmo necessita de coment?ios. Imagine-se o que seria de qualquer esporte submetido de forma absoluta a esse crit?io. No m?imo, a Ana Maria Braga seria campe ol?pica de alguma coisa.

No entanto, Shirov um daqueles t?icos espetaculares - seria dif?il achar que um jogador mais s?ido, como Kramnik, pudesse ser, nessa ?oca, mais ?omercial do que Shirov. ? inevit?el chegar conclus? de que Kasparov queria evitar o confronto com Shirov por outra raz? - sabe-se l o que podia acontecer num match com um jogador t? imprevis?el quanto ele... Em suma, o problema era medo de perder, o que n? era imposs?el - o resultado do match com Kramnik demonstrava que n? era.

Em meio a uma grita geral - Shirov, antes sovi?ico e let?, naturalizara-se espanhol e era o principal jogador de seu novo pa? - Kasparov anunciou que ?referia jogar com Anand do que com o vencedor de Kramnik. Mas Anand respondeu outra vez, e publicamente, que tinha contrato com a FIDE e era ?omem de palavra? Algo que, provavelmente, Kasparov n? entendeu. Afinal, oferecia-se um pr?io de US$ 2 milh?s, com o vencedor levando 2/3. Que hist?ia essa de palavra?, deve ter pensado.

Depois de dois anos de confus?, em que empresas-fantasmas entravam e saiam de cena, realizou-se o match entre Kasparov e Kramnik - e Kasparov perdeu.

A derrota (n? conseguiu vencer nenhuma partida, enquanto Kramnik, um excelente jogador posicional, isto ? estrat?ico, venceu a 2? e a 10?) selou o destino das siglas inventadas por Kasparov. Na verdade, nunca se tratou de um verdadeiro campeonato mundial, mas da promo?o dele como her? da rea?o numa ?ea em que os sovi?icos isto ? para todos os efeitos, os comunistas tiveram longa hegemonia.

FIDE

 Para terminar esta s?ie - que nunca pretendemos que fosse t? longa - restam algumas palavras sobre a ?oca posterior fal?cia do mercantilismo desregrado no xadrez, ?oca que ainda n? foi inteiramente superada, mas cujo per?do mais selvagem e obscurantista j ficou para tr?.

Em 1995, com o pires na m?, a FIDE mudou seu presidente. Florencio Campomanes fui substitu?o por Kirsan Ilyumzhinov, tamb? presidente da Rep?lica da Kalmykia, um pequeno pa? ? margens do Mar C?pio, antes parte da URSS e hoje integrante da Federa?o Russa (os kalm?ios n? chegam a 200 mil pessoas - somando-se os cidad?s de outras nacionalidades, principalmente russos, a rep?lica tem menos de 300 mil habitantes).

Aqui, mais uma vez, necess?io um cuidado especial para atermo-nos somente aos fatos, pois a propaganda contra Ilyumzhinov algo fenomenal. O que sabemos de seguro que ele tornou-se bilion?io da mesma forma que os outros bilion?ios da ex-URSS: apropriando-se do patrim?io p?lico. ? verdade que em rela?o ? pretens?s estrangeiras sobre o petr?eo, o g? natural e o carv?, que s? abundantes em seu pequeno pa?, ele tem mantido uma atitude de recusar a sua entrega.

Salov, que, diante da confus? no xadrez mundial, advogou a reunifica?o em torno da FIDE, ao ser interpelado sobre Ilyumzhinov pelo Mestre Internacional Ricardo Calvo, que acusava o presidente da Kalmykia, entre outras coisas, de mandar assassinar uma jornalista, por sinal, reacionar?sima, deu uma resposta interessante: ?i>O Sr. Yeltsyn, o ex-presidente da R?sia, se encarregou pessoalmente de matar cinco mil civis em outubro de 93, de fuzilar o Parlamento legitimamente eleito, violando todos os princ?ios democr?icos. E o que estavam escrevendo todos os nossos livres e democr?icos jornalistas? - que ele era a ?ica garantia da democracia na R?sia, que era algo necess?io, que havia sido um mau Parlamento (....). A esse assassino em s?ie estavam apoiando todas as for?s 'democr?icas' do mundo. (....) Ent?... Vamos deixar de demagogia (....). O Sr. Ilyumzhinov investiu mais de 20 milh?s de d?ares no mundo do xadrez. ? a ?ica diferen? que h entre o Sr. Ilyumzhinov e qualquer outro pol?ico russo e, inclusive, diria eu, qualquer outro pol?ico americano?

Que o xadrez mundial esteja dependendo, em boa parte, de Ilyumzhinov, n? a melhor coisa do universo. O pr?rio Salov, comentarista oficial da FIDE nos matches de candidatos deste ano, em Elista (capital da Kalmykia), recebeu uma censura p?lica da entidade por entrar em assuntos pol?icos ao entrevistar, para o boletim do evento, a chinesa Xie Jun, duas vezes campe mundial feminina. Salov havia comentado que ?i>o Ocidente da Europa e os EUA s? pa?es totalit?ios (...). A imprensa est totalmente controlada? Xie Jun lembrou que na China ?emos s um partido, o comunista? E Salov: ?i>Nos EUA tamb? s tem um partido, mas com dois nomes diferentes?

Realmente, era demais para Ilyumzhinov.

Apesar disso, o torneio de San Lu?, Argentina, em 2005, do qual o GM b?garo Veselin Topalov saiu campe? mundial, o match de 2006, em que Kramnik venceu Topalov, e o recente torneio da Cidade do M?ico, do qual Viswanathan Anand saiu campe?, s? fatos, como diria algu? antigo, alvissareiros e auspiciosos.

No entanto, a principal esperan? do xadrez a for? coletiva dos enxadristas. N? uma frase vazia: o movimento contra a guerra no Iraque, a que, em massa, os enxadristas aderiram, mostrou que essa for? real. Na ?oca, houve apenas uma exce?o: Kasparov, que advogou n? somente o bombardeio e a invas? do Iraque por Bush, quanto a extens? da guerra S?ia e ao Ir? Mas isso, leitores, uma voz do al?. Que o diabo se encarregue dele.

E por aqui ficamos, agradecendo a audi?cia - e a paci?cia.




03 de Outubro

A luta pol?ica, ideol?ica e propagand?tica por tr? das grandes disputas de xadrez e o papel do ex-campe? mundial, Garry Kasparov, como testa-de-ferro dos interesses da ?ligarquia e monop?ios imperialistas nas pr?imas elei?es presidenciais na R?sia

05 de Outubro

Respostas a algumas quest?s levantadas por leitores e as disputas que abriram a primeira sess? de luta pol?ica-ideol?ica da hist?ia do xadrez, s? os assuntos abordados por Carlos Lopes na continua?o do seu artigo

10 de Outubro

Esta parte do artigo analisa matches e esquivas do predecessor de Garry Kasparov na primeira demonstra?o da conviv?cia entre ?er um ? no xadrez e um cretino em outros campos da vida? o campe? mundial Alexander Alekhine

12 de Outubro A luta pol?ico-ideol?ica da guerra chega aos torneios de xadrez. Mas a propaganda anti-comunista n? teve muita alternativa no esporte onde seus inimigos tinham uma hegemonia t? grande que, de 1948 1972, todos os campe?s e seus desafiantes eram da URSS
17 de Outubro

A cruzada anti-stalinista dos kruschevistas, a partir de 1956, e sua rela?o com a campanha contra o campe? Botvinnik, que personificava uma ?oca que eles, na impossibilidade de eliminar da Hist?ia, queriam demonizar, repetindo a propaganda anti-sovi?ica da d?ada de 30

19 de Outubro

Quase na mesma ?oca em que o grande campe? sovi?ico Botvinnik v?ima de um golpe na FIDE, e pior, com a anu?cia da pr?ria equipe da URSS de Kruschev, surge na arena do xadrez a genialidade t?ica do jovem let? Mikhail Tahl

24 de Outubro

No auge da Guerra Fria, a disputa ideol?ica acirrada e invade o Torneio de Candidatos de 1962. Bobby Fischer acusa os sovi?icos de manipular os resultados. A FIDE, sob press? norte-americana, acabou com o Torneio e o substituiu por matches entre os pretendentes ao t?ulo. Se, pouco tempo antes, o FBI desconfiou que Fischer havia sido recrutado como espi? pelos sovi?icos, agora, haviam conseguido um propagandista ideal, ainda que inconsciente

26 de Outubro

Existe a tend?cia de ver o Fischer das d?adas de 60 e 70 como um instrumento inconsciente do establishment norte-americano durante a ?uerra fria? Mas sua atitude em rela?o a Cuba, pa? que, no in?io da d?ada de 60, irritava mais a casta dominante nos EUA do que a URSS, revela mais do jovem Grande Mestre do xadrez

31 de Outubro

A partir da d?ada de 60, ap? o auge de Boris Spassky, o xadrez sovi?ico passa, pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, por uma entressafra

02 de Novembro

Ainda n? totalmente claro como foram as articula?es para colocar Fischer irregularmente no Interzonal . O fato que, desde antes do Campeonato dos Estados Unidos (novembro de 1969), o manda-chuva da USCF, coronel Ed Edmonson, fazia gest?s para ter o americano como candidato ao t?ulo

07 de Novembro

A interfer?cia de Kissinger no Interzonal de Palma de Mallorca a hip?ese mais prov?el para a s?ita decis? de Fischer de aceitar as irregulares gest?s para coloc?lo na disputa

09 de Novembro

Spassky entrou no match j derrotado. N? enxadristicamente, mas ideologicamente, em meio luta ideol?ica que se tornou o match

14 de Novembro Em 1984, com o xadrez mundial regredido ? regras de 1927, Karpov, tr? vezes campe? do mundo, enfrenta a maratona contra Kasparov
16 de Novembro O car?er de Kasparov come? a ficar n?ido logo ap? o primeiro match com Karpov, ao propor que fosse declarado vago o lugar do campe?
21 de Novembro Esticar o match at exaurir o oponente era a t?ica de Kasparov. Por?, era bastante claro para ele o risco da continua?o da disputa  
23 de Novembro Na 22? partida, Karpov se aproxima do advers?io e fica a uma vit?ia do t?ulo. Com o empate da 23? partida, a decis? foi para o ?timo jogo do match
28 de Novembro Em 1993, o conflito de Kasparov com a FIDE era basicamente o conflito do mercantilismo sem limites com os freios a ele que ainda existiam
30 de Novembro Em nome de ser o "melhor do mundo", Kasparov promovia o rompimento de qualquer regra no xadrez e pretendia estar acima de qualquer organiza?o coletiva

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LULA: "OPOSI??O QUER CRIAR CPI PARA ENTRAVAR A APROVA??O DO PAC"

LULA D? TODO PODER ? FAB PARA P?R BIRUTAS DE AEROPORTO NA LINHA

LULA DIZ AOS EUA QUE RELA??O BRASIL-IR? N?O ? DA AL?ADA DE BUSH

SENADO ISOLA BUSH E COME?A A VOTAR RETIRADA DO IRAQUE

 

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LULA CONVOCA TABAR? A SE UNIR A HERMANOS E N?O AO BIG BROTHER

 

LULA A MORALES: "ANTES DE SERMOS PRESIDENTES SOMOS COMPANHEIROS"

 

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LULA CONCLAMA O PT A MANTER O RUMO E "N?O A ATIRAR NO PR?PRIO P?"

 

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DRT EMBARGA OBRA NO BURACO DE SERRA

 

"CHAVEZ FOI ELEITO 3 VEZES DA FORMA MAIS DEMOCR?TICA"

 

MEIRELLES TRAVA QUEDA DE JUROS PARA SABOTAR PLANO DE CRESCIMENTO

 

PAC: LULA ANUNCIA INVESTIMENTOS DE R$ 500 BILH?ES NO DESENVOLVIMENTO

 

OMISS?O, GAN?NCIA E NEGLIG?NCIA FIZERAM RUIR O T?NEL DO METR?

 

SANHA PRIVATISTA GERA TRAG?DIA NAS OBRAS DA LINHA 4 DO METR?-SP

 

LULA SUSPENDE A PRIVATIZA??O DAS RODOVIAS FEDERAIS

 

EUA INTIMA FANTOCHES A VOTAR LEI DO ASSALTO AO PETR?LEO IRAQUIANO

 

LINCHAMENTO DE SADDAM EXIBE MIS?RIA MORAL DE BUSH E SUA KLAN