Caderno Especial 1- A construção do socialismo na URSS: 1 2-3  4-5  6-7 8

Caderno Especial 2- A construção do socialismo na URSS: 1 2-3  4-5  6-7 8
 

Naturalmente este fato não podia deixar de fortalecer o espírito de resistência dos kulaks contra a política do governo soviético. E, com efeito, os kulaks começaram a oferecer uma resistência cada vez mais severa. Começaram a se negar em massa a vender ao Estado Soviético a sobra de trigo, que se acumulava em grandes quantidades nos seus celeiros. Começaram a empregar o terror contra os kolkhosianos e contra os ativistas do Partido e dos Soviets na aldeia, começaram a tocar fogo nos kolkhoses e nos centros de aprovisionamento de cereais do Estado.

O Partido via claramente que, enquanto não se esmagasse a resistência dos kulaks, enquanto estes não fossem derrotados em campo aberto à vista dos camponeses, a classe operária e o Exército Vermelho não teriam pão em quantidade suficiente, e o movimento kolkhosiano não adquiriria um caráter de massa.

Seguindo as normas traçadas pelo 15º Congresso, o Partido passou à ofensiva franca contra os kulaks. Nesta ofensiva, o Partido punha em prática a palavra de ordem de lutar decididamente contra os kulaks, apoiando-se firmemente nos camponeses pobres e reforçando a aliança com os camponeses médios. Como resposta à negativa dos kulaks em vender ao Estado a sobra do trigo pelo preço da tabela, o Partido e o governo aplicaram uma série de medidas extraordinárias contra os kulaks e puseram em prática no artigo 107 do Código Penal, no qual se estabelecia o confisco judicial da sobra do trigo aos kulaks e especuladores que se negassem a vendê-la ao Estado pelo preço da tabela, e concederam aos camponeses pobres uma série de franquias, em virtude das quais se punha à sua disposição 25 por cento do trigo confiscado aos kulaks.

Estas medidas extraordinárias surtiram seu efeito: os camponeses pobres e médios se engajaram na luta aberta contra os kulaks, estes ficaram isolados, e a resistência dos kulaks especuladores foi esmagada. Em fins de 1928, o Estado Soviético dispunha já de reservas suficientes de trigo e o movimento kolkhosiano avançava com mais firmeza.

Neste mesmo ano, se descobriu uma grande organização de sabotagem formada por técnicos burgueses, no setor de Shajti, na bacia do Donetz. Estes sabotadores mantinham estreitas relações com os antigos proprietários das empresas – capitalistas russos e de outros países – e com a espionagem militar estrangeira. Tinham-se proposto como objetivo fazer fracassar o desenvolvimento da indústria socialista e facilitar a restauração do capitalismo na URSS. Dirigiam mal os trabalhos de exploração nas minas, com o objetivo de diminuir a extração de hulha. Destroçavam as máquinas e os aparelhos de ventilação, provocavam desmoronamentos, destruíam e incendiavam as minas, as fábricas e as centrais elétricas. Ao mesmo tempo dificultavam o melhoramento da situação material dos operários e infringiam as leis soviéticas sobre a proteção do trabalho.

Estes sabotadores foram levados ante os Tribunais, onde receberam o que mereciam.

O Comitê Central chamou a atenção de todas as organizações do Partido para o processo dos sabotadores e as convidou a deduzir os ensinamentos que encerrava. O camarada Stalin assinalou que os bolcheviques que trabalhavam no setor da economia deviam familiarizar-se pessoalmente com a técnica da produção, para que daí por diante nenhum sabotador saído das fileiras dos técnicos burgueses pudesse enganá-los, e destacou que era necessário acelerar a preparação de novos quadros técnicos saídos da classe operária.

Por resolução do Comitê Central, aperfeiçoou-se a preparação de novos especialistas nas escolas técnicas superiores: milhares de homens filiados ao Partido e às Juventudes Comunistas, e homens sem partido, fiéis à causa da classe operária, foram mobilizados para cursar estas escolas.

Antes que o Partido passasse à ofensiva contra os kulaks, enquanto estava ocupado na liquidação do bloco trotskista-zinovievista, o grupo de Bukharin-Rykov se manteve relativamente tranqüilo, permanecendo à margem como reserva das forças contrárias ao Partido, sem se decidir a apoiar abertamente os trotskistas, e às vezes chegando inclusive a intervir contra eles em união com o Partido. Porém, logo que este passou à ofensiva contra os kulaks e tomou as medidas extraordinárias contra eles, o grupo Bukharin-Rykov tirou a máscara e começou a atuar abertamente contra a política do Partido. A alma de kulak dos componentes deste grupo não pôde agüentar mais, e estes começaram a intervir, abertamente, em defesa dos kulaks. Exigiam que fossem abolidas as medidas extraordinárias, assustando os bobos com a ameaça de que, em caso contrário, sobreviria uma “regressão” da agricultura e afirmando que esta regressão já havia começado. Não percebendo o desenvolvimento dos kolkhoses e dos sovkhoses, isto é, das formas mais elevadas da agricultura, vendo o retrocesso das fazendas dos kulaks, apresentavam tendenciosamente a regressão destas fazendas como a regressão da agricultura. Com o fim de reforçar suas posições teoricamente, arranjaram a divertida “teoria da extensão da luta de classes”, afirmando, baseados nesta teoria, que quanto mais êxito lograsse o socialismo em sua luta contra os elementos capitalistas, mais se iria enfraquecendo a luta de classes, que esta não tardaria a se extinguir totalmente e o inimigo de classe entregaria todas as suas posições sem luta, razão pela qual não havia porque empreender a ofensiva contra os kulaks. Com isso, ressuscitavam sua desacreditada teoria burguesa sobre a incorporação pacífica dos kulaks ao socialismo e achincalhavam a conhecida tese leninista, segundo a qual a resistência do inimigo de classe revestirá formas tanto mais agudas, quanto mais sentir o terreno vacilar sob meus pés, quanto maiores êxitos obtiver o socialismo, por cuja razão a luta de classes só poderá “extinguir-se” quando o inimigo de classe for aniquilado.

Não era difícil compreender que o Partido tinha diante de si, no grupo Bukharin-Rykov, um grupo oportunista de direita, que só se diferenciava do bloco trotskista-zinovievista pela forma: os trotskistas e zinovievistas contavam com certas possibilidades para disfarçar seu fundo capitulador com frases esquerdistas, com frases retumbantemente revolucionárias sobre a “revolução permanente”, enquanto que o grupo Bukharin-Rykov, que se tinha levantado contra o Partido ao passar este à ofensiva contra os kulaks, já não tinha a possibilidade de cobrir com uma máscara sua face capituladora e se via obrigado a defender as forças reacionárias do país soviético e, sobretudo, os kulaks, abertamente, sem retóricas nem disfarces.

O Partido compreendeu que mais tarde ou mais cedo, o grupo Bukharin-Rykov acabaria estendendo a mão aos restos do bloco trotskista-zinovievista, para lutar conjuntamente contra o Partido.

Ao mesmo tempo em que atuavam politicamente, o grupo Bukharin-Rykov “trabalhava” no terreno da organização para reunir seus adeptos. Através de Bukharin, ia se agrupando a juventude burguesa. Indivíduos do tipo de Slepkov, Marietki, Aijenwald, Goldenberg e outros; através de Tomski, os dirigentes burocratizados dos sindicatos (Melnichanski, Dogadov, etc.); através de Rykov, um punhado de dirigentes degenerados dos Soviets (A. Smirnov, Eismont, V. Schmidt, etc). Juntavam-se a este grupo, de boa vontade, os elementos politicamente degenerados e que não escondiam suas idéias capituladoras.

Naquele tempo, o grupo Bukharin-Rykov viu-se reforçado por um punhado de dirigentes da organização do Partido em Moscou (Uglanov, Kotov, Ujanov, Riutin, Yagoda, Polonski e outros). É preciso advertir que uma parte dos elementos direitistas se mantinha resguardada, sem atuar abertamente contra a linha do Partido. Nas colunas da imprensa do Partido e nas reuniões do Partido, pregavam a necessidade de fazer concessões aos kulaks, a conveniência de não os sobrecarregar de impostos, expunham a carga esgotadora que a industrialização trazia para o povo e o caráter prematuro da organização de uma indústria pesada. Uglanov se manifestou contra construção da central elétrica do Dnieper, exigindo que os recursos destinados à indústria pesada se investissem na indústria leve. Este e outros capituladores de direita afirmavam que Moscou era e continuaria sendo a Moscou das fábricas de percal, que não havia necessidade de lá construir fábricas de construção de maquinaria.

A organização do Partido em Moscou desmascarou Uglanov e seus adeptos, ameaçou-os pela última vez e cerrou ainda mais as fileiras em torno do Comitê Central do Partido. No Pleno do Comitê de Moscou do PC (b) da URSS, celebrado em 1928, o camarada Stalin assinalou a necessidade de lutar em duas frentes, concentrando o fogo contra o desvio direitista. Os direitistas são, disse o camarada Stalin, os agentes dos kulaks dentro Partido.

“O triunfo do desvio direitista dentro de nosso Partido libertaria as forças do capitalismo, solaparia as posições revolucionárias do proletariado e aumentaria as possibilidades de restauração do capitalismo em nosso país” – disse o camarada Stalin (“Questões do leninismo”, ed. russa, pág. 234).

No começo de 1929, se tornou claro que Bukharin, por mandato do grupo dos capituladores de direita havia estabelecido ligação com os trotskistas, através de Kamenev, e preparava um acordo com eles para lutar conjuntamente contra o Partido. O Comitê Central desmascarou esta situação criminosa dos capituladores de direita e os advertiu de que o assunto podia terminar mal para Bukharin, Rykov, Tomski, etc. Porém os capituladores de direita não cederam. Levantaram-se dentro do Comitê Central com uma nova plataforma anti-bolchevique, com uma declaração que foi condenada pelo Comitê Central. Este lhes fez uma nova advertência, lembrando-lhes a sorte que teve o bloco trotskista-zinovievista. Apesar disso, o grupo Bukharin-Rykov, prosseguiu no seu trabalho contra o Partido. Rykov, Tomski e Bukharin apresentaram ao Comitê Central a demissão de seus cargos, acreditando que com isto assustariam o Partido. O Comitê Central condenou esta política de sabotagem dos demissionários. Por fim, o Pleno celebrado em novembro de 1929 pelo Comitê Central declarou que a propaganda das idéias dos oportunistas de direita era incompatível com a permanência no Partido e dispôs que Bukharin, paladino dirigente dos capituladores de direita, fosse destituído de seu posto no Bureau Político do Comitê Central, e que se chamasse seriamente à atenção de Rykov, Tomski e demais adeptos desta oposição.

Os corifeus dos capituladores de direita, vendo que a coisa tomava mau aspecto, subscreveram uma declaração reconhecendo seus erros e a justeza da linha política do Partido.

Os capituladores de direita tinham decidido recuar provisoriamente, para evitar que seus quadros fossem esmagados.

Assim terminou a primeira etapa da luta do Partido contra os capituladores de direita.

As novas discrepâncias existentes dentro do Partido não passaram desapercebidas para os inimigos exteriores da URSS Interpretando as “novas discórdias” produzidas dentro do Partido como um sinal de enfraquecimento deste, fizeram uma nova tentativa para arrastar a URSS para a guerra e fazer fracassar a obra da industrialização do país que não estava consolidada. No verão de 1929, os imperialistas provocaram o conflito da China contra a URSS, a ocupação pelos militaristas chineses da Estrada de Ferro do Leste da China (que pertencia à URSS) e a agressão das tropas brancas chinesas contra as fronteiras da Pátria Soviética no Extremo-Oriente. Porém o assalto dos militaristas chineses foi liquidado rapidamente; os militaristas se retiraram, derrotados pelo Exército Vermelho, e o conflito terminou mediante um convênio de paz com as autoridades da Manchúria.

A política de paz da URSS triunfava uma vez mais, apesar de tudo, apesar dos manejos dos inimigos exteriores e das “discórdias” intestinas do Partido.

Não tardaram em se reatar as relações comerciais e diplomáticas da URSS com a Inglaterra, que haviam sido rompidas pelos conservadores ingleses.

Ao mesmo tempo em que rechaçava com êxito os ataques dos inimigos exteriores e interiores, o Partido desenvolveu um grande trabalho destinado a acelerar a edificação da indústria pesada, organizar a emulação socialista, organizar sovkhoses e kolkhoses e, finalmente, preparar as condições necessárias para aprovar e pôr em prática o primeiro, Plano qüinqüenal da Economia nacional soviética.

Em Abril de 1929, se reuniu a 16ª Conferência do Partido. O problema principal examinado foi o do primeiro Plano Qüinqüenal. A Conferência rechaçou a variante “mínima” do Plano Qüinqüenal, que os capituladores de direita defendiam, e aprovou como obrigatória, sob quaisquer condições, a variante “máxima”.

Foi aprovado, pois, pelo Partido, o célebre primeiro Plano Qüinqüenal de edificação do socialismo.

Segundo o plano, o volume das inversões de capital na economia nacional durante os anos de 1928 a 1933, seria de 64 bilhões de rublos. Destes, 19 bilhões se investiriam na indústria, incluindo a eletrificação, 10 bilhões nos transportes e 23 bilhões na agricultura.

Era um plano grandioso, destinado a equipar a indústria e a agricultura da URSS com a técnica moderna.

“A missão fundamental do Plano Qüinqüenal – assinalava o camarada Stalin – consistia em criar em nosso país uma indústria, capaz de equipar de novo e reorganizar, não só a indústria em sua totalidade, mas também os transportes e a agricultura, na base do socialismo”. (Stalin, “Questões do Leninismo”, pág. 485, ed. russa).

Apesar da grandiosidade, este Plano não era, para os bolcheviques, nada inesperado nem surpreendente. Era o que vinha preparando toda a marcha do desenvolvimento da industrialização e da coletivização. Vinha-o preparando aquele entusiasmo do trabalho que se apoderou dos operários e camponeses antes mesmo do Plano Qüinqüenal e que encontrou a sua expressão na emulação socialista.

A 16ª Conferência do Partido aprovou um apelo a todos os trabalhadores sobre o desenvolvimento da emulação socialista.

A emulação socialista revelou exemplos maravilhosos de trabalho e da nova atitude ante ele. Em muitas empresas e nos kolkhoses e sovkhoses, os operários e kolkhosianos apresentaram contra-planos. Realizaram maravilhas de heroísmo no trabalho. Não só executavam, mas ultrapassavam os planos de edificação socialista, traçados pelo Partido e pelo governo. Mudaram as idéias do homem a respeito do trabalho. O trabalho deixou de ser uma carga forçada e esgotadora, como era sob o capitalismo, para se converter “numa questão de honra, de glória, de valentia e de heroísmo” (Stalin).

Por todo o país se desenvolvia a nova e gigantesca edificação industrial. Empreendeu-se a construção da Central elétrica do Dnieper (o “Dnieprogués”). Na bacia do Donetz se empreendeu a construção das fábricas de Kramatorsk e Gorlovka e a reconstrução da fábrica de locomotivas e Lugansk. Surgiram novas minas e altos fornos. Nos Urais, se construíram a fábrica de maquinaria do Ural e os combinados químicos de Berenski e Solikanisk. Começou-se a construção da fábrica metalúrgica de Magnitogorsk. Empreendeu-se a construção de grandes fábricas de automóveis em Moscou e Gorki. Construíram-se gigantescas fábricas de tratores, de ceifadoras-trilhadoras, e em Rostov-sôbre-o-Don se levantou uma fábrica formidável de maquinaria agrícola. Desenvolveu-se a segunda base carbonífera da União Soviética: a bacia do Kuznietsk. Em 11 meses se levantou na estepe, em Stalingrado, uma formidável fábrica de tratores. Na construção da Central elétrica do Dnieper e da fábrica de tratores de Stalingrado, os operários bateram os recordes mundiais da produtividade do trabalho.

A história não tinha conhecido jamais uma nova edificação industrial de tão gigantesca envergadura, um entusiasmo tal pela nova edificação, tanto heroísmo no trabalho das massas de milhões de homens da classe operária.

Era uma verdadeira onda de entusiasmo de trabalho da classe operária, desenvolvida na base da emulação socialista.

Esta vez, os camponeses não ficaram atrás em relação aos operários. Também no campo começou a se desenvolver o entusiasmo de trabalho das massas camponesas, na organização dos kolkhoses. As massas camponesas começaram a marchar resolutamente pelo caminho kolkhosiano. Para isto contribuíram consideravelmente os sovkhoses e as estações de máquinas e tratores dotadas de tratores e de outras máquinas agrícolas. As massas camponesas fluíam aos sovkhoses e às estações de máquinas e tratores, viam como trabalhavam estes e as máquinas agrícolas, manifestavam seu entusiasmo e decidiam ali mesmo ingressar nos kolkhoses”. Os camponeses, espalhados em pequenas e diminutas explorações individuais, carentes de apetrechos e de força de tração mais ou menos regulares, privados da possibilidade de arar as grandes terras baldias, em uma perspectiva de melhoramento de suas explorações, mergulhados na miséria e no isolamento, entregues as suas próprias forças, encontraram por fim uma saída, o caminho para uma vida melhor: com a agrupação de suas pequenas explorações em kolkhoses, com os tratores, capazes de arar todas as terras, por “duras” que fossem, todos os terrenos baldios; com a ajuda do Estado em forma de maquinaria, de dinheiro, de homens e de conselhos; com a possibilidade de se livrar das garras dos kulaks, aos quais o Governo Soviético tinha feito morder o pó recentemente, fazendo-os curvar a cabeça para satisfação das massas de milhões de camponeses.

Eis a base sobre a qual começou e se desenvolveu depois o movimento kolkhosiano de massas, movimento que se intensificou especialmente em fins de 1929, imprimindo aos kolkhoses um ritmo de desenvolvimento sem precedente nem mesmo na própria indústria socialista.

Em 1928, a superfície semeada dos kolkhoses era de 1.390.000 hectares; em 1929, tinha passado a ser de 4.262.000 hectares, e em 1930, os kolkhoses contavam já com a possibilidade de planificar o cultivo de 15 milhões de hectares.

“É preciso reconhecer – dizia o camarada Stalin em seu artigo intitulado “O ano da grande transformação” (1929), referindo-se ao ritmo de desenvolvimento dos kolkhoses – que este ritmo impetuoso de desenvolvimento não tem precedente nem mesmo em nossa indústria socialista, cujo ritmo de desenvolvimento se caracteriza por sua grande envergadura”.

Era uma virada no desenvolvimento do movimento kolkhosiano.

Era o começo do movimento kolkhosiano de massas.

“Que é que há de novo no atual movimento kolkhosiano?” perguntava o camarada Stalin em seu citado artigo. E respondia:

“O que há de novo e decisivo no atual movimento kolkhosiano é que agora os camponeses não ingressam nos kolkhoses por grupos isolados, como ocorria antes, senão por aldeias inteiras, por municípios, por distritos e até por departamentos. Que significa isto? Significa que aos kolkhoses começaram a afluir em massa os camponeses médios. Tal é a base sobre a qual repousa essa transformação radical no desenvolvimento da agricultura, que constitui a conquista mais importante do poder soviético...”

Isto significava que a tarefa de liquidação dos kulaks como base da coletivização total, ia amadurecendo ou já estava madura.

 

A situação internacional durante os anos de 1930 a 1934 – A crise econômica nos países capitalistas – Ocupação da Manchúria pelo Japão – A subida dos fascistas ao poder na Alemanha

 

Enquanto a URSS conseguia êxitos importantes na industrialização socialista do país e desenvolvia num ritmo rápido sua indústria, desencadeava-se nos países capitalistas, em fins de 1929, recrudescendo nos três anos seguintes, uma crise econômica mundial sem precedentes por sua força destruidora. A crise industrial entrelaçava-se com a crise da agricultura, com a crise agrária, piorando ainda mais a situação dos países capitalistas.

Enquanto a indústria da URSS., durante os três anos de crise (1930-1933), cresceu de mais do dobro, atingindo em 1933 a 201% em relação ao seu nível de 1929, a indústria dos Estados Unidos decresceu, em fins de 1933, 65% em relação ao nível de 1929, a da Inglaterra 86%, a da Alemanha 66% e a da França 77%.

Esta circunstância vinha demonstrar mais uma vez a superioridade do sistema da economia socialista. Evidenciava que o país do socialismo é o único país do mundo que está livre de crises econômicas.

Como resultado da crise econômica mundial, foram lançados à fome, à miséria e ao suplício, 24 milhões de operários desempregados. A crise agrária condenava ao sofrimento, dezenas de milhões de camponeses.

A crise econômica mundial veio agravar ainda mais as contradições entre os Estados imperialistas, entre os países vencedores e os países vencidos, entre os Estados imperialistas e os países coloniais e dependentes, entre os operários e os capitalistas, entre os camponeses e os latifundiários.

No informe prestado perante o 16º Congresso do Partido o camarada Stalin assinalou que a burguesia procuraria a solução para a crise econômica, de um lado na repressão contra a classe operária, mediante a instauração da ditadura dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas, mais imperialistas do capitalismo, e de outro lado, no desencadeamento da guerra pela partilha das colônias e das zonas de influência à custa dos interesses dos países mal defendidos.

E, com efeito, assim sucedeu.

Em 1932 recrudesceu o perigo de guerra por parte do Japão. Os imperialistas japoneses, vendo que as potências européias e os Estados Unidos estavam completamente absorvidos pelos problemas internos de seus países, criados pela crise econômica, decidiram aproveitar essa ocasião para tentar lançar-se sobre o território chinês, mal defendido, submeter esse país ao seu império e converter-se ali em donos da situação. Sem declarar guerra à China e aproveitando-se de forma canalha dos “incidentes locais” por eles mesmos provocados, os imperialistas japoneses introduziram furtivamente suas tropas na Manchúria. As tropas japonesas apoderaram-se completamente da Manchúria, assegurando posições favoráveis para a anexação do Norte da China e para o ataque à URSS Para ter as mãos livres, o Japão retirou-se da Sociedade das Nações e começou a armar-se intensamente.

Essa circunstância levou os Estados Unidos, a Inglaterra e a França ao reforço de seus armamentos navais no Extremo Oriente. O Japão vinha perseguindo, claramente, o objetivo de submeter a China ao seu império e eliminar dali as potências imperialistas européias e norte-americana. Estas responderam ao golpe reforçando seus armamentos.

Mas o Japão tinha em vista, além disso, outra finalidade: apoderar-se do Extremo-Oriente Soviético. Como é lógico, a URSS não podia passar por cima de semelhante perigo e começou a reforçar intensamente a capacidade defensiva da região do Extremo Oriente.

Graças, portanto, aos imperialistas japoneses fascistizados foi que se criou no Extremo Oriente o primeiro foco de guerra.

A crise econômica não acentuou as contradições do capitalismo somente no Extremo Oriente. Acentuou-as também na Europa. A pertinaz crise agrária e industrial, o enorme desemprego forçado e a situação cada vez mais precária das classes pobres contribuíram, para aumentar o descontentamento dos operários e camponeses. O descontentamento foi crescendo até converter-se num estado de indignação revolucionária da classe operária. Esse descontentamento acentuou-se especialmente na Alemanha, país economicamente esgotado pela guerra, pelas contribuições que lhe tinham sido impostas em proveito dos vencedores anglo-franceses e pela crise econômica, e onde a classe operária vivia oprimida sob o jugo de sua própria burguesia e da burguesia estrangeira, anglo-francesa. Testemunho eloqüente disso eram os seis milhões de votos obtidos pelo Partido Comunista da Alemanha nas últimas eleições para o Reichstag, realizadas antes da subida dos fascistas ao poder.

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