logo.gif (2326 bytes)

Delator do Planalto insulta as vítimas

Além do caso do BID, é um traidor do país, colocando-o nas mãos do FMI e devastando o patrimônio público

De quem Fernando Henrique está falando, ao berrar histérico, delirante, alucinado, literalmente cuspindo na audiência, que "tem gente cuja corda na mão é de Silvério dos Reis e não de Tiradentes. Não têm a coragem de enfrentar os problemas e buscam refúgio na falsidade, buscando ginásticas mentais para fazer de conta que estão fazendo"? É tão evidente que até quase nos sentimos desobrigados de responder: dele mesmo, em cada palavra e em cada vírgula. Não há ninguém neste país a quem caiba de forma tão justa, precisa e adequada tal descrição.

Alguém que acaba de delatar - como o mais rastejante dos "cachorrinhos" e alcaguetes - dois Estados brasileiros ao Banco Mundial para que este cortasse financiamentos, rigorosamente em dia, para projetos sociais, não poderia fazer melhor descrição de si mesmo: alguém mais zeloso pelos interesses do Banco Mundial do que pelos do Brasil, e até mesmo mais zeloso pelos interesses do Banco Mundial do que o próprio Banco Mundial, que não tinha se manifestado até então.

Mas como todo delator, todo traidor e todo psicopata, ele não consegue falar de si mesmo senão atribuindo sua torpeza a outros - mais precisamente, a quem é o oposto dessa torpeza. Naturalmente, não há novidade alguma em um micróbio dessa cepa expor seu lixo interno tentando lançá-lo sobre outros.

Silvério dos Reis é o nome da traição na história brasileira, assim como Judas Iscariotes o é na história mundial.

No entanto, é forçoso reconhecer, ele não é o maior traidor que já apareceu por aqui, embora tenha sido tão asqueroso quanto o que hoje o ultrapassa nesse repulsivo campeonato.

Há cinco anos, Fernando Henrique era, na política, um elemento a caminho da porta da rua. Estava, como sempre, "buscando refúgio na falsidade", embora nem mesmo exibia mais aqueles espetáculos que se assemelhavam, mas pouco tinham a ver, com ginástica, muito menos mental - porque sempre lhe faltou esse atributo. Em suma, aquela verborréia imbecil que o fez notório.

Quem o salvou da rua da amargura foi o presidente Itamar Franco. Natural, aliás, que um homem de caráter, tal qual Itamar, não percebesse então o que os tios de Fernando Henrique e seu próprio pai, generais da campanha do petróleo, levaram anos de convivência para chegar à dolorosa conclusão, e mesmo assim parcialmente: tratava-se de alguém desprovido de qualquer caráter. Talvez seja a coisa mais difícil para quem tem caráter, perceber que possa existir quem não o tem.

Nos dispensamos de recapitular a série de traições de Fernando Henrique em relação a Itamar. Não é à toa que ele falou em Silvério dos Reis precisamente quando Itamar, em entrevista no dia anterior, havia mencionado o exemplo de Tiradentes - aquele que o povo relembra como o herói que lutou até às últimas consequências para que o Brasil fosse livre da dominação externa.

Porque Fernando Henrique é um traidor do país - e, no fundo, sabe disso. Durante os últimos quatro anos se dedicou de forma sôfrega e irracional a destruir o Estado nacional; a doar o patrimônio, o Tesouro e as riquezas nacionais; a devastar a indústria, a agricultura e o comércio nacionais; a sufocar a cultura, a ciência e a pesquisa nacionais; a sucatear as Forças Armadas nacionais.

Não existe aqui outro exemplo de traição semelhante. Perto disso, Silvério e Calabar eram uns aprendizes de capacho. Fernando Henrique não possui, nem nunca possuiu qualquer idéia própria. Nunca fez nada, exceto "fazer de conta que está fazendo" - e disso não existe demonstração mais escandalosa do que a de entregar o Banco Central diretamente aos especuladores e a economia ao FMI, depois de seu servilismo ter conduzido à catástrofe que nunca, jamais em tempo algum, iria acontecer, quando qualquer lógica elementar dizia que aquele era o caminho mais certo, seguro e inevitável para ela.

Em apenas uma palavra, um castrado. A covardia é para ele, não uma segunda, mas uma primeira natureza. Logo em seguida ao seu ataque histérico, quando perguntado sobre quem era o Silvério dos Reis de que tinha falado, respondeu como uma lesma que acha que pode falar o que quer e não assumir nada do que faz nem do que fala: "eu espero que ninguém".

Nunca teve "coragem de enfrentar os problemas" sejam de que ordem fossem ou sejam - e, sobretudo, os seus. E não é por acaso que usou exatamente essa expressão - é evidente a relação dela com suas atuais confusões conjugais, como resultado de sua incapacidade para enfrentar seus próprios problemas, que fizeram sua esposa ir para Paris. Mas até a isso não consegue se referir sem jogá-lo sobre outros, refugiando-se na falsidade, ou seja, fugindo.

É claro, portanto, o motivo dele ficar - ainda que atribuindo a outros como faz qualquer psicopata - se retratando de corpo inteiro em público: ele está, ainda que não consiga admitir, se sentindo como é - um silvério-dos-reis, um covarde que se refugia na falsidade, um intelectual de fancaria dado a contorcionismos verbais, os quais confunde com ginástica mental, um faz de conta total, incapaz de enfrentar qualquer problema, a começar pelos seus.

Não há mais nada, em verdade, a que ele possa se agarrar para sustentar para si mesmo essa pantomina: uma maravilhosa economia baseada no vento, um forte país sem Estado, sem indústria, sem propriedade nacional, um povo satisfeitíssimo em morrer de fome, um mundo de pessoas submissas a ele, uma pose de saber tudo, quando não sabe rigorosamente nada - de suas fantasias patológicas, ou seja, de suas alucinações, nada sobrou da ilusão de que tenham algo a ver com a realidade, reduzidas ao que são: fantasia, doença e alucinação. Por isso, descobriu uma corda na mão de Silvério dos Reis. Na verdade, ela estava na mão de Judas - que dela fez bom uso. Mas falta-lhe até mesmo essa medíocre coragem.

CARLOS LOPES

Voltar

Paginas: 1 2  3  4  5  6  7  8

 

Converse com Editor

Páginas desta edição 
1 2 3 4 5 6 7 8
Índice
 Biblioteca
1992 2000
1993 2001
1994 2002
1995 2003
1996 2004
1997 2005
1998 2006
1999 2007
Matérias Especiais
Cartas
Assinatura

Caderno Especial

O assassinato de Máximo Gorki

1 2

Caderno Especial Historia do PCUS

1 2
Expediente