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Fernando Henrique é desgoverno e caos

Nunca houve tanta devastação, falências, desemprego, miséria e desindustrialização como agora

Fernando Henrique revelou, em entrevista à CBN, sua nova descoberta: a de que o desemprego atual no Brasil está dentro da "taxa histórica". Como se pudesse haver alguma coisa de "histórico" na fome, na miséria, nos despejos, na mortalidade infantil e nos idosos lutando para sobreviver. Nada há de mais anti-histórico - ou seja, de mais anti-humano.

Mas até mesmo a sua idiotice "histórica" é, além disso, uma mentira: nunca o desemprego foi tão grande no Brasil, desde 1930. Nunca, desde aquela época, houve tantas falências - em suma, uma desindustrialização e devastação econômica tão grande.

Não é à toa, portanto, que ele recorre a frases altissonantes e palavras que nada querem dizer senão o contrário dos fatos. São destes fatos que ele quer fugir, são estes fatos que ele quer esconder.

Daí, a sua encenação de que sem ele seria o caos. Até hoje, não houve um satrapazinho de meia-tigela que, em apuros, não tenha recorrido à palhaçada de que "se não me deixarem continuar a roubar e matar vocês de fome, será o caos". Afinal, como é que o povo pode viver sem ter o couro arrancado a cada dia? Realmente, é o caos, mas para eles: piolhos e outros parasitas é que não podem existir sem ter a quem sugar.

O que todos eles, exatamente como Fernando Henrique, têm a esconder, é, somente, que já levaram seu país ao caos - ou o colocaram no caminho para ele - e, portanto, o que é urgente fazer é tirá-lo do caos. Para isso, a primeira condição é tirá-los do poder. É essa verdade óbvia que a encenação de Fernando Henrique pretende ocultar.

Desindustrialização, desemprego, devastação da agricultura, epidemias se espalhando, escolas fechadas, a total omissão diante da seca do Nordeste, a revolta social se alastrando. O caminho mais certo, seguro e inevitável para uma comoção social de dimensões gigantescas é a continuação desse estado de coisas. A situação atual é insustentável. O país vai em direção à catástrofe - e não há aqui nenhuma figura de linguagem.

O desastre, nos últimos três anos e meio, foi tal que hoje qualquer oscilaçãozinha na Bolsa de Honk Kong, Malásia, Tonga Tonga ou seja lá onde for, provoca um desespero nas Bolsas de São Paulo e Rio. Nada há, evidentemente, de inevitável nisso. É unicamente a consequência mais visível da invasão especulativa, improdutiva, estéril e parasitária, uma vez que o governo deixou a economia nacional sem defesa alguma e, ao contrário, lançou os juros na fronteira final, ou seja, no espaço sideral, precisamente para "atrair" saqueadores externos.

A outra consequência é a queda nas reservas, aquelas mesmo em torno das quais o governo tanto fez alarde - e que não passam de fumaça, capital especulativo de curto prazo, pronto a evadir-se em carreira desabalada a qualquer momento, seja por farejar algum perigo, seja para cobrir buracos em outra parte do mundo levada à quebra por essa mesma política, seja simplesmente porque os juros aumentaram nos EUA ou outro lugar que eles considerem mais seguro.

No quinto país do mundo, dotado de recursos e de um parque industrial poderoso - como nenhum outro além dos países capitalistas centrais - subsidiou-se as mercadorias importadas através de uma taxa de câmbio burocraticamente engessada; para cobrir o déficit resultante do encarecimento das exportações e barateamento das importações, lançou-se às nuvens os juros; com isso, provocou-se a quebradeira das empresas nacionais, sufocadas pelos juros e pelo subsídio cambial aos concorrentes externos; milhões de pessoas foram para a rua e não conseguem mais emprego.

Ao mesmo tempo, assinou-se um "acordo" sobre a dívida externa que aumentou as transferências para os bancos externos a um nível inédito; entregou-se as reservas do país à guarda dos próprios especuladores, para que as usem para especular aqui dentro; em suma, drenou-se o Tesouro Nacional para eles.

Ainda mais, doou-se riquezas naturais incalculáveis e o patrimônio nacional, com a entrega da Vale, do setor elétrico, de três dos maiores bancos privados nacionais e, agora, da telefonia, pagando-se aos açambarcadores - com dinheiro público - para que levassem o que quisessem, em negociatas vergonhosas, escandalosas, sempre alçando um elemento do próprio grupo do Planalto à testa-de-ferro.

Se há algo de que não necessitamos é de uma política inteiramente servil de devastação do país, cujos únicos beneficiados são especuladores, cartéis e monopólios externos - além de algumas migalhas atiradas por esses ao grupo de Fernando Henrique. O que precisamos é enterrar uma situação em que não há um único setor do país - trabalhadores, industriais, comerciantes, agricultores, banqueiros - cujos interesses tenham alguma coisa a ver com ela.

CARLOS LOPES

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