3.000 já se voluntariaram para integrar nova leva de barcos para romper bloqueio a Gaza

Além das dezenas de barcos, ativistas sairão por via terrestre para levar ajuda médica, alimentos e suprimentos (GlobalSumud)

Além dos vários portos do Mediterrâneo, com ativistas de 100 países, também partirão em carreatas terrestres para levar seu apoio à população palestina

Mais de três mil ativistas de todo o mundo estão inscritos para participar da Flotilha Global Sumud (firmeza/resistência palestina), que sairá no dia 29 de março desde portos mediterrâneos rumo à Faixa de Gaza. Saindo primeiro de Barcelona e posteriormente dos demais portos da Europa, Ásia e África, os militantes – que também viajarão em comboios por terra – realizarão uma coletiva de imprensa em 5 de fevereiro que será transmitida a partir de Joanesburgo, na África do Sul, pelo comitê diretivo do movimento de solidariedade.

Neste ano haverá o reforço do apoio terrestre com ajuda médica, alimentos e suprimentos através do Norte da África passando pelo Egito em direção à travessia de Rafah, na fronteira egípcia com Gaza.

A força de uma viagem marítima acompanhada por colunas terrestres paralelos, de acordo com os organizadores da Flotilha, tem por objetivo sensibilizar amplos setores da sociedade do “sofrimento inimaginável” que a população palestina vem passando e assegurar o crescimento da conscientização e da mobilização popular seja cada vez mais efetiva.

Conforme os ativistas, esta é uma tática recorrente, utilizada pelas redes internacionais de solidariedade e documentada por organizações humanitárias, a fim de romper o silêncio dos monopólios da mídia em relação ao genocídio cometido pelo governo israelense contra os palestinos, e perpetrando agressão aos seus apoiadores.

AJUDA HUMANITÁRIA ENFRENTA PERSEGUIÇÕES E CRIMES ISRAELENSES

Entre os abusos recordados está o assassinato de nove turcos – e o ferimento de outros 60 – no ataque de comandos israelenses ao “Mavi Marmara”, um dos navios da frota de ajuda humanitária que tentava chegar à Faixa de Gaza, em maio de 2010. Ou à prisão durante vários dias e “ao tratamento como animais”, como os ativistas foram tratados ao serem capturados em outubro de 2025 em águas internacionais. Cerca de 14 brasileiros participaram das missões do ano passado e após a libertação alguns relataram ter sofrido tortura física e psicológica enquanto sob custódia israelense.

“A histórica partida se iniciará por Barcelona, ​​seguida pela Tunísia, Itália e outros portos do Mediterrâneo, e navegaremos desta vez no dia 29 de março”, assegurou a ativista Sumeyra Akdeniz Ordu durante a coletiva de imprensa. “Desta vez, navegaremos com milhares de participantes, incluindo mais de mil médicos, enfermeiros, profissionais de saúde… Teremos profissionais médicos conosco. Teremos construtores ecológicos conosco. Teremos investigadores de crimes de guerra, o que é a diferença em relação à missão anterior”, acrescentou.

“FLOTILHA É ALTERNATIVA AO PLANO DE TRUMP”

Na avaliação de Ordu, a flotilha é “uma alternativa ao plano de (Donald) Trump”, pois são os palestinos quem devem ter permissão para decidir “como querem reconstruir sua própria pátria”, longe das imposições de estadunidenses e israelenses.

A Flotilha foi descrita pelos organizadores como humanitária e política, que potencializará a rede de apoio ao povo palestino, que desde 7 de outubro de 2023 já soma mais de 72 mil mortos, 170 mil feridos e cerca de seis mil amputados, grande parte crianças.

Missões anteriores da flotilha – incluindo as organizadas pela Coalizão da Flotilha da Liberdade -foram descritas por grupos internacionais de direitos humanos como ações diretas não violentas que colocavam em relevo a denúncia do caos vivido em Gaza. Para o governo sionista, empenhado em manter sua brutalidade impune – e invisibilizada – tais missões violam o bloqueio naval imposto.

Grupos de monitoramento e reportagens da imprensa documentaram a viagem de conscientização da Coalizão da Flotilha da Liberdade em 2024 partindo de Istambul com mais de 5.500 toneladas de suprimentos, que foi interrompida depois que os navios supostamente perderam suas bandeiras sob pressão, e um ataque com drone em setembro de 2025 contra um navio da flotilha na costa da Tunísia.

Em outubro de 2025, as forças de ocupação israelenses interceptaram a primeira flotilha oficial do Global Sumud, detendo e deportando centenas de ativistas, muitos dos quais relataram posteriormente terem sofrido abusos físicos e psicológicos sob custódia.

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