Cinquenta e três organizações que atuam na Faixa de Gaza e na Cisjordânia condenaram, nesta sexta-feira (2) o criminoso bloqueio de Israel da atividade dessas entidades internacionalmente destacadas “em um momento de necessidades agudas e espraiadas”.
A declaração destas organizações, que incluem Médicos Sem Fronteiras, Anistia Internacional, Conselho Norueguês de Resgate, ActionAid, Oxfam, entre outras, cujas licenças foram agora revogadas, enfatiza que “perfazem uma resposta humanitária” ao trabalharem em cooperação com a ONU e organizações palestinas para prestar assistência em Gaza.
As organizações acrescentam que, apesar do cessar-fogo, “as necessidades humanas permanecem extremas em Gaza”
Segundo elas, uma em cada quatro famílias sobrevive com apenas uma refeição por dia e 1,3 milhão precisam de abrigo.
De acordo com a declaração, as organizações, cujas atividades Israel resolve banir, fornecem metade da assistência alimentar, e têm sob seus cuidados 60% dos hospitais de campo, além de dedicarem especial atenção no tratamento de crianças sofrendo de desnutrição severa.
Deter essa assistência fechará centros de saúde, acabar com o fornecimento de alimentos e acabar com o tratamento que tem salvo vidas na região duramente atingida pelos ataques israelenses.
As organizações acrescentam que a decisão de Israel “não é uma questão técnica ou administrativa, mas uma decisão política deliberada de consequências previsíveis. “Se as licenças expiram”, dizem ainda, “o governo de Israel estará bloqueando ajuda humanitária em larga escala>
“O acesso a socorro humanitário, não é condição opcional ou política, é obrigação determinada pela legislação humanitária internacional”, destaca o documento.
As 53 organizações convocam Israel a parar com a revogação das licenças e remover todas as medidas de bloqueio de ajuda humanitária e urgem os governos que são doadores a estas organizações a tomarem todas as medidas possíveis para reverter estas decisões.
“MEDIDA CATASTRÓFICA”, DENUNCIAM FRANÇA, INGLATERRA E CANADÁ
Declaração de 10 Ministérios do Exterior: da França, Inglaterra, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Japão, Noruega, Suécia e Suíça considera “Medida catastrófica” e condena as “restrições excessivas” de banimento das organizações de assistência humanitária e urge o governo de Netanyahu a “assumir seus compromissos perante a legislação internacional e suspender estes obstáculos”.
A declaração expressa grande preocupação e exige “seja garantido às organizações internacionais operacionar na Faixa de Gaza” e a “permitir que a ONU e seus parceiros prossigam com seu trabalho vital e levante todas as barreiras à passagem de ajuda das fronteiras”.
As medidas da ocupação israelense acontecem depois do governo ter reformado procedimentos de registro, justificadas diante de não comprovadas ligações entre estas organizações e grupos terroristas em Gaza que seriam “violações de segurança e falta de padrões de transparência”
Philippe Ribero, chefe da missão da Médicos Sem Fronteiras para Gaza, declarou, em entrevista ao jornal israelense Haaretz, que é a primeira vez que ouve dos alegados links da organização humanitária com Hamas e Jihad, vindas da parte do Ministério da Diáspora que agora decide impedir sua atuação, sem comprovação.
“Eles vieram a nós com estas alegações. Nunca fomos informados de antemão por qualquer autoridade sobre qualquer dos nossos diretores ser problemático”.
Hoje, o MSF lançou uma declaração sobre as afirmações israelenses alertando que “negar assistência médica a civis é inaceitável sob quaisquer circunstâncias e é assustador ver o uso de ajuda humanitária como instrumento político ou de punição coletiva”.
O MSF tem seu próprio processo seletivo e enfatiza que qualquer um envolvido em atividade militar colocaria em risco suas operações e assim toma todas as medidas possíveis para impedir que isso aconteça. “MSF inequivocamente recusa as alegações feitas pelas autoridades israelenses nos dias recentes.
“Agora é hora de ação”, proclama ainda a MSF. “Israel está escalando seu grave ataque sobre a resposta humanitária, ameaçando diretamente os que proporcionam cuidados médicos e humanitários aos civis”.
Sobre o pedido do Ministério israelense da lista dos membros da direção do MSF em Gaza, informa que “Enviamos uma carta contando ao Ministério que não nos opomos, por princípio, a fornecer uma lista, mas gostaríamos de umas poucas respostas, sobre de que forma a lista seria utilizada e quem teria acesso a ela. A MSF propôs assumir compromissos, mas não obteve nenhuma resposta do Ministério. Gostaríamos de conversar com eles sobre estas alegações, mas não obtivemos nada da parte deles”.
A organização trata dezenas de milhares de pessoas a cada ano em Gaza e na Cisjordânia, disse Ribero e se perde a licença “realmente não sabemos o que vai acontecer com o fim de nossas operações em Gaza e na Cisjordânia”.
ORGANIZAÇÕES ISRAELENSES CONDENAM PROIBIÇÃO DO GOVERNO
Organizações de direitos humanos condenam a proibição do governo Netanyahu a grupos internacionais de ajuda humanitária em Gaza. As organizações, entre elas Adalah – Centro Jurídico para os Direitos da Minoria Árabe em Israel e B’Tselem (organização dedicada a denunciar as agressões aos palestinos na Cisjordânia), observaram que os grupos de ajuda humanitária não apenas fornecem apoio vital em Gaza, mas também ajudam a defender os palestinos na Cisjordânia da crescente violência dos colonos. Proibi-los “coloca vidas em risco”.
19 organizações de direitos humanos sediadas em Israel condenaram a proibição imposta por Israel a dezenas de grupos internacionais de ajuda humanitária em Gaza, em um comunicado divulgado na quinta-feira (1º de janeiro).
“Paralelamente ao ataque de Israel contra a população de Gaza, e como parte dele, o acesso humanitário tem sido severamente restringido desde outubro de 2023.” Apesar do cessar-fogo, as organizações israelenses afirmaram que “a ajuda essencial – incluindo alimentos, medicamentos, abrigo e itens de higiene – continua sendo atrasada ou negada.”
Proibir 37 organizações de ajuda humanitária de operar nos territórios palestinos “mina a ação humanitária baseada em princípios, coloca em risco funcionários e comunidades e compromete a eficácia da prestação de ajuda”.
Além de seu papel em Gaza, os grupos internacionais de ajuda humanitária proibidos pelo governo israelense apoiam organizações palestinas e garantem a responsabilização e a transparência na Cisjordânia em meio à violência sem precedentes dos colonos, afirmou o comunicado. “Impedir seu trabalho coloca vidas em risco.”
Entre as signatárias, além das já citadas, Associação para os Direitos Civis em Israel, Breaking the Silence, Combatentes pela Paz, Ir Amim (Cidade dos Povos), médicos por Direitos Humanos, Comitê Público Contra a Tortura em Israel.
“O novo quadro de registro viola princípios humanitários fundamentais de independência e neutralidade”, diz o comunicado israelense. “Condicionar a ajuda ao alinhamento político, penalizar o apoio à responsabilização legal e exigir a divulgação de dados pessoais sensíveis de funcionários palestinos e suas famílias constituem uma violação do dever de cuidado e expõem os trabalhadores à vigilância e a danos. Essa instrumentalização da burocracia
Israel tem a obrigação legal de garantir o acesso à ajuda humanitária, escreveram eles, e apelaram ao governo para que “suspenda imediatamente os processos de cancelamento de registro, remova os obstáculos à ação humanitária e de direitos humanos e permita que as organizações internacionais operem de forma segura e eficaz”. Instaram também a comunidade internacional a “agir com urgência para proteger a independência das organizações humanitárias e garantir que a ajuda chegue a quem mais precisa”.











