90 dias e depois volta para cadeia. É bom lembrar que o preso em questão ia matar Moraes, Lula e Alckmin

Jair Bolsonaro (reprodução)

Flávio diz que o “atleta” da “gripezinha” ou “resfriadinho” que não tinha medo de nada na pandemia, agora vai ficar muito doente se cumprir pena na cadeia. É mole?

A reação de Flávio Bolsonaro, conhecido como o “rei da rachadinha”, à decisão de Alexandre Moraes de autorizar prisão domiciliar para Jair Bolsonaro por 90 dias foi no mínimo inusitada. Em entrevista à Globonews nesta terça-feira (24), ele reclamou porque a prisão domiciliar seria só por 90 dias. Ele queria impunidade permanente, ou seja, que Bolsonaro pudesse ir par a mansão da família e destruir tornozeleiras enquanto articula planos contra o Brasil.

Parece brincadeira, mas o “01” disse que o pai, defensor a tortura, ficou doente por causa do barulho do ar condicionado na cela. Disse também que ele não tem na prisão sequer uma “flor para olhar”. Quem diria. Aquele que enchia a boca para dizer que prisão não é colônia de férias e que bandido tem que sofrer e morrer na cadeia. Agora quer florzinha na cela.

O rachadinha disse que seu pai não pode voltar para a prisão na Papuda porque, se voltar, vai ficar doente de novo. Entrou na cala, cai doente. Sim, aquele mesmo valentão que dizia ser um atleta e que se pegasse alguma coisa na pandemia, seria um “mero resfriadinho” ou uma simples “gripezinha”, agora pode morrer na cadeia por causa do barulho do ar condicionado.

Segundo Flávio, ele não pode ficar sem ver uma flor. Ele fica angustiado e pode adoecer, diz o pilantra. Parece brincadeira. Moraes foi condescendente até demais. Afinal, nós estamos falando de um preso que planejou matar o próprio Moraes, assassinar o presidente Lula e o vice, Geraldo Alckmin e colocar centenas, ou quem sabe, milhares de pessoas na cadeia. Ele mesmo disse que se pudesse mataria 20 a 30 mil pessoas na época da ditadura. Disse que o grande erro do regime da época foi não ter feito isso.

Bolsonaro, portanto, não é um preso qualquer. É um preso que orquestrou uma tentativa de golpe de Estado com mortes de autoridades e oposicionistas. Não fosse a atuação firme da sociedade e da parte sã das FFAA, hoje ele estaria barbarizando. Certamente Lula, Alckmin e Moraes não estriam vivos. Não podemos cair nessa de que o golpista condenado é um “coitadinho”.

Outra coisa a destacar da fala de Flávio é que não é a primeira vez que ele defende regalias para condenados. Ele foi pessoalmente na cadeia, quando era deputado estadual no Rio, fazer uma homenagem para o assassino de aluguel Adriano da Nóbrega, um miliciano que estava preso por assassinato. Adriano chefiava o Escritório do Crime, uma espécie de central de assassinatos de aluguel da milícia do Rio de Janeiro. Sua mãe e mulher eram fantasmas no gabinete do próprio Flávio Bolsonaro.

O 01 disse ainda que, se a saúde de seu pai corre risco no sistema prisional, não faz sentido estipular um prazo de 90 dias para o benefício da prisão domiciliar. “Se a saúde dele melhorar em casa, ele volta para o lugar onde a saúde dele estava piorando?”, questionou. Ora. Se essa ideia pega, todos os presos doentes do Brasil vão ter direito a ir para casa. Vai ser uma “saidinha gigante”. Exótica, portanto, foi a fala de Flavio. Noventa dias está de bom tamanho.

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